Destaque da edição:
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Custo do crédito ao consumidor atinge novo recorde em junho – As linhas de cartão de crédito e de crédito consignado foram as principais responsáveis pelo crescimento de 13,3% na média diária da concessão de crédito ao consumidor entre junho de 2014 e o mesmo mês do ano passado, de acordo com os dados do relatório mensal divulgados hoje (29/07) pelo Banco Central. Em relação a maio, houve alta de 0,3%, já descontados os efeitos sazonais. O crédito às pessoas físicas voltou a ficar mais caro, atingindo em junho a taxa média de 43,0% ao ano, nível mais alto desde abril de 2009 (43,5% ao ano). Nos últimos doze meses, essa trajetória foi sustentada pelo encarecimento do cheque especial, cuja taxa atual (171,5% ao ano) é 34,7 ponto percentual mais alta que há um ano. Em relação ao mês anterior, também houve crescimento (0,5 ponto percentual), com o encarecimento mais expressivo, novamente, nos juros no cheque especial (+3,0 pontos). Hoje, essa é modalidade de crédito mais cara acompanhada pelo Banco Central. Confirmadas as expectativas de crescimento econômico (+0,9%) e da taxa Selic (11,% ao ano em dezembro), a concessão de recursos aos consumidores deverá apresentar avanço real de 5,5%, e a relação crédito/PIB deve fechar o ano em 57,5%, 3,6 ponto percentual a mais em relação ao ano passado.
Outras matérias:
O problema é a confiança – Dadas as incertezas sobre as atuais condições do desempenho da atividade econômica no Brasil, é de se relevar a importância dos indicadores que refletem a confiança dos consumidores e dos empresários. Em um cenário de extrema incerteza, como o atual, nos quais são constantes as percepções pessimistas quanto ao futuro, às informações acerca dos índices de confiança das famílias e dos empresários tornam-se cada vez mais relevantes. Na ótica do consumo, as vendas no varejo se mantêm em um ritmo relativamente moderado, mas os fundamentos também levam a desaceleração. Crescimento mais lento da massa real de salários, menor nível da confiança dos consumidores, aumento das taxas de juros reais e crescimento mais devagar do crédito são compatíveis com um desempenho mais devagar de expansão do varejo. Não há espaço para uma diminuição da taxa de juros Selic em um ambiente em que a inflação está no teto da meta estipulada pela autoridade monetária. E, receoso com as demissões no setor industrial e o baixíssimo crescimento da atividade, o governo implementou essas medidas, a fim de estimular o consumo e o investimento de alguma forma. No entanto, conforme todos os indicadores demonstram, há um problema de baixa confiança que se configura num entrave para que as medidas possam ter os efeitos desejados.
Indústria recua 0,6% nos últimos 12 meses – Segundo os últimos dados disponibilizados pelo IBGE, a produção industrial reduziu 1,4% em junho, a queda mais intensa ao longo deste ano. Nos primeiros meses houve aumento de 2,4% em janeiro e estabilidade em fevereiro, entretanto, nos meses seguintes houve apenas queda, -0,7% em março, -0,5% em abril e -0,8% em maio, em comparação com o mês imediatamente anterior, dados com ajuste sazonal. A indústria extrativa cresceu 0,3%, o quarto resultado positivo consecutivo. Enquanto a de transformação recuou 1,8%, sendo o quarto resultado negativo consecutivo. Houve retração em todas as categorias de uso analisadas. Bens de capital foi o maior destaque, com recuo de 9,7%. O subitem Bens de consumo duráveis mostrou queda de 24,9%. Na comparação com junho de 2013, houve uma queda de 6,9%, continuando a tendência negativa observada em dezembro de 2013, sendo esta a taxa mais negativa do período. Assim como na análise anterior, a indústria de transformação, com recuo de 8,1%, foi a principal influência, sendo que a indústria extrativa acelerou 2,9%. Em ambos os casos, houve continuidade de suas tendências. As categorias de uso seguiram movimento similar ao observado na comparação anterior, com Bens de capital mostrando resultado negativo (-21,1%), assim como Bens de consumo duráveis (-34,3%).
A difícil licitação dos portos – A Lei nº 12.815/2013, conhecida como a Nova Lei dos Portos, não conseguiu, até o momento, induzir qualquer novo investimento privado para a ampliação e modernização do setor, que se constitui em um de seus objetivos. O processo de licitações para arrendamento e exploração de áreas nos portos organizados – que experimentou importantes mudanças de critérios, sendo a principal o fim do pagamento da taxa de outorga – ainda não produziu qualquer avanço concreto. Atualmente, o governo já trabalha com o mês de outubro como meta para lançar a primeira licitação cuja previsão monta a investimentos de R$ 5,5 bilhões nos próximos 25 anos. No entanto, existem outros complicadores que podem atrasar ainda mais o processo: alguns dos atuais operadores dos terminais que o governo pretende levar à concorrência têm liminares que garantem sua permanência no terminal.
A LC nº 147/2014 – No dia 7 de agosto, o Brasil deu um passo largo no sentido alavancar seu processo de desenvolvimento. Em cerimônia no Palácio do Planalto, com mais de mil convidados, entre representantes do segmento de empresas de menor porte, políticos, categorias profissionais, membros do Sebrae, OAB e outros, a presidente Dilma sancionou a Lei Complementar nº 147/2014. A nova LC revisa profundamente a LC nº 123/2006, conhecida como Lei Geral das MPEs, depois de sete anos de vigência. Para tanto, traz avanços que poderão dar impulso aos negócios no país. A lei foi elaborada perpassando por um processo de construção que envolveu a sociedade organizada e o interesse do Legislativo. O amadurecimento do Projeto de Lei contou com a criação de uma comissão especial da Câmara, exatamente para colher sugestões e apresentar propostas. Noutra etapa, o esforço foi da SMPE. Faltando apenas sete estados, o ministro Afif Domingos já visitou os outros 20, numa espécie de caravana, buscando conscientizar empresários, governos, secretários, juntas comerciais, fiscais, auditores, órgãos e gestores públicos para a importância de superar barreiras em favor de temas como simplificação, desburocratização e facilitação de procedimentos e processos. O objetivo foi e será o de sensibilizar estes atores, desfraldando a bandeira das MPEs hasteada no Artigo 179 da Constituição Federal.