CBCEX debate oportunidades para ampliar comércio e investimentos entre Brasil e Argentina

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Além das oportunidades de negócios, a reunião apresentou avanços na agenda legislativa e em iniciativas voltadas ao fortalecimento da competitividade e do comércio exterior brasileiro

A Câmara Brasileira do Comércio Exterior (CBCEX), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), realizou, na segunda-feira (21), em Brasília, reunião dedicada às relações econômicas entre Brasil e Argentina, às oportunidades de investimentos no Mercosul e à agenda legislativa que impacta o comércio exterior brasileiro. O encontro reuniu representantes do setor produtivo e da Embaixada da Argentina, além de especialistas da CNC, para debater temas relacionados à competitividade, à integração regional e ao ambiente de negócios.

Os trabalhos foram conduzidos pelo coordenador da CBCEX, diretor da CNC e vice-presidente da Fecomércio-SP, Rubens Medrano, com mediação da gerente da Assessoria das Câmaras Brasileiras do Comércio e Serviços da CNC (ACBCS), Andrea Marins.

Na abertura, Medrano ressaltou o papel da Câmara na articulação de pautas estratégicas para o setor produtivo, tanto no acompanhamento de temas legislativos quanto na promoção do diálogo com parceiros internacionais.

Segundo ele, o cenário global de instabilidade geopolítica e econômica tem exigido maior atenção das entidades empresariais e dos governos para fortalecer cadeias produtivas e ampliar oportunidades comerciais. “O Mercosul tem procurado diversificar os seus acordos comerciais. Mas também precisamos olhar para o fortalecimento do comércio regional. O Brasil tem defendido o bloco porque o comércio internacional é feito entre vizinhos”, afirmou.

Ao dar as boas-vindas aos integrantes da CBCEX, o 2º vice-presidente da CNC e coordenador das câmaras da Confederação, Luiz Carlos Bohn, reforçou o papel desses colegiados na construção de propostas para o setor produtivo. “O funcionamento das câmaras é muito importante na medida em que nós aqui aprofundamos os assuntos de cada setor e procuramos encontrar as melhores soluções possíveis”, esclareceu.

Fortalecimento da relação bilateral

Representando a Embaixada da Argentina, a ministra encarregada de Negócios, Maria Emília Cortés López, destacou a importância da integração entre os países do Mercosul e do fortalecimento das relações comerciais e dos investimentos entre Brasil e Argentina.

Ela enfatizou o papel das entidades empresariais na aproximação entre empreendedores dos dois países e na disseminação de informações que contribuam para a realização de negócios.

Incentivos a investimentos e integração produtiva

Na apresentação da Seção Econômico-Comercial da Embaixada da Argentina, Patrício Violini e José Viceconte apresentaram medidas adotadas pelo governo argentino para estimular investimentos e ampliar a competitividade da economia, especialmente o Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (Rigi).

Entre os temas abordados, além do Rigi, destacaram-se o equilíbrio fiscal, o controle da inflação, a simplificação de procedimentos administrativos e a redução de barreiras ao comércio.

Violini destacou que a relação econômica entre Brasil e Argentina constitui um dos principais exemplos de integração produtiva da região, especialmente no setor automotivo, responsável por aproximadamente metade do comércio bilateral.

Os representantes argentinos também apresentaram oportunidades em setores estratégicos, como agronegócio, mineração, energia, gás natural, fertilizantes, turismo e tecnologia agrícola.

Agronegócio, energia e turismo

Entre os destaques da apresentação, esteve o potencial de cooperação em agrotecnologia (Agtech), bioinsumos, fertilizantes e gás natural. Os representantes da Embaixada apontaram oportunidades de investimentos relacionados à exploração de recursos minerais, ao fornecimento de potássio para fertilizantes e à expansão da infraestrutura energética.

Também foram frisadas as perspectivas de crescimento do turismo bilateral e da conectividade aérea entre os dois países.

Durante o debate, dirigentes das Federações do Comércio relataram iniciativas para ampliar voos internacionais e fortalecer missões empresariais voltadas à prospecção de negócios e à atração de investimentos.

Missões empresariais e internacionalização

A programação da reunião da CBCEX também contou com a apresentação de Felipe Freire de Oliveira, da Fecomércio-PE, sobre as missões empresariais internacionais promovidas pela Federação.

A iniciativa tem como objetivo aproximar empresários de mercados estratégicos por meio de visitas técnicas, rodadas de negócios, feiras internacionais e encontros institucionais.

Segundo Oliveira, as missões contribuem para o processo de internacionalização das empresas e para a disseminação de conhecimento em áreas como inovação, tecnologia e gestão.

“O nosso principal objetivo é disseminar essas informações e compartilhar com os empresários do Estado tudo o que aprendemos nessas experiências internacionais”, explicou.

Agenda legislativa e comércio exterior

A reunião também trouxe atualizações a respeito das principais pautas acompanhadas pela Diretoria de Relações Institucionais e Governamentais (Drig) da CNC no Congresso Nacional e no Poder Executivo.

Os assessores Jenifer Freitas e Gustavo de Castro apresentaram o cenário legislativo em ano eleitoral e destacaram propostas com impacto direto na competitividade das empresas brasileiras e no comércio exterior. Segundo Jenifer, as discussões sobre inserção internacional do País ganharam espaço no debate político. “Temos observado que temas ligados ao comércio exterior e ao posicionamento do Brasil no cenário internacional passaram a fazer parte dos debates eleitorais de forma mais intensa neste ano”, afirmou.

Entre os temas discutidos, estiveram a ampliação das linhas de crédito do Plano Brasil Soberano, que passou a contemplar setores como agronegócio, pecuária, pesca, silvicultura e mineração, além da discussão sobre a Lei nº 15.501, de 2026, sancionada em setembro, que autoriza o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a constituir novas subsidiárias para ampliar sua capacidade de atuação.

Outro destaque foi o acordo de liberalização aérea conhecido como Céu Único Sul-Americano, firmado entre Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile e Bolívia. A iniciativa busca ampliar a integração regional, aumentar a oferta de voos e fortalecer o transporte de cargas e passageiros na região.

Ao comentar os impactos da medida para o setor produtivo, Gustavo explicou que a ampliação da conectividade aérea favorece diretamente as atividades econômicas. “A aviação movimenta cargas de alto valor, como medicamentos e maquinário, além de pessoas. Quanto mais voos a gente tem, mais oferta de transporte de cargas existe, o que beneficia a integração regional e o comércio exterior”, completou.

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