Custo logístico consome 15,5% do PIB, aponta workshop com participação da CNC no TCU

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Evento reuniu representantes do setor para discutir os custos do transporte de cargas e os desafios da infraestrutura logística brasileira

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) participou, em 26 de agosto, do Workshop do Custo Brasil na Logística, promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), em Brasília. O encontro debateu o custo do transporte de cargas e o desempenho da infraestrutura logística no Brasil. A CNC e seu presidente foram representados pelo presidente da Federação Nacional das Empresas de Serviços Aduaneiros e Logística (Feaduaneiros), José Carlos Raposo Barbosa, e pela assessora de Relações Institucionais e Governamentais Graziele Paiva.
Durante a oficina, foram discutidos os impactos das ineficiências logísticas na atividade econômica. O custo logístico total no Brasil corresponde atualmente a cerca de 15,5% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o transporte de cargas, isoladamente, representa entre 9% e 13% do PIB, segundo dados do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) e de órgãos de controle. A forte dependência do modal rodoviário também foi destacada: entre 62% e 86% das cargas do País são movimentadas por rodovias.
Entre os principais fatores associados ao elevado custo do transporte, foi apontada a deficiência da qualidade e da conservação da infraestrutura rodoviária, relacionada à insuficiência de manutenção continuada. Para os empreendedores, esse cenário comprime margens de lucro, encarece insumos e a distribuição e reduz a competitividade dos negócios, com impactos ainda maiores em pequenos empreendedores e regiões periféricas.
Outro ponto discutido foi a elevada exposição do frete ao preço do diesel. De acordo com a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), o combustível representa, em média, 35% do custo operacional das empresas de transporte rodoviário no Brasil, tornando transportadoras e motoristas mais vulneráveis às oscilações do petróleo e do câmbio. Ressalte-se também que o repasse inadequado ou tardio da variação dos custos aos contratos pode gerar defasagem financeira e pressionar o caixa das empresas do setor.
O roubo de cargas e o transporte sem carga também foram debatidos. Os roubos provocam prejuízos financeiros e operacionais, elevam o valor do frete e afetam os motoristas. Já os deslocamentos de veículos sem mercadoria representam custos sem geração de movimentação, elevando o frete por tonelada efetivamente transportada e contribuindo para emissões evitáveis.
Propostas para reduzir o Custo Brasil
No debate, a CNC contribuiu com propostas de redução dos custos logísticos e aumento da eficiência do escoamento da produção nacional. Entre as medidas apresentadas, estão a priorização de investimentos em rodovias, ferrovias, portos e hidrovias, com o objetivo de baratear o frete e melhorar a eficiência da movimentação de cargas.
A Confederação também defendeu maior integração entre os modais, com investimentos em ferrovias e cabotagem para reduzir a dependência do transporte exclusivamente rodoviário e, consequentemente, diminuir os custos de frete para o varejo. Outra frente apontada foi a modernização das concessões, com marcos legais mais atraentes para estimular investimentos privados em estradas, portos e aeroportos, contribuindo para a melhoria do ambiente de negócios e o aumento da competitividade do País.

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