O presidente da Comissão Especial da Reforma Política, deputado Almeida Lima (PMDB-SE), provocou indignação entre diversos integrantes do colegiado ao afirmar, na terça-feira (31), que os parlamentares não têm condições de votar alguns temas relativos à reforma política por, supostamente, priorizarem interesses pessoais em detrimento dos coletivos. A declaração de Lima foi referente à definição do sistema eleitoral a ser adotado no Brasil.
O presidente da Comissão Especial da Reforma Política, deputado Almeida Lima (PMDB-SE), provocou indignação entre diversos integrantes do colegiado ao afirmar, na terça-feira (31), que os parlamentares não têm condições de votar alguns temas relativos à reforma política por, supostamente, priorizarem interesses pessoais em detrimento dos coletivos. A declaração de Lima foi referente à definição do sistema eleitoral a ser adotado no Brasil.
“Aqui, nós só deliberamos de acordo com nossos interesses pessoais. Eu não me sinto em condições de decidir, por exemplo, [sobre] sistema eleitoral. Eu não me sinto com legitimidade, porque eu não irei aqui deliberar contra os meus interesses de ordem pessoal. Isso é a lei da sobrevivência, que é natural, exercida pelos humanos, pelos animais e pelas plantas”, afirmou.
Depois da reunião, Almeida Lima acrescentou que também não vê legitimidade em uma eventual decisão do Congresso de se estabelecer o financiamento público exclusivo de campanha política. Para o deputado, esses assuntos devem ser decididos por meio de plebiscito.
Reações
O deputado Marcelo Castro (PMDB-PI) foi um dos que mais demonstraram indignação e classificou como “palhaçada” a declaração de seu colega de partido. “Como é que o presidente diz que não temos condições de votar o sistema eleitoral, porque vamos votar sem pensar na sociedade? Pode dizer por ele, mas não por mim e por muitos outros que não pensam assim”, declarou.
O deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ) chegou a sugerir que Lima deixasse o cargo de presidente do colegiado. “Esses empecilhos colocados pelo presidente tiram o sentido da comissão”, afirmou. A deputada Erika Kokay (PT-DF) se disse “ofendida” e acusou o deputado de Sergipe de “reduzir a atuação parlamentar a interesses pessoais e particulares”.
Não foi a primeira vez que a atuação de Lima gerou críticas entre alguns parlamentares, que consideram sua atuação pouco neutra para os andamentos do trabalho. Mas a reação de hoje foi a mais forte e ocorreu a poucas semanas da apresentação do relatório elaborado pelo deputado Henrique Fontana (PT-RS), previsto para o dia 21 de junho.
A reunião, acompanhada pelo Assessor Legislativo da CNC, Ênio Zampieri, tinha o propósito de debater cláusula de barreira, fusão ou criação de partidos políticos e federação de partidos.