Sumário Econômico 1411

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Destaque da edição:

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Cenários para o varejo – A interação entre preços elevados, renda restrita e crédito limitado tem sido o pano de fundo para o desempenho especialmente enfraquecido do comércio, que está sendo visto desde o início de 2015. Em maio, as vendas no varejo restrito, apuradas pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do IBGE, cederam 4,5%, ante maio de 2014 – a maior queda desde agosto de 2003 (-5,7%). No varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, a queda de 1,8% em maio ante abril, além de ser a sexta consecutiva, é a mais intensa para o mês, desde o início da série, em 2003. Os juros reais elevados inibem a tomada de crédito para o consumo, e as restrições de emprego e renda fazem com que as despesas familiares se concentrem nos artigos mais básicos e necessários. Nessas condições, as vendas de duráveis são intensamente atingidas. O setor de móveis e eletrodomésticos, por exemplo, costumava ser beneficiado pelo Dia das Mães. Em 2015, porém, a restrição de crédito e renda dos brasileiros não favoreceu a data. O setor de veículos é um espelho significativo dessa situação. As vendas de automóveis recuaram 22,2% em maio de 2015, ante maio de 2014. Foi a queda mais intensa entre os segmentos do varejo ampliado, e a 12ª taxa negativa consecutiva para o setor. Poucos segmentos resistiram às quedas, a exemplo dos artigos farmacêuticos, em que a alta de preços sustenta a receita de vendas.

 

Outras matérias:

Expectativa para o IPCA continua em queda – No último relatório Focus divulgado pelo Banco Central (17/07), a mediana das expectativas para o IPCA aumentou para 9,15%, após chegar a 8,97% há quatro semanas passadas. Esta é a décima quarta aceleração, continuando bem acima do limite superior da meta (6,50%), e na sua maior estimativa. Apesar deste crescimento nas previsões, as projeções para 2016 reduziram pela terceira semana, alcançando 5,40%. No curto prazo, as projeções dos analistas são de 0,50% para julho e 0,30% em agosto. As cinco instituições que mais acertam – TOP 5 – projetaram IPCA de 0,55% para julho e 0,27% para agosto, valores próximos ao mercado. Segundo dados do IBGE, o IPCA de 2014 foi de 6,41%, enquanto em junho alcançou 8,89% no acumulado dos últimos 12 meses. Projeta-se a taxa de juros Selic para o final de 2015 em 14,50%, o mesmo resultado de três semanas consecutivas e superior ao estimado há quatro semanas, 14,25%. Ou seja, com mais acréscimos ao longo do ano, até uma elevação total de 0,75 pontos. A próxima reunião do Copom será nos dias 28 e 29 de julho, quando se espera que ocorra um aumento de 0,50 ponto. A previsão é que em 2016 a Selic recue e termine o ano em 12,00%, menor do que a taxa atual de 13,75%.

Comércio nas redes sociais – II – Na edição anterior desse Sumário, abordamos – de forma geral – o tema do já chamado Social-Commerce, que se desenvolve no espaço das redes de relacionamento através da internet. Apresentamos a seguir as principais etapas que as empresas devem percorrer para garantir uma presença de sucesso nesse meio. Estabelecer presença nas mídias sociais – As principais mídias sociais já contam com milhões de membros e não podem ser ignoradas pelas empresas, que devem estabelecer suas páginas específicas. Prospectar clientes – As ferramentas oferecidas pelas mídias sociais permitem selecionar segmentos de participantes com afinidades com a empresa, seus produtos e serviços. A prospecção se refere a localizar o público-alvo e mostrar o que a empresa tem a oferecer, em termos de conteúdo e de produtos. Atrair seguidores – O passo seguinte consiste em trazer os usuários para o ambiente da organização. Isso é feito tornando-os fãs da página da empresa. As pessoas presentes nas mídias sociais respondem a essas chamadas, na medida em que haja identificação com a empresa e um estímulo para essa adesão. Desenvolver conteúdo – Justamente para estimular o interesse e o envolvimento das pessoas com as empresas, é necessário o desenvolvimento de conteúdos não comerciais, mas que tenham relação com a atividade e seus produtos. Por exemplo: uma empresa que engarrafe água mineral poderia desenvolver conteúdos de cunho ecológico, mostrando a importância da água no planeta.

Na contramão do resto do mundo – Para fins de diagnóstico entre os principais países, no site da revista The Economist, em www.economist.com/node/21604509, seção Indicadores Econômicos e Financeiros, compara-se o desempenho dos mesmos através do PIB, entre outras variáveis. De acordo com a previsão do comportamento de aproximadamente cinquenta países para 2015, o Brasil ocupa uma das últimas posições, exatamente a acima do antepenúltimo colocado. No ranking do grupo seleto dos quatro últimos, todos poderão apresentar taxa negativa prevista para o PIB. Se as estimativas se confirmarem, o produto brasileiro (-1,6%) terá retraído menos do que o da Rússia (-3,6%), Venezuela (-4,2%) e Ucrânia (-5,6%), apenas. A estimativa para o corrente ano situa nosso país na contramão em relação aos demais, que estão conseguindo recuperar-se. Então, agora parece que chegou a vez de o Brasil fazer ajustes, os quais, se no curto prazo produzem efeitos colaterais insatisfatórios sobre vendas, investimentos, nível de emprego e arrecadação fiscal – só para citar alguns –, mais na frente produzirão efeitos virtuosos quando a economia ingressar nos estágios de recuperação e de crescimento – fases do ciclo contrárias às do momento.

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