Último eixo da Agenda dos Presidenciáveis reúne propostas para fortalecer o turismo, ampliar a infraestrutura e a conectividade e incentivar a transição energética como vetores do desenvolvimento regional sustentável
Turismo, infraestrutura, logística, energia renovável e sustentabilidade estão entre os temas que compõem o eixo Desenvolvimento Regional e Sustentabilidade da Agenda dos Presidenciáveis 2026. Elaborado pelo Sistema CNC-Sesc-Senac, o documento reúne propostas para a redução das desigualdades regionais, o fortalecimento da competitividade dos territórios e a criação de condições para um crescimento econômico mais equilibrado em todo o País.
Esta é a sétima e última reportagem da série especial do Portal do Comércio dedicada aos eixos estruturantes da Agenda dos Presidenciáveis. Desta vez, o foco está em temas considerados estratégicos para reduzir desigualdades regionais, aumentar a competitividade dos territórios e fortalecer o comércio de bens, serviços e turismo, como regionalização e promoção turística, infraestrutura e conectividade, mobilidade e logística, transição energética, simplificação do licenciamento ambiental e economia circular.
A Agenda parte do entendimento de que reduzir desigualdades regionais e aumentar a competitividade dos territórios exige investimentos em infraestrutura, conectividade e sustentabilidade, aliados à valorização das atividades econômicas e das características de cada região.
“O desenvolvimento regional exige políticas públicas capazes de integrar infraestrutura, conectividade, sustentabilidade e valorização das potencialidades locais. Quando esses fatores avançam de forma coordenada, ampliam-se as oportunidades de investimento, geração de empregos e crescimento econômico em todas as regiões do País”, afirma o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.
Turismo como vetor de desenvolvimento regional
A Agenda dos Presidenciáveis defende o fortalecimento das Instâncias de Governança Regional do Turismo (IGRs), a ampliação da qualificação profissional e a integração do turismo às políticas de infraestrutura, logística e desenvolvimento local.
O documento ressalta que a interiorização da atividade turística contribui para ampliar a distribuição dos benefícios econômicos do setor, reduzir a sazonalidade e fortalecer destinos ainda pouco explorados.
A proposta também prevê investimentos em inteligência turística, transformação digital e promoção de destinos, utilizando dados para compreender o comportamento dos visitantes e orientar políticas públicas mais eficientes.
Para o diretor da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) responsável pelo Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur) da entidade, Alexandre Sampaio, o fortalecimento das regiões turísticas depende da integração entre planejamento, infraestrutura e promoção de destinos.
“O turismo tem capacidade de impulsionar economias locais, gerar empregos e distribuir renda em todas as regiões do País. Para que esse potencial seja plenamente aproveitado, é necessário investir em conectividade, qualificação profissional, inteligência de mercado e promoção estruturada dos destinos brasileiros”, explica.
A Agenda propõe o fortalecimento das marcas regionais e a utilização de ferramentas de marketing e inteligência de dados para promover destinos nacionais nos mercados doméstico e internacional. É defendida a institucionalização das Contas Satélite do Turismo, instrumento considerado fundamental para medir os impactos econômicos da atividade e subsidiar a formulação de políticas públicas.
O documento sugere a implementação de hubs de inteligência turística baseados em big data para mapear a jornada do visitante, orientar campanhas promocionais e reduzir a sazonalidade dos destinos, aumentando o fluxo de turistas para regiões com potencial ainda pouco explorado.
Infraestrutura, logística e conectividade para integrar o País
Outro conjunto de propostas visa à melhoria da infraestrutura logística e à ampliação da conectividade regional. O documento aponta que a integração eficiente entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos é fundamental para reduzir custos, aumentar a competitividade e expandir o potencial de crescimento das diferentes regiões brasileiras.
Entre as medidas defendidas pelo Sistema Comércio, estão a recuperação de corredores logísticos estratégicos, o aumento da intermodalidade, o fortalecimento dos portos secos e a integração dos Estados aos grandes corredores nacionais e internacionais de transporte.
A Agenda reforça a necessidade de modernização do sistema portuário brasileiro. Para a CNC, a ampliação da infraestrutura portuária, a digitalização dos processos e a previsibilidade regulatória são elementos fundamentais para diminuir gargalos logísticos e consolidar o comércio exterior.
É destaque ainda o fortalecimento da aviação regional com propostas de investimentos em infraestrutura aeroportuária, incentivos à operação de rotas regionais e maior integração entre as políticas de transporte, turismo e desenvolvimento econômico.
A Agenda dos Presidenciáveis enfatiza o papel das parcerias público-privadas (PPPs) na ampliação da infraestrutura regional. O documento defende o fortalecimento dos instrumentos de garantia para contratos de concessão e PPPs, além da priorização de investimentos em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e estradas vicinais, considerados estratégicos para a integração territorial e o desenvolvimento econômico regional.
No ambiente urbano, a Confederação apoia políticas de melhoria da mobilidade, modernização dos sistemas de transporte público e integração de soluções inovadoras, como plataformas digitais capazes de conectar diferentes modais de deslocamento. Segundo as propostas apresentadas, a melhoria dos deslocamentos urbanos beneficia diretamente o comércio, os serviços e o turismo ao facilitar o acesso de consumidores, trabalhadores e visitantes aos centros econômicos e polos turísticos.
Transição energética e competitividade
A Agenda destaca a transição energética como um dos pilares para aumentar a competitividade do País, por meio da expansão das fontes renováveis e da modernização do setor elétrico.
O documento defende a ampliação do acesso à geração distribuída, o fortalecimento de programas de eficiência energética e a ampliação das oportunidades para que micro, pequenas e médias empresas participem desse processo.
Para o vice-presidente Financeiro da CNC, Leandro Domingos, a sustentabilidade está cada vez mais associada à competitividade empresarial.
“A transição energética deixou de ser apenas uma agenda ambiental e passou a ocupar espaço relevante na agenda da competitividade. A ampliação do acesso a fontes renováveis, aliada à modernização da infraestrutura energética e à maior eficiência operacional, pode contribuir para a redução de custos, maior previsibilidade e fortalecimento da capacidade de investimento das empresas”, ressalta.
A entidade defende, por meio de suas propostas, segurança jurídica, estabilidade regulatória e incentivo à inovação tecnológica, especialmente em áreas ligadas ao armazenamento de energia, à geração distribuída e às redes inteligentes.
Sustentabilidade, licenciamento ambiental e economia circular
Uma das propostas do eixo é o aperfeiçoamento dos processos de licenciamento ambiental. Para o Sistema Comércio, a modernização e a maior eficiência dos procedimentos, aliadas à digitalização dos sistemas e à harmonização de critérios entre os entes federativos, podem reduzir entraves burocráticos, ampliar a previsibilidade e favorecer novos investimentos sem comprometer as necessárias salvaguardas ambientais.
A Agenda defende o fortalecimento da economia circular, com incentivos à reutilização de materiais, à logística reversa, à reciclagem e à adoção de modelos produtivos mais eficientes e sustentáveis.
Para o gerente da Assessoria de Gestão das Representações (AGR) da CNC, Sérgio Henrique, a sustentabilidade passou a ocupar posição estratégica para a competitividade empresarial.
“A economia circular representa uma oportunidade de alinhar desenvolvimento econômico, inovação e responsabilidade ambiental. Além de reduzir desperdícios e aumentar a eficiência no uso de recursos, ela cria oportunidades de negócios, fortalece cadeias produtivas e contribui para a competitividade das empresas”, afirma.
O documento prevê mecanismos de apoio técnico, incentivos financeiros e a integração da agenda ambiental às estratégias de desenvolvimento regional e turismo sustentável.
A diretora de Relações Institucionais e Governamentais da CNC, Nara de Deus, ressalta que a construção dessa agenda depende da coordenação entre diferentes áreas da administração pública e do diálogo permanente com o setor produtivo.
“As propostas reunidas neste eixo demonstram que desenvolvimento regional, infraestrutura e sustentabilidade devem ser tratados de forma integrada. A CNC atua para que essas pautas avancem na formulação de políticas públicas e contribuam para gerar oportunidades, atrair investimentos e fortalecer a competitividade das regiões brasileiras.”