Lançamento da Agenda Conectar, iniciativa do governo federal, aposta na ampliação do acesso ao transporte aéreo e na redução de custos para impulsionar turismo, comércio e integração nacional
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) participou, nesta terça-feira (24), do lançamento da Agenda Conectar, política de Estado apresentada pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) com o objetivo de expandir a conectividade aérea no Brasil de forma sustentável e inclusiva. A entidade atuou como apoiadora da iniciativa e destacou seu papel na construção de políticas públicas voltadas à competitividade do setor produtivo.
Representando o Sistema CNC-Sesc-Senac, o vice-presidente da Fecomércio-AM, Paulo Tadros, ressaltou o papel estratégico da conectividade aérea para um país de dimensões continentais. “Falar de conectividade aérea é falar de desenvolvimento. É falar de integração nacional, de redução de distâncias, de geração de oportunidades e, sobretudo, de fortalecimento do turismo como vetor econômico essencial para o Brasil”, afirmou.
Segundo Tadros, uma malha aérea eficiente, acessível e competitiva é fundamental para garantir o desenvolvimento regional. “Sem conectividade, destinos ficam isolados, investimentos são desestimulados e milhões de brasileiros deixam de ter acesso às oportunidades que o turismo pode proporcionar”, pontuou.
Ele enfatizou ainda que a Agenda Conectar representa um marco ao reunir propostas concretas para enfrentar desafios históricos do setor, como os altos custos operacionais, a carga tributária elevada, a necessidade de modernização da infraestrutura aeroportuária e o aprimoramento do ambiente regulatório.
O evento reuniu o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, além de lideranças da aviação civil e representantes das entidades que contribuíram para a formulação do programa. A proposta busca ampliar o acesso ao transporte de passageiros e cargas, fortalecer o ambiente de negócios e estimular investimentos em toda a cadeia do setor.

Competitividade e redução de custos
Estruturada em três eixos, incentivo à concorrência, redução de custos operacionais e fortalecimento da segurança jurídica, a Agenda Conectar busca criar um ambiente mais dinâmico e previsível para o setor aéreo. Para a CNC, esses pilares são fundamentais para ampliar a oferta de voos, diversificar rotas e estimular a entrada de novos operadores.
“A conectividade aérea impacta diretamente toda a cadeia produtiva do turismo, do transporte à hotelaria, passando pela alimentação, comércio e serviços. Por isso, é uma das pautas prioritárias da CNC”, destacou Tadros.
O governo federal informou que o Brasil alcançou a marca de 130 milhões de passageiros em 2025, mas ainda há espaço para crescimento. Nesse contexto, a Confederação avalia que a redução do chamado “Custo Brasil” e a simplificação de processos são essenciais para tornar o transporte aéreo mais acessível e competitivo.
Integração regional e olhar para a Amazônia
A ampliação da conectividade regional também foi apontada como prioridade. Tadros defendeu o fortalecimento da aviação regional e a diversificação de rotas, especialmente para destinos menos atendidos.
Ele chamou atenção para a necessidade de um olhar estratégico para a Amazônia. “A carência de conectividade aérea na região inviabiliza a mobilidade, impacta a qualidade de vida da população e limita o desenvolvimento. É imperativo criar um hub que conecte a região aos demais estados brasileiros e a destinos internacionais. É preciso integrar para não entregar”, afirmou.
Além disso, o representante da CNC destacou a importância da conectividade internacional para ampliar a competitividade do Brasil e facilitar a chegada de turistas estrangeiros.
Parceria para impulsionar o setor
A Agenda Conectar foi construída com a participação de órgãos públicos, setor produtivo, academia e empresas ligadas à aviação, infraestrutura, turismo e indústria aeronáutica, consolidando uma agenda conjunta para o desenvolvimento do setor nas próximas décadas.
Para a CNC, a iniciativa representa um avanço na articulação entre governo e iniciativa privada. “Esta não é uma agenda passageira, é um legado de competitividade. A CNC se coloca como parceira permanente para garantir que essas medidas se transformem em passagens mais acessíveis, fretes mais competitivos e um ambiente de negócios seguro para quem investe no Brasil”, concluiu Tadros.
A expectativa é que a Agenda Conectar contribua para consolidar a aviação civil como um dos principais vetores de desenvolvimento econômico e integração nacional, ampliando o acesso da população ao transporte aéreo e fortalecendo o turismo em todo o País.
Diagnóstico sobre aviação regional
Em abril do ano passado, a CNC, por meio do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur), apresentou ao governo federal um diagnóstico detalhado sobre a aviação regional no Brasil, elaborado a partir de estudos próprios e de demandas encaminhadas por representantes estaduais do turismo. O documento aponta entraves estruturais que continuam a limitar o desenvolvimento do setor.
Entre os principais problemas identificados estão: infraestrutura aeroportuária precária, especialmente em regiões remotas; alto custo do querosene de aviação (QAV); ausência de incentivos fiscais estaduais e federais; taxas aeroportuárias elevadas; tarifas aéreas acima da média internacional; e baixa oferta de voos para a Amazônia Legal, dificultando a integração regional.
Segundo o diagnóstico entregue ao governo, o maior obstáculo para a expansão da aviação regional é o custo operacional desproporcionalmente alto enfrentado por empresas de menor porte. Em áreas afastadas dos grandes centros, o preço do combustível é ainda mais elevado, inviabilizando a operação regular e constante de voos, fator que afeta diretamente a mobilidade de moradores e turistas, além de impactar o desenvolvimento econômico regional.