Microsoft defende qualificação e transformação organizacional para ampliar ganhos com IA no Tech Day 2026

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Encerrando a programação do evento da CNC, Guilherme Araújo explicou que a competitividade depende da combinação entre tecnologia, capacitação e colaboração em escala

A inteligência artificial já deixou de ser uma ferramenta experimental para se tornar um elemento estratégico da competitividade das organizações. A avaliação foi feita por Guilherme Araújo, vice-presidente de Vendas da Microsoft, na palestra de encerramento do Tech Day 2026, promovido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), na terça-feira (14), no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Com o tema IA, produtividade e o futuro do trabalho, o executivo apresentou os impactos da tecnologia nas empresas, no mercado de trabalho e no desenvolvimento econômico do País.

Ao abrir a apresentação, Araújo destacou a parceria entre a Microsoft e o Sistema CNC-Sesc-Senac e defendeu que o debate sobre inteligência artificial deve ir além do aumento da produtividade individual.

“A ideia não é falar como a IA vai transformar o nosso trabalho ou como ela vai nos tornar mais produtivos, mas como nós vamos usar a IA para transformar o nosso trabalho em algo capaz de tornar o Brasil mais competitivo”, frisou.

Um dos conceitos centrais da palestra foi o de “empresas de fronteira”, denominação adotada pela Microsoft para definir organizações que não utilizam a inteligência artificial apenas em testes ou projetos isolados, mas a colocam no centro de suas estratégias, processos e modelos de negócio. Segundo o executivo, essa transformação exige mudanças que vão além da tecnologia.

“Não estamos falando de tecnologia. Estamos falando de uma mudança cultural, de uma mudança organizacional. É uma transformação muito mais profunda que as empresas precisam viver”, salientou.

De acordo com dados apresentados pela Microsoft, apenas 16% dos profissionais podiam ser classificados, em 2025, como usuários avançados da tecnologia. A edição de 2026 do estudo mostra uma evolução significativa na maturidade das organizações e na adoção da IA. Segundo Araújo, também mudou a percepção dos trabalhadores sobre a tecnologia.

“Em 2025, o receio dos profissionais ainda era: ‘a IA vai me substituir’. Em 2026, o receio desse mesmo profissional é: ‘se eu não aprender a usar a IA, eu vou ficar para trás’”, disse. E completou: “Não é sobre ser substituído. É sobre pertencimento. É sobre como você usa a tecnologia para ampliar a capacidade humana. E, para a Microsoft, o ser humano está no centro disso tudo.”

Prontidão organizacional

Ao apresentar dados da pesquisa global da Microsoft, o executivo enfatizou que a adoção da IA já gera impactos concretos nas organizações. Segundo o levantamento, 58% dos usuários afirmam estar produzindo trabalhos que não conseguiriam realizar há um ano, enquanto 62% das empresas já experimentam iniciativas de inteligência artificial de forma transversal.

Para Araújo, o principal fator de sucesso não é a tecnologia em si, mas a capacidade das organizações de se prepararem para utilizá-la.

“Outro dado importante é que 67% dessas empresas disseram que o impacto real da IA não vem da tecnologia. Vem da prontidão organizacional para receber a tecnologia”, reforçou.

Entre os pilares da transformação com IA apresentados pela Microsoft estão a capacitação dos colaboradores, o redesenho de processos de negócio, a melhoria da experiência dos clientes e o estímulo à inovação em toda a cadeia de valor.

Saiba mais: Tech Day 2026 reúne gigantes da tecnologia para debater o futuro dos negócios – Portal do Comércio

Investimento e governança

Araújo também mostrou o volume crescente de investimentos em infraestrutura tecnológica para suportar o avanço da inteligência artificial. “Em 2026, vamos chegar a US$ 1 trilhão em investimentos em datacenters. Isso não foi em 100 anos, foi em seis anos”, esclareceu.

Segundo ele, somente a Microsoft investiu US$ 200 bilhões nos últimos 24 meses e continuará ampliando os aportes na área. O executivo alertou ainda que a estratégia das empresas não deve ser esperar uma redução de custos para iniciar a adoção da IA. A recomendação, segundo ele, é focar na governança e no uso racional da tecnologia.

A apresentação trouxe também o conceito de ciclo contínuo de aprendizado, baseado na combinação entre inteligência humana e capacidade computacional. Nesse modelo, quanto maior o uso da tecnologia, maior a geração de conhecimento, produtividade e inovação. Para que esse processo produza resultados sustentáveis, a Microsoft destaca cinco elementos: controle, capacidade de aprimorar modelos, liberdade de escolha entre diferentes soluções, gestão de custos e avaliação permanente dos resultados.

Impacto em escala

Ao encerrar a palestra, Guilherme Araújo reforçou a importância da colaboração entre empresas, entidades e instituições de ensino para ampliar os benefícios da transformação digital.

“Ao final, quando a gente olha o que está tentando fazer junto com a CNC, o Sesc e o Senac, vemos três grandes elementos: tecnologia em escala, capacitação em escala e colaboração em escala para conseguir impactar não somente empresas, mas todo o povo brasileiro.”

Encerrando a programação do Tech Day 2026, a palestra reforçou a visão de que a inteligência artificial representa uma oportunidade para ampliar a produtividade, acelerar a inovação e fortalecer a competitividade do setor produtivo. Nesse contexto, qualificação profissional, adaptação organizacional e uso estratégico da tecnologia surgem como fatores decisivos para que empresas e trabalhadores aproveitem plenamente os ganhos da nova economia digital.

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