Estratégias de promoção, identidade local e diversificação de produtos estão entre as recomendações para fortalecer a presença dos destinos brasileiros nos mercados nacional e internacional
Em um mercado cada vez mais disputado, não basta ter atrativos turísticos. É preciso fazer com que eles sejam conhecidos, desejados e reconhecidos pelos diferentes públicos. Nesse cenário, o marketing turístico ganha espaço como ferramenta estratégica para posicionar destinos, valorizar suas características e ampliar a capacidade de atrair visitantes.
Elaborada no âmbito do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a Agenda do Sistema Comércio, entregue aos presidenciáveis e candidatos nas eleições 2026, reúne recomendações voltadas ao fortalecimento da competitividade dos destinos, à atração de investimentos e ao desenvolvimento econômico e social por meio do turismo.
As propostas incorporam, ainda, as contribuições de entidades nacionais e das 27 Unidades da Federação (UFs), construídas de forma colaborativa durante as oficinas do programa Vai Turismo – Rumo ao Futuro, iniciativa nacional da CNC que promove a participação e a articulação do setor na formulação de propostas de políticas públicas voltadas ao fortalecimento do turismo como vetor de desenvolvimento socioeconômico sustentável no Brasil.
A participação dos estados permitiu identificar demandas e prioridades regionais, dando às recomendações uma perspectiva conectada às diferentes realidades do País.
Entre as propostas de políticas públicas para o turismo está a elaboração de planos de marketing baseados na identidade local, nos diferenciais de cada destino e numa comunicação coerente. A recomendação aparece em 22 Unidades da Federação, e a ideia é fortalecer a presença dos destinos no mercado e aumentar sua atratividade.
Outra frente apontada em 23 UFs é a diversificação e a promoção dos produtos turísticos, com estímulo a segmentos como turismo de negócios, eventos (MICE) e outros nichos estratégicos. A medida busca reduzir os efeitos da sazonalidade e contribuir para maior estabilidade da atividade turística ao longo do ano.
Conhecer o destino para comunicar melhor
A disputa pela atenção dos turistas ocorre num ambiente no qual diferentes destinos competem por visitantes, investimentos e oportunidades de negócios. Por isso, construir uma identidade clara pode fazer diferença na forma como um lugar é percebido.
As recomendações destacam a importância de alinhar a promoção turística às características de cada território, evitando uma comunicação desconectada da realidade local. A estratégia envolve identificar os diferenciais competitivos e transformá-los numa narrativa capaz de apresentar o destino de maneira clara e atrativa.
O avanço das tecnologias também modifica a relação entre destinos e visitantes. Tendências internacionais apontam para o uso de inteligência de dados, segmentação de mercados e personalização da comunicação, recursos que permitem compreender melhor os diferentes perfis de turistas e direcionar as ações de promoção.
Nesse contexto, surge o chamado Turista 5.0, associado a um público mais conectado e a novas formas de buscar informações, escolher destinos e consumir experiências. Para o turismo brasileiro, acompanhar essas mudanças pode ampliar a presença dos destinos nos mercados nacional e internacional.
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Diversificação para reduzir a sazonalidade
A promoção turística também passa pela criação e divulgação de diferentes produtos e experiências. Concentrar a atividade em poucos segmentos ou em períodos específicos do ano pode deixar destinos mais vulneráveis às oscilações da demanda.
Por isso, a Agenda recomenda estimular segmentos como o turismo de negócios e eventos, conhecido pela sigla MICE, além de outros nichos considerados estratégicos. A diversificação pode ampliar as possibilidades de atração de visitantes e distribuir melhor a movimentação turística durante o ano.
A estratégia também contribui para apresentar ao público características que muitas vezes ficam fora da imagem tradicional de um destino. Cultura, gastronomia, negócios, eventos e diferentes experiências podem integrar uma oferta mais ampla e alcançar públicos específicos.
Em todas as regiões do País, o marketing aparece associado a uma agenda mais ampla de aumento da competitividade turística. As recomendações regionais destacam a necessidade de fortalecer a promoção dos destinos com estratégias integradas, capazes de ampliar sua visibilidade, comunicar diferenciais e apoiar a inserção em mercados prioritários.
Em algumas localidades, a promoção está relacionada também a melhoria da conectividade aérea; qualificação da oferta; e mobilidade. A expansão de rotas e a integração regional podem contribuir para reduzir barreiras de acesso e distribuir melhor os fluxos turísticos entre os destinos.
A Agenda inclui ainda a qualificação de profissionais e empreendimentos, especialmente diante de um mercado orientado pela experiência do visitante e pela internacionalização da demanda. Infraestrutura urbana, serviços essenciais e sistemas de circulação também aparecem entre as condições necessárias para o desenvolvimento da atividade.
Nesse cenário, a economia criativa e a diversificação da oferta são apontadas como caminhos para agregar valor aos produtos turísticos, estimular a inovação, reduzir a sazonalidade e diferenciar os destinos.
Marketing integrado a outros eixos
O marketing não atua de forma isolada. As propostas mostram uma relação direta entre promoção, mobilidade e segurança. Um destino precisa ser conhecido e bem posicionado, mas também deve oferecer condições para que o visitante chegue até ele e tenha uma experiência marcada pela confiança.
A mobilidade amplia a conectividade e reduz barreiras de acesso, enquanto a segurança contribui para a confiança dos visitantes e a resiliência dos territórios. A combinação desses fatores cria condições para que as ações de promoção tenham maior alcance e efetividade.
Série apresenta os sete eixos estratégicos mais votados
Esta matéria integra uma série de conteúdos dedicada aos sete eixos estratégicos das propostas e recomendações de políticas públicas para o turismo brasileiro mais votados pelos Estado.
As prioridades para o turismo brasileiro estão organizadas em Acessibilidade, Mobilidade, Criatividade, Inovação, Tecnologia, Marketing e Segurança. Juntos, os eixos reúnem diretrizes para ampliar a competitividade e criar condições para o desenvolvimento sustentável da atividade turística no Brasil.
No eixo Marketing, a proposta central é transformar identidade, diferenciais e conhecimento sobre os públicos em estratégias capazes de dar mais visibilidade aos destinos. A promoção, nesse sentido, deixa de ser apenas divulgação e passa a ocupar um papel importante na forma como o Brasil apresenta seus territórios, produtos e experiências ao mercado.

Construção coletiva para o ciclo 2027-2030
O novo ciclo do Vai Turismo amplia a mobilização iniciada entre 2022 e 2026, reunindo debates para a elaboração colaborativa de recomendações e propostas destinadas aos candidatos e candidatas ao governo federal e aos governos estaduais.
O processo incorporou aprendizados do primeiro ciclo, dados e informações do Painel Vai Turismo e um Banco de Boas Práticas que reúne referências de políticas públicas organizadas pelos nove eixos dos Destinos Turísticos Inteligentes (DTIs): Acessibilidade, Criatividade, Governança, Inovação, Marketing, Mobilidade, Segurança, Sustentabilidade e Tecnologia.
A construção também considerou as prioridades nacionais determinadas pelas lideranças das 32 principais instituições relacionadas ao turismo brasileiro. Nos estados, as prioridades foram determinadas em 55 oficinas que reuniram 1.373 representantes dos setores público e privado e cerca de 830 instituições.
O resultado é uma agenda que busca conectar as diferentes realidades regionais a uma visão estratégica nacional, preservando as características e vocações de cada território e, ao mesmo tempo, favorecendo a convergência de iniciativas.
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