Combate ao comércio ilícito exige cooperação regional e inovação, defende Tadros no Conselho Sul-Americano na Argentina

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No segundo dia do V Encontro, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac destaca integração, tecnologia e desenvolvimento de fronteiras como caminhos para enfrentar o problema

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, abriu sua participação no segundo dia do V Encontro do Conselho de Associações Empresariais Sul-Americanas para o Comércio Lícito com um chamado enfático à atuação coordenada entre os países da região. Para ele, o combate ao contrabando e aos mercados paralelos deixou de ser um tema restrito à fiscalização aduaneira e passou a ocupar o centro das estratégias de desenvolvimento econômico e segurança regional.

Ao representar o setor de comércio, serviços e turismo do Brasil, Tadros ressaltou que o avanço das redes ilícitas transnacionais exige respostas igualmente integradas. “O comércio ilícito deixou de ser apenas uma questão aduaneira. Hoje, ele constitui um problema de desenvolvimento econômico, de governança pública, de integridade institucional e de segurança regional”, afirmou.

Segundo ele, práticas como a entrada de mercadorias sem recolhimento de tributos e a circulação de produtos falsificados reduzem a capacidade de investimento dos países, comprometem políticas públicas e ampliam o poder econômico de organizações criminosas.

Tadros destacou ainda que nenhum país conseguirá enfrentar o fenômeno isoladamente, defendendo o fortalecimento da cooperação regional e o uso intensivo de tecnologia, incluindo inteligência artificial, análise de dados e rastreabilidade digital, como pilares das estratégias de fiscalização e prevenção.

Painel das câmaras destaca desafios comuns da região

A participação do presidente Tadros ocorreu durante o Painel 3 dedicado às perspectivas das câmaras de comércio sul-americanas, realizado na etapa final da programação do evento.

O debate reuniu lideranças empresariais de diferentes países e ressaltou o papel das entidades representativas na articulação de respostas práticas ao comércio ilícito. A discussão também consolidou um dos principais eixos do encontro: a necessidade de alinhar políticas públicas e iniciativas privadas para mitigar riscos e fortalecer o comércio formal.

Em sua exposição, Tadros chamou atenção para um dos principais desafios brasileiros que é a extensa fronteira com países sul-americanos, que amplia a complexidade do controle e favorece a atuação do crime organizado. Segundo ele, as assimetrias tributárias e regulatórias entre os países da região seguem como fatores estruturais que estimulam o contrabando e a evasão fiscal.

Três eixos para enfrentar o comércio ilegal

Para Tadros, há três pontos centrais para enfrentar o problema sob a perspectiva do setor produtivo:

  • Competitividade econômica: o combate ao comércio ilícito deve ser tratado como política de desenvolvimento, uma vez que produtos ilegais criam concorrência desleal e prejudicam empresas que geram empregos e pagam tributos;
  • Tecnologia e inovação: o futuro da fiscalização passa por inteligência integrada, análise preditiva e sistemas interoperáveis capazes de antecipar rotas e identificar padrões;
  • Desenvolvimento de fronteiras: soluções duradouras dependem da presença do Estado, infraestrutura e geração de oportunidades econômicas nas regiões fronteiriças;

“O combate ao comércio ilícito exige uma visão integrada entre segurança e desenvolvimento”, sintetizou.

Grinman resgata dimensão histórica do contrabando

Na abertura do encontro, o presidente pro tempore do Conselho, Natalio Mario Grinman, trouxe uma abordagem histórica e reflexiva sobre o contrabando na América do Sul. Ele lembrou que o fenômeno acompanha a região desde o período colonial, quando restrições comerciais e altos custos impostos pelas metrópoles tornavam o comércio ilegal uma prática recorrente e, muitas vezes, necessária.

Grinman destacou que, ao longo dos séculos, fatores como preços elevados, restrições de mercado e diferenças regulatórias contribuíram para consolidar o contrabando como uma constante nas economias regionais. Ao mesmo tempo, ressaltou que o desafio atual é transformar essa realidade por meio de conscientização, cooperação e políticas públicas eficazes.

Ele também enfatizou o papel do Conselho como espaço de articulação entre o setor privado e o poder público, ainda que tenha reconhecido as dificuldades na implementação de soluções efetivas e a dependência de decisões governamentais para avanços estruturais.

Contrabando e crime organizado

Tadros defendeu ainda maior integração entre o empresariado e o poder público dos países da região para enfrentar o contrabando e o crime organizado.

Segundo o presidente do Sistema-CNC-Sesc-Senac, o combate ao comércio ilegal depende de uma atuação coordenada entre os governos e o setor produtivo, além de uma estratégia conjunta entre as nações sul-americanas.

“Tem que haver entendimento completo entre o empresariado e o poder público, porque você só pode combater conjuntamente e, paralelamente a isso, unir os esforços de todos os países da América do Sul para combater em conjunto essa evasão de recursos.”

Ele atribuiu o avanço do contrabando, entre outros fatores, à elevada carga tributária nos países latino-americanos, que, segundo ele, acaba estimulando atividades ilegais e prejudicando a competitividade das empresas formais.

“A carga tributária nos nossos países é muito alta, e isso tem motivado a promover o contrabando, criando situações difíceis para os produtores brasileiros e os industriais brasileiros.”

Tadros também afirmou que a concorrência internacional e as diferenças nos modelos de incentivo econômico dificultam a atuação das empresas da região. Em sua avaliação, enquanto alguns países estimulam exportações, os empresários latino-americanos enfrentam aumento de tributos e custos adicionais.

Outro ponto destacado foi a relação entre comércio ilegal e organizações criminosas. O dirigente alertou para a expansão dessas estruturas e para os impactos sobre a economia formal.

Ao defender uma maior integração regional, Tadros ressaltou o potencial econômico do continente e a necessidade de construir mecanismos comuns que reduzam assimetrias e fortaleçam o mercado sul-americano.

“América do Sul não tem conflitos territoriais, não tem conflitos étnicos, porque temos a mesma origem. Temos petróleo, gás, minérios, terras raras e mais de 400 milhões de habitantes. O que está faltando é entendimento para que possamos ter um mercado comum da América do Sul.”

Integração regional no centro da agenda

Realizado em Buenos Aires, o V Encontro do Conselho reuniu representantes de países como Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Brasil e Uruguai, consolidando-se como um espaço estratégico de diálogo regional.

Ao longo do segundo dia, os debates destacaram a convergência entre diferentes agendas como segurança, desenvolvimento econômico, regulação e inovação. fortalecimento institucional.

Veja a íntegra do segundo dia do encontro:

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