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São Paulo 470: o que queremos dela (e para ela)?

Por Abram Szajman*

Se o Brasil é o país das oportunidades, São Paulo é um dos lugares mais propícios para concretizá-las. Meus pais, por exemplo, vieram da Polônia e se instalaram no Bom Retiro, bairro em que nasci no fim dos anos 1930 e que, primeiro, abrigou a colônia italiana; depois, a comunidade judaica; e, atualmente, imigrantes sul-coreanos e bolivianos. Em outras regiões da cidade, juntaram-se a eles, japoneses, árabes e, mais recentemente, outras origens.

Cresci respirando essa atmosfera plural, que permitiu o desenvolvimento de todas as atividades produtivas cujo resultado está numa metrópole generosa. Esse progresso, contudo, cobrou o seu preço. Hoje, os problemas estruturais da cidade espelham os mesmos do Brasil. Violência urbana, infraestrutura defasada, má gestão dos efeitos das mudanças climáticas, insegurança jurídica e burocracia excessiva são entraves que afugentam investimentos e atormentam o cotidiano do paulistano. A qualidade de vida piorou.

É um cenário preocupante para uma cidade que tem um mercado de trabalho maior do que todos os Estados brasileiros, exceto do próprio Estado São Paulo, da qual é capital, com 4,7 milhões de empregos formais, e cujo Produto Interno Bruto (PIB) — de quase R$ 1 trilhão — só é menor que o do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e, da mesma forma, do próprio Estado.

Por essa razão, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) tem exercido ativamente o seu papel de sugerir melhorias e cobrá-las das autoridades a fim de tornar o ambiente de negócios mais promissor e, com isso, trilhar uma rota de crescimento e produtividade. Defendemos e seguiremos atuando pela modernização do Estado brasileiro.

Tomemos como exemplo a segurança pública, que vive uma grave crise. Vimos muitos estabelecimentos fechando as portas ou recorrendo a meios de proteção particular para se protegerem da violência. Tudo isso na metrópole cujo varejo fatura R$ 1 bilhão por dia, reunindo mais de 10% dos empreendimentos dos setores de Comércio e Serviços de todo o Brasil. Temos levado ao Poder Público uma agenda de inteligência para a identificação dos logradouros mais suscetíveis a práticas de ilicitudes, assim como pedimos reforço do patrulhamento preventivo e um trabalho mais robusto de investigação do crime organizado.

Se São Paulo espelha o Brasil, então é preciso pensar em uma reforma estatal que atravesse os três níveis de governo. A cidade, tal qual o País, precisa de uma máquina pública mais eficiente, menos custosa e mais moderna. Enquanto isso não acontece, nós, empresários, vamos seguir resilientes — porque é isso que mantém o sucesso econômico em meio às adversidades. A propósito, neste marco de 470 anos, vamos trabalhar para qualificar o debate nas eleições municipais que se aproximam. São Paulo precisa de paz e boas iniciativas para prosperar.

*Abram Szajman é presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP).
Artigo originalmente publicado no jornal Folha de S. Paulo em 25 de janeiro de 2024.

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