Economia do País depende da produtividade dos trabalhadores

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José Pastore, especialista em relações do trabalho e professor da USP, participou esta manhã (8) do último dia de trabalho do Congresso Regional do Sicomércio – Região Norte, realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) em parceria com a Fecomércio-AM.

José Pastore, especialista em relações do trabalho e professor da USP, participou esta manhã (8) do último dia de trabalho do Congresso Regional do Sicomércio – Região Norte, realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) em parceria com a Fecomércio-AM.

O avanço das relações trabalhistas foi o tema da palestra de Pastore no Congresso. Ao iniciar sua participação, destacou que, quando salário e produtividade crescem juntos, este é o melhor dos cenários. “Crescer com produtividade significa fazer mais com menos. O trabalho produtivo é aquele que faz muito com pouco – menos energia, menos matéria prima, administração, burocracia”, disse Pastore. “O empresário precisa de se preparar para entender o sindicalismo e as relações de trabalho em toda a sua intensidade”, afirmou José Roberto Tadros, vice-presidente da CNC, presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac–AM e anfitrião do evento, ao apresentar Pastore.

José Pastore explicou que a produtividade no trabalho surge de um complexo de fatores – a educação do trabalhador, sua preparação e competência profissional são alguns dos principais. “Daí a iniciativa de investir na capacitação das pessoa, através do Senac, por exemplo”, complementou.

O especialista enfatizou que produtividade é o principal fator para o desenvolvimento econômico. E apontou: “Como colocar mais gente trabalhando no Brasil, considerando que a população brasileira está envelhecendo, e como manter empregado um contingente enorme de trabalhadores? Com produtividade”.

Mas, neste quesito, a situação do Brasil não é boa. “Inflação e menos investimentos são fatores ligados ao custo do trabalho que, quando dispara sem se fazer acompanhar pela produtividade, gera um problema que já afeta o cenário atual brasileiro, e pode afetar o País no médio prazo”, afirmou José Pastore.

Além disso, segundo ele, os encargos representam 183,15% sobre o salário do trabalhador, o que onera sobremaneira os custos das empresas. Isso sem falar no custo unitário do trabalhador que, no Brasil, subiu 158% em relação a 2002 e 40% em relação a 2008. Em países desenvolvidos, este custo fica entre 8% e 9%. A produtividade do trabalhador brasileiro representa 1/3 da produtividade dos trabalhadores da Coreia do Sul, 1/4 dos trabalhadores da Alemanha e 1/5 da produtividade dos EUA.

José Pastore falou ainda do impacto das decisões judiciais no cenário das relações do trabalho, como as súmulas do Tribunal Superior do Trabalho (TST). “A legislação brasileira precisa ser alterada. O arcabouço atual não beneficia tanto o trabalhador como se pensa”, disse.

Sugestões

Fortalecer o associativismo e exercer uma pressão democrática junto as poderes públicos são ações que o empresariado deve adotar para que consiga equilibrar a relação capital/trabalho na opinião de Pastore. “E é o que vocês estão fazendo aqui, juntando forças. O associativismo pode propor mudanças no quadro trabalhista brasileiro. Uma empresa somente não consegue ter voz, mas, por meio das confederações, federações e sindicatos, isso pode ser feito de forma efetiva”, aconselhou.

 

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