No segundo dia (25) da 42ª Abav – Expo Internacional de Turismo, o Sistema CNC-Sesc-Senac levou para a Vila do Saber o debate sobre acessibilidade e a inclusão no turismo, com o estudo de caso de San Luis Potosí, no México. O Estado desenvolve, há cinco anos, políticas públicas que são um exemplo na utilização e no aproveitamento dos serviços turísticos de maneira segura e eficiente para pessoas com algum tipo de deficiência e para idosos.
No segundo dia (25) da 42ª Abav – Expo Internacional de Turismo, o Sistema CNC-Sesc-Senac levou para a Vila do Saber o debate sobre acessibilidade e a inclusão no turismo, com o estudo de caso de San Luis Potosí, no México. O Estado desenvolve, há cinco anos, políticas públicas que são um exemplo na utilização e no aproveitamento dos serviços turísticos de maneira segura e eficiente para pessoas com algum tipo de deficiência e para idosos.
A médica mexicana Verónica Mercadillo Vargas, que coordena o programa de turismo e inclusão da Secretaria de Turismo de San Luis Potosí, foi a palestrante convidada pelo Sesc. Segyundo ela, atualmente existe cerca de um bilhão de pessoas no mundo com algum tipo de deficiência, e lembrou que em 2006 diversos países reunidos pela Organização das Nações Unidas assinaram a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, um tratado internacional que tem a intenção de melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, do qual o Brasil é signatário. Para Verônica, promover a acessibilidade é uma forma de assegurar os direitos humanos. “O que guia a nossa atuação é o objetivo de criar uma sociedade baseada no respeito aos direitos fundamentais das pessoas. Mas as pessoas com deficiência são também um bom nicho de mercado para o turismo”, afirmou.
Um novo nicho de mercado
Segundo Verônica, o gasto médio de um turista com deficiência é de 118 dólares por dia, enquanto o de um viajante sem deficiência é de 69 dólares. Mas para que o empresário aproveite esta oportunidade, precisa estar preparado, com instalações acessíveis e capacitando os funcionários para prestar o atendimento devido. Verônica lembra que outro segmento que é alcançado por essas melhorias é o de idosos, que está em expansão. “Se considerarmos que estas condições de atenção se incorporam de maneira quase automática para o segmento da terceira idade, em notável crescimento, os empresários terão um novo horizonte de negócios em suas mãos”, acrescentou.
O programa de San Luis Potosí oferece condições de autonomia de trânsito e mobilidade física, de comunicação e de interação social para as pessoas com deficiência ou idosos, tudo para garantir que possam desfrutar do lazer e dos atrativos turísticos. O trabalho sensibiliza e capacita os que prestam atendimento, envolvendo desde funcionários públicos a integrantes do trade turístico. Eles também verificam os empreendimentos – hotéis, restaurantes, agencias de viagens, entre outros – e informam as adequações necessárias para tornar o negócio acessível. O programa conta com a consultoria de pessoas com deficiências.
Sentir para ver
Um dos destaques entre as 22 opções de roteiro turístico criados para pessoas com deficiência é o roteiro Sentir para Ver, desenvolvidos por pessoas cegas que trabalham como guias e levam turistas vendados para conhecer os atrativos a partir do toque, do olfato, da audição e do paladar. “Em um percurso de uma hora as pessoas entendem a realidade da cidade de um ponto de vista diferente, são sensibilizadas e vivenciam as dificuldades enfrentadas por estas pessoas. Este é um exemplo de sucesso para nós”, conclui Verônica. O roteiro já está sendo estudado por outros estados mexicanos para ser replicado.