Encontro durante a ABAV Expo 2026, em São Paulo, colocou em pauta ações para ampliar a atração de turistas, fortalecer destinos e preparar empresas para as mudanças no sistema tributário
A reunião de membros efetivos do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), realizada nesta quinta-feira (1º), durante a ABAV Expo 2026, em São Paulo, reuniu representantes de diferentes segmentos do turismo em torno de temas estratégicos para o setor. A agenda incluiu a preparação do Brasil para a Copa do Mundo Feminina de 2027, as estratégias de promoção internacional do País, os resultados do programa Vai Turismo – Rumo ao Futuro e os impactos da reforma tributária nas atividades turísticas.
Na abertura, o diretor da CNC responsável pelo Cetur, Alexandre Sampaio, destacou a importância da articulação entre as entidades empresariais e os órgãos públicos para levar as demandas do setor às instâncias responsáveis pela formulação e gestão das políticas de turismo. Ele também ressaltou a participação de representantes de diferentes segmentos na reunião e a necessidade de dar encaminhamento às contribuições apresentadas pelo setor produtivo.
A presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV), Ana Carolina Medeiros, deu as boas-vindas aos participantes e destacou a relevância da reunião dentro da programação da ABAV Expo. Segundo ela, a articulação entre os diferentes segmentos é fundamental para construir consensos e avançar em pautas de interesse comum do turismo brasileiro.

Turismo internacional
Ainda na abertura do encontro, o presidente da Embratur, Bruno Reis, destacou a importância do trabalho integrado entre as instituições para ampliar os resultados do turismo internacional. Segundo ele, a geração de receita com os visitantes internacionais vem crescendo e o setor deve também dedicar atenção à estruturação e qualificação dos receptivos internacionais.
Reis também anunciou as comemorações dos 60 anos da Embratur, previstas para os dias 17, 18 e 19 de novembro, em Brasília, incluindo uma sessão solene no Congresso Nacional. O presidente da Embratur ainda convidou os participantes a acompanhar as iniciativas de preparação para a Copa de 2027.
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Copa de 2027 como oportunidade para o turismo
A preparação do Brasil para a Copa do Mundo Feminina de 2027 foi um dos principais assuntos da reunião. Caroline Folgueira, coordenadora-geral de Grupos Temáticos do Ministério do Esporte, apresentou as ações previstas para o evento, que será realizado de 24 de junho a 25 de julho de 2027, em oito cidades-sede.
A estratégia envolve órgãos federais e 52 ministérios e contempla medidas voltadas à experiência dos visitantes, à segurança e à mobilidade. No turismo, estão previstas ações para atrair visitantes nacionais e internacionais, estimular o turismo regional e movimentar as economias locais.
Entre as iniciativas apresentadas estão a simplificação eletrônica de vistos para portadores de ingressos, capacitação do setor de hospitalidade, fluxos dedicados nos aeroportos e planejamento do FIFA Fan Festival. A apresentação estima impacto de R$ 8,8 bilhões nas cadeias de hospitalidade e turismo.
Na sequência, Marjorie Mynssen, coordenadora de Gestão Estratégica da Embratur, apresentou o planejamento de promoção internacional relacionado ao Mundial. A estratégia prioriza mercados como América Latina, Estados Unidos, Europa, China, Austrália e Nova Zelândia, aproveitando também o ciclo da Copa do Mundo Masculina de 2026 para ampliar a exposição do Brasil.
Entre as ações estão campanhas digitais, press trips, participação em feiras internacionais e iniciativas com influenciadores, tendo como foco as oito cidades-sedes. Na América Latina, a Embratur pretende explorar a proximidade geográfica, a conexão cultural com o futebol e a conectividade aérea para estimular a vinda de turistas ao Brasil.
Vai Turismo transforma demandas em propostas
Outro destaque da reunião foi a apresentação dos resultados do Vai Turismo – Rumo ao Futuro, conduzido pela CNC em parceria com a GKS Inteligência Territorial. O programa mobilizou 1.373 participantes de cerca de 830 instituições e realizou 28 oficinas nas cinco regiões brasileiras, envolvendo as 27 unidades da Federação.
O processo resultou em 735 propostas, com recomendações elaboradas para cada estado e consolidadas em documentos estaduais e nacional. Entre os temas mais recorrentes nas discussões estiveram governança, marketing turístico e segurança, além de questões relacionadas à conectividade aérea, redução da sazonalidade, integração territorial e adaptação às mudanças climáticas.
A avaliação dos participantes nas oficinas propositivas também registrou índices elevados de satisfação com a iniciativa do Cetur. A qualidade do material de apoio recebeu nota média de 4,85, em uma escala de cinco pontos, enquanto objetividade e utilidade dos encontros alcançaram 4,83.
A próxima etapa do Vai Turismo prevê o acompanhamento das propostas e a articulação com gestores públicos para estimular a transformação das recomendações em ações voltadas ao desenvolvimento do turismo.
Reforma tributária exige adaptação do setor
Os impactos da reforma tributária também estiveram na pauta da reunião do Cetur. A assessora jurídica da Fecomercio-SP, Sarina Manata, apresentou as principais mudanças para as empresas do turismo, com destaque para a implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
Manata falou sobre os regimes específicos previstos para atividades como hotelaria, agências de viagens, bares e restaurantes e parques temáticos. Para esses segmentos, a legislação estabelece redução de 40% nas alíquotas do IBS e da CBS em relação à alíquota padrão.
No caso das agências de turismo, a base de cálculo deverá considerar a receita efetivamente auferida, com possibilidade de dedução de valores repassados a fornecedores intermediados. A apresentação também tratou das regras aplicáveis à hotelaria e da implementação gradual do split payment, sistema que prevê o recolhimento automático dos tributos no momento do pagamento.
Segundo a especialista, 2026 será marcado por testes e adaptação ao novo modelo. A mudança exigirá atenção das empresas aos sistemas de gestão, documentos fiscais, aproveitamento de créditos e demais obrigações acessórias.
O encontro também contou com a participação de Fábio Krieger Lopes, do Sebrae, que destacou a parceria da instituição com entidades do turismo e a aproximação com o Sistema CNC-Sesc-Senac.
Fotos: Tata Barreto