Tecnologia e transformação digital: Agenda dos Presidenciáveis propõe inovação, conectividade e segurança para ampliar a competitividade

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Terceiro eixo reúne propostas voltadas à inteligência artificial, infraestrutura digital, cibersegurança, digitalização empresarial e ampliação da conectividade para fortalecer o comércio de bens, serviços e turismo

Como preparar o Brasil para competir em uma economia cada vez mais orientada por dados, automação e novas tecnologias? A resposta do Sistema CNC-Sesc-Senac para esse desafio está reunida no eixo Tecnologia e Transformação Digital da Agenda dos Presidenciáveis, documento apresentado aos candidatos à Presidência da República com propostas voltadas ao fortalecimento da competitividade e da inovação no setor produtivo.

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Esta é a terceira reportagem da série especial do Portal do Comércio dedicada aos sete eixos estruturantes da Agenda dos Presidenciáveis. Dessa vez, o foco está em temas que vêm transformando a dinâmica dos negócios em todo o mundo, como inteligência artificial, data centers, plataformas digitais, economia de dados, cibersegurança, conectividade e digitalização das empresas.

A avaliação da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) é que a transformação digital deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar uma condição necessária ao crescimento econômico, à produtividade e à inserção das empresas brasileiras em mercados cada vez mais conectados.

“A transformação digital vem redefinindo a forma como empresas produzem, se relacionam com consumidores e geram valor. O Brasil precisa criar condições para que negócios de todos os portes tenham acesso à inovação e possam participar dessa nova economia, ampliando produtividade, competitividade e oportunidades de desenvolvimento”, afirmou o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.

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Inteligência artificial e produtividade

A inteligência artificial ocupa posição de destaque entre as propostas do eixo Tecnologia e Transformação Digital. O documento reconhece o potencial da tecnologia para impulsionar ganhos de produtividade, melhorar processos e ampliar a competitividade das empresas, mas defende que sua regulamentação seja construída de forma equilibrada.

Segundo a Agenda dos Presidenciáveis, a criação de regras deve garantir segurança jurídica e proteção de direitos sem comprometer a inovação nem criar barreiras excessivas ao desenvolvimento tecnológico. A Confederação alerta que uma regulação excessivamente rígida pode aumentar custos, reduzir investimentos e dificultar a adoção da tecnologia, especialmente pelas micro e pequenas empresas.

O documento ressalta ainda que a baixa disseminação dessas ferramentas continua sendo um desafio. Atualmente, a adoção da inteligência artificial permanece concentrada principalmente em empresas de maior porte, o que evidencia a necessidade de políticas públicas de qualificação profissional e letramento digital.

Como parte dessa estratégia, propõe a criação de um Programa Nacional de IA Aplicada às Micro e Pequenas Empresas, estruturado em parceria com o Sistema S, universidades, centros de pesquisa e provedores tecnológicos, com foco na capacitação e na aplicação prática da tecnologia pelos pequenos negócios.

Infraestrutura digital e economia de dados

A expansão da economia digital também depende do fortalecimento da infraestrutura tecnológica do País. Nesse contexto, os data centers aparecem como componentes centrais para armazenamento, processamento e transmissão de dados, além de sustentarem aplicações ligadas à computação em nuvem, à inteligência artificial e ao comércio eletrônico.

O Sistema Comércio defende a criação de uma política nacional de resiliência digital, com incentivos à instalação de data centers em território nacional, estímulo ao uso de energia limpa e fortalecimento da infraestrutura necessária para garantir segurança, continuação operacional e proteção de informações empresariais.

Outro tema em destaque é a economia de dados. O documento entregue aos candidatos à Presidência da República propõe a ampliação da interoperabilidade entre sistemas públicos e privados por meio de uma identidade digital empresarial nacional integrada, capaz de simplificar processos, reduzir burocracias e facilitar o acesso das empresas a serviços e informações.

A diretora de Relações Institucionais e Governamentais da CNC, Nara de Deus, explica que grande parte das propostas deste eixo depende do aperfeiçoamento dos marcos regulatórios relacionados à economia digital.

“A transformação digital exige um ambiente regulatório moderno, capaz de acompanhar a velocidade das inovações sem criar entraves desnecessários ao desenvolvimento econômico. A atuação institucional da CNC tem buscado contribuir para a construção de políticas públicas e marcos legais que conciliem inovação, segurança jurídica e competitividade”, esclareceu.

Plataformas digitais e concorrência

A Agenda dos Presidenciáveis também focou o avanço das plataformas digitais e os debates a respeito da sua regulamentação. Ela reconhece a importância dessas plataformas para a economia contemporânea, mas defende que possíveis intervenções regulatórias sejam construídas com base em critérios de proporcionalidade, evidências técnicas e respeito à livre iniciativa.

A Confederação alerta que exigências excessivas podem elevar custos operacionais, comprometer investimentos e reduzir a oferta de serviços digitais. Por outro lado, entende que é necessário garantir transparência, segurança jurídica e concorrência equilibrada no ambiente digital.

Por isso, o Sistema CNC-Sesc-Senac propõe medidas voltadas à isonomia concorrencial, à transparência de regras de funcionamento das plataformas e à responsabilização proporcional em casos de irregularidades, preservando ao mesmo tempo a inovação e o dinamismo do mercado digital.

Segurança digital e proteção das empresas

O avanço da digitalização também aumentou os desafios relacionados à segurança da informação. O Brasil figura entre os países mais afetados por ataques cibernéticos, situação que impacta empresas de todos os portes e setores.

Para a Confederação, a segurança digital tornou-se um componente essencial da competitividade empresarial. O conjunto de propostas da entidade aponta que vazamentos de dados, fraudes e ataques virtuais geram prejuízos financeiros, afetam a imagem das empresas e reduzem a confiança dos consumidores.

Nesse contexto, a Agenda dos Presidenciáveis propõe a criação do Programa Nacional de Cibersegurança para Micro e Pequenas Empresas do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, integrado às políticas nacionais de segurança digital. A iniciativa prevê ações de diagnóstico, capacitação, orientação técnica e disseminação de boas práticas de proteção digital.

A gerente de Planejamento Estratégico da CNC e diretora interina de Inovação e Tecnologia da Informação, Rafaela do Rio, afirmou que a segurança digital deve ser tratada como elemento estruturante da transformação tecnológica.

“A digitalização amplia oportunidades de negócios, mas também exige novos mecanismos de proteção. Garantir que empresas tenham acesso a ferramentas de cibersegurança, capacitação e infraestrutura adequada é fundamental para fortalecer a confiança nas relações comerciais e aumentar a competitividade do setor produtivo”, frisou.

Digitalização das empresas e ampliação da conectividade

Outro desafio apontado pelo documento é a maturidade digital das empresas brasileiras. Embora a conectividade tenha avançado significativamente nos últimos anos, grande parte dos pequenos negócios ainda se encontra em estágios iniciais de transformação digital.

Entre os principais obstáculos identificados, estão a falta de recursos para investimentos, a dificuldade de acesso a tecnologias mais avançadas e a necessidade de qualificação para utilização de ferramentas digitais.

Por isso, a CNC defende a ampliação de linhas de financiamento para transformação digital, investimentos em capacitação por meio do Senac e programas de diagnóstico capazes de orientar empresas na implementação de soluções tecnológicas.

A Agenda também destaca a conectividade como condição essencial para o desenvolvimento da economia digital, propondo a criação de um Plano Nacional de Conectividade Produtiva, com foco em municípios de pequeno porte, polos comerciais, rotas turísticas e corredores logísticos.

Tecnologia, consumo e sustentabilidade econômica

Encerrando o eixo, o documento trata dos impactos econômicos provocados pela expansão das plataformas de apostas on-line. Estudos da Confederação mostram que o crescimento desse mercado tem contribuído para o aumento da inadimplência e para a redução da capacidade de consumo das famílias.

A entidade defende uma regulação equilibrada do setor, combinando proteção ao consumidor, transparência e controle da publicidade com o objetivo de mitigar riscos sociais e econômicos associados ao superendividamento.

Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, os efeitos das apostas virtuais já podem ser observados nos indicadores de endividamento das famílias, acompanhados regularmente pela Confederação.

“O avanço das apostas on-line produz impactos que vão além do ambiente digital. Quando parcelas crescentes da renda familiar são direcionadas para esse tipo de despesa, observamos reflexos no consumo, na inadimplência e na própria atividade econômica. Esse é um tema que precisa ser analisado sob a perspectiva do desenvolvimento econômico e da sustentabilidade financeira das famílias”, argumentou.

Ao reunir propostas relacionadas com inteligência artificial, infraestrutura digital, economia de dados, cibersegurança, conectividade e transformação tecnológica das empresas, o eixo Tecnologia e Transformação Digital busca contribuir para a construção de um ambiente mais inovador, seguro e competitivo. Para o Sistema CNC-Sesc-Senac, o fortalecimento dessas agendas é fundamental para aumentar a produtividade, estimular investimentos e preparar o Brasil para os desafios da economia digital.

Leia na íntegra a Agenda dos Presidenciáveis 2026

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