Gestão de riscos, qualificação de serviços essenciais, monitoramento inteligente e capacitação estão entre as propostas para ampliar a resiliência dos destinos e melhorar a experiência dos viajantes
A segurança ganha força como um dos fatores estratégicos para o desenvolvimento do turismo brasileiro; e está entre as prioridades da Agenda do Sistema Comércio, documento elaborado no âmbito do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), e entregue aos presidenciáveis e candidatos nas eleições de 2026.
A Agenda reúne recomendações e propostas de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da competitividade dos destinos, à atração de investimentos e ao desenvolvimento econômico e social por meio do turismo. Entre os sete eixos estratégicos mais votados pelos estados do País que estruturam o documento está a segurança, que figura junto a acessibilidade, mobilidade, criatividade, inovação, tecnologia e marketing.
As propostas incorporam contribuições de entidades nacionais e das 27 Unidades da Federação (UFs), construídas de forma colaborativa durante as oficinas do programa Vai Turismo – Rumo ao Futuro. A iniciativa nacional da CNC promove a participação e a articulação do setor na formulação de propostas de políticas públicas voltadas ao fortalecimento do turismo como vetor de desenvolvimento socioeconômico sustentável no Brasil.
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Segurança como fator de competitividade
Em meio a um contexto marcado por desafios sanitários, climáticos e geopolíticos, a segurança se tornou um dos principais critérios de escolha dos viajantes em âmbito global. Para o setor turístico, isso amplia a necessidade de preparar destinos para prevenir riscos, responder a situações adversas e oferecer condições adequadas para moradores e visitantes.
A adoção de sistemas de gestão de riscos, monitoramento inteligente e protocolos alinhados às melhores práticas internacionais é apontada como caminho para fortalecer a resiliência dos destinos. Essas medidas também contribuem para melhorar a experiência turística e a reputação do País.
A Agenda identifica propostas relacionadas à segurança em 21 Unidades da Federação. Entre as prioridades está a ampliação da cobertura e a qualificação de serviços essenciais – como energia elétrica, saneamento, saúde e segurança pública – em territórios com potencial turístico ou baixa cobertura.
A melhoria desses serviços é considerada uma condição estruturante para o desenvolvimento local e para a atividade turística, especialmente em territórios que apresentam potencial de expansão do setor.
Gestão de riscos para destinos mais resilientes
Uma das propostas centrais é a instituição de uma política nacional de gestão de riscos no turismo. A iniciativa deverá abranger ameaças sanitárias, ambientais e, sobretudo, climáticas, estabelecendo diretrizes nacionais para prevenção e resposta.
A proposta prevê também monitoramento integrado, protocolos de resposta e apoio técnico-financeiro aos entes subnacionais. O objetivo é fortalecer a capacidade dos destinos turísticos de enfrentar situações de risco e aumentar sua resiliência diante de eventos que possam afetar a atividade.
O documento também defende a criação de diretrizes e programas nacionais destinados à ampliação e à qualificação dos serviços essenciais, incluindo energia, saneamento, saúde e segurança. Para isso, são previstos financiamento e apoio técnico aos entes subnacionais, criando condições estruturantes para o desenvolvimento territorial e o turismo.
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Tecnologia a serviço da prevenção
O uso de tecnologia aparece como outro componente da estratégia de segurança turística. A proposta é implementar programas nacionais de monitoramento inteligente em destinos turísticos, acompanhados de diretrizes técnicas e financiamento para que estados e municípios possam adotar videovigilância e outras tecnologias em destinos estratégicos.
A medida busca contribuir para a prevenção de ocorrências e para a agilidade na resposta a incidentes. A adoção coordenada dessas ferramentas, segundo as propostas da Agenda, deve estar associada a diretrizes nacionais que orientem sua implementação nos diferentes territórios.
Comunicação, capacitação e hospitalidade inclusiva
A segurança turística também envolve informação e preparação de profissionais e gestores locais. Por isso, as propostas de políticas públicas de turismo propõem o desenvolvimento de uma estratégia nacional de comunicação e capacitação em segurança turística e hospitalidade inclusiva.
Entre as ações previstas estão protocolos orientativos, campanhas destinadas aos turistas e programas de formação para profissionais e lideranças locais. A proposta considera a necessidade de adaptar essas iniciativas às especificidades territoriais, com foco na prevenção de riscos e na qualificação do atendimento.
Dessa forma, a segurança é tratada de maneira integrada, envolvendo infraestrutura e serviços essenciais, prevenção e gestão de riscos, tecnologia, comunicação e capacitação.
O eixo segurança parte da articulação entre União, estados, municípios e setor produtivo, com medidas que combinam diretrizes nacionais, financiamento, apoio técnico, tecnologia e qualificação.

Construção coletiva para o ciclo 2027-2030
O novo ciclo do Vai Turismo amplia a mobilização iniciada entre 2022 e 2026, reunindo debates para a elaboração colaborativa de recomendações e propostas destinadas aos candidatos e candidatas ao governo federal e aos governos estaduais.
O processo incorporou aprendizados do primeiro ciclo, dados e informações do Painel Vai Turismo e um banco de boas práticas que reúne referências de políticas públicas organizadas pelos nove eixos dos Destinos Turísticos Inteligentes (DTIs): acessibilidade, criatividade, governança, inovação, marketing, mobilidade, segurança, sustentabilidade e tecnologia.
A construção também considerou as prioridades nacionais determinadas pelas lideranças das 32 principais instituições relacionadas ao turismo brasileiro. Nos estados, as prioridades foram determinadas em 55 oficinas que reuniram 1.373 representantes dos setores público e privado e cerca de 830 instituições.
O resultado é uma agenda que busca conectar as diferentes realidades regionais a uma visão estratégica nacional, preservando as características e vocações de cada território e, ao mesmo tempo, favorecendo a convergência de iniciativas.
Esta matéria integra uma série de conteúdos dedicada aos sete eixos estratégicos das propostas e recomendações de políticas públicas para o turismo brasileiro mais votados pelos estados.
Leia a íntegra do documento aqui.