Destaque da edição:
Destaque da edição:
Setor externo: uma breve retrospectiva – O Balanço de Pagamentos (BP) encerrou 2015 com superávit de US$ 10,8 bilhões. Esse resultado reflete relativa melhora nos indicadores do setor externo da economia brasileira. As transações correntes tiveram déficit de US$ 58,9 bilhões, 3,3% do PIB, redução de 44% em relação ao déficit de US$ 104 bilhões de 2014. Em 2015, a Balança Comercial foi positiva, US$ 17,7 bilhões, contrastando com o déficit de quase US$ 6 bilhões de 2014. O superávit do comércio exterior não representa, no entanto, aumento da participação de produtos brasileiros no mercado externo; ao contrário, o volume de comércio do Brasil com o mundo caiu quase 20% na média diária do ano passado, comparativamente a 2014, acumulando US$ 362,6 bilhões, o menor volume observado desde 2010. No ano de 2014, as importações superaram as exportações, ocasionando o saldo negativo que não era observado na balança comercial desde o início do século XXI, e após a mudança no regime de câmbio. No entanto, esse movimento sofreu uma inflexão no ano passado, quando as importações caíram mais do que as exportações. As vendas externas somaram US$ 190,1 bilhões, enquanto as importações, US$ 172,4 bilhões, com variações de -15% e -25%, respectivamente, mesmo com a significativa depreciação da taxa de câmbio (que superou 45%). Assim, diferentemen¬te de 2014, o desempenho da Balança Comercial teve impacto positivo nas transações correntes.
Outras matérias:
Estimativas para o IPCA são reduzidas para 7,46% – No último relatório Focus divulgado pelo Banco Central (11/03), a mediana das expectativas para o IPCA reduziu para 7,46%, após chegar a 7,61% há quatro semanas passadas. Continua bem acima do limite superior da meta de inflação, entretanto abaixo da taxa de 10,67% realizada em 2015 e menor do que a estimativa de 7,62% feita em fevereiro deste ano. A projeção para 2017 permaneceu estável em 6,0%, similar à estimativa de quatro semanas. É a quinta semana consecutiva com esta previsão. No curto prazo, as projeções dos analistas são de 0,54% para março e 0,65% em abril. As cinco instituições que mais acertam – TOP 5 – projetaram IPCA de 0,49% para março e 0,58% para abril, ambos os valores menores do que o esperado pelo mercado. Após a segunda reunião do Copom deste ano, a meta da taxa de juros Selic permaneceu em 14,25%. O mercado espera que o mesmo ocorra na próxima reunião, que será nos dias 26 e 27 de abril, mantendo a taxa estável. Para o resto do ano, a mediana das estimativas da Selic para o fim de 2016 também foi de 14,25%, mantendo-se neste patamar há seis semanas. Já para 2017, a previsão é que a meta da Selic seja de 12,50%, ligeiramente menor do que a taxa de 12,75% esperada há quatro semanas. A estimativa para o crescimento do PIB de 2016 alcançou -3,54%, após o resultado de 2015 mostrar uma retração de 3,8%, de acordo com dados do IBGE. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), série elaborada pelo Banco Central e considerada uma aproximação das Contas nacionais, registrou queda de 0,61% em janeiro contra o mês anterior, dados com ajuste sazonal, e recuo de 8,12% na comparação anual. Apesar de melhor do que o realizado no ano passado, isto demonstra uma piora em relação ao crescimento de 0,1% realizado em 2014. Entretanto, para 2017 já se espera um resultado positivo, com avanço de 0,50% na economia.
Varejo começa 2016 com quedas históricas – Retração inédita de 13,3% no volume de vendas do varejo ampliado e segunda maior queda no varejo restrito (-10,3%) prolongam cenário de crise no comércio. CNC projeta quedas de -4,2% e -8,3%, respectivamente para 2016. As vendas no comércio varejista iniciaram o ano com queda de 10,3% em relação a janeiro de 2015, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) divulgada em 10/03 pelo IBGE. Essa queda nesse tipo de comparação só não foi maior que os -11,3% registrados em março de 2003. Todos os dez segmentos avaliados acusaram variações negati¬vas, fato inédito para um mês de janeiro na série histórica da PMC. No varejo ampliado, que apropria os resultados do comércio automotivo (-18,9%) e das lojas de materiais de construção (-18,5%), o recuo das vendas foi ainda maior (-13,3%) e inédito nesse tipo de comparação, cuja série histórica teve início em 2004. Em termos regionais, pelo sexto mês consecutivo, todas as 27 unidades da Federação registram perdas, com destaque para os estados do Espírito Santo (-26,3%), Amapá (-23,8%) e Sergipe (-22,9%). Dentre os dez ramos avaliados, sobres-saíram as quedas no volume de ven¬das de móveis e eletrodomésticos de (-24,3%) e de equipamentos e materiais de escritório, informática e comunicação (-24,0%). Mais dependentes das condições de crédito, as vendas nesses segmentos têm sido significativamente afetadas pelo aumento das taxas de juros ao consumidor, que, no intervalo avaliado, subiram de 52,0% para 66,1% ao ano.
Projeto inédito de energia solar – Segundo informações do Ministério de Minas e Energia (MME), foi lançado no dia 04 de março do corrente ano, na usina hidrelétrica de Balbina, no Amazonas, o primeiro projeto de exploração de energia solar em lagos de usinas hidrelétricas, com utilização de flutuadores. E no dia 11 do mesmo mês foi lançado o protótipo similar na hidrelétrica de Sobradinho, na Bahia, que é a maior do País em área alagada e a segundo maior em capacidade de arma¬zenamento. A partir das represas dessas hidrelétricas, os painéis flutuantes serão conectados diretamente às subestações de energia das usinas. No lançamento, será apresentado protótipo com cerca de 60 metros quadrados, em funcionamento, permitindo a visualização do sistema. Nas semanas seguintes serão aprofundados os estudos da área dos lagos para a ampliação dos sistemas, que na primeira fase terão capacidade de 1 MWp (1 Megawatt pico, equivalente à geração de 1 MW no momento de maior insolação), com área equivalente a cinco campos de futebol, e posteriormente se-rão ampliados para 5 MWp, com superfície igual à de cinco campos. Os projetos serão realizados com recursos destinados a ações de Pesquisa & Desenvolvimento, com previsão de investimentos de quase R$ 100 milhões (R$ 49,964 milhões da Eletronorte e R$ 49,942 milhões da Chesf), em ações prevista até janeiro de 2019, para gerar 10 MWp de energia elétrica. A escolha das duas usinas deve-se ao fato de es¬tarem em áreas de regimes climáticos diferentes, o que permitirá acompanhar o desempenho dos sistemas sob diversas condições de tempo. Este será o primeiro estudo sobre a ins¬talação de usina solar flutuante no lago de usinas hidrelétricas no mundo. O sistema permite aproveitar as subestações e linhas de transmissão das hidrelétricas e a área sobre a lâmina d’água dos reservatórios, evitando a desapropriação de terras. Projetos similares já foram iniciados em outros países, mas em reservatórios comuns de água, não em hidrelétricas.