A voz das ruas
As manifestações multitudinárias que marcaram as últimas semanas no País preocupam, porque mostram um descompasso entre as expectativas da sociedade e a capacidade de entender (e atender) estas demandas por parte, principalmente, do setor político.
A voz das ruas
As manifestações multitudinárias que marcaram as últimas semanas no País preocupam, porque mostram um descompasso entre as expectativas da sociedade e a capacidade de entender (e atender) estas demandas por parte, principalmente, do setor político.
Mas, ao deixar claro o seu descontentamento, aqueles que foram às ruas de forma pacífica – sem se misturar com os que optaram pelo tumulto e pela violência como formas ilegítimas de se manifestar –, proporcionaram o elemento que faltava para reflexões e ações que permitam ao Brasil avançar.
A CNC Notícias foi ouvir duas importantes referências da história recente do nosso país, com passagens destacadas no governo e no Congresso, para entender melhor o que se passa e as lições que podemos tirar deste marcante período que estamos vivendo.
Ernane Galvêas, ministro da Fazenda de 1980 a 1985, e Bernardo Cabral, relator da Constituinte de 1988, ambos consultores da Presidência da CNC, avaliam que o momento é grave e exige uma postura firme e serena, para que as necessárias respostas não
resultem em ações precipitadas ou desvirtuadas. Como as propostas de convocação de uma constituinte exclusiva para a reforma política, que, na avaliação de Bernardo Cabral, são uma violência contra a Constituição.
Liderança e serenidade são dois elementos fundamentais para que o País possa transformar a energia que emanou das ruas em atitudes e ações efetivas, construtivas, balizadas pelo arcabouço jurídico e institucional que garante o Estado de Direito, com respeito aos contratos e às regras do jogo democrático.
Se o País avançou de forma expressiva nos últimos 15 anos – e isso é um consenso –, ainda há muito a fazer. Mesmo porque, como mostraram as recentes manifestações, os avanços geram novas demandas e outros níveis de satisfação.
É preciso apenas saber interpretar o que diz a voz das ruas.
Boa leitura.