Câmaras da CNC iniciam 2026 com foco em integração, inovação e fortalecimento setorial

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Reunião de coordenadores destacou resultados expressivos de 2025, metas e desafios prioritários para o comércio, serviços e turismo ao longo deste ano

As Câmaras Brasileiras do Comércio e Serviços da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) abriram oficialmente o calendário de 2026 nesta quinta-feira (26), em Brasília. Durante a reunião de coordenadores foram apresentados os avanços institucionais obtidos no último ano, as prioridades para o novo ciclo e uma ampla análise dos desafios enfrentados pelos segmentos representados.

O 2º vice-presidente da CNC, coordenador das Câmaras da Confederação e presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, enfatizou a importância da atuação integrada e da escuta ativa: “Nosso objetivo é garantir espaço para que cada coordenador apresente suas demandas, fortalecendo um processo colaborativo e alinhado às necessidades reais dos setores.”

A abertura da reunião também exibiu mensagem do presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, que destacou o papel das Câmaras como “espaços de formulação, integração e representação qualificada”. Tadros deu boas-vindas ao novo coordenador da Câmara Brasileira do Comércio de Produtos e Serviços Ópticos (CBÓptica), Bernardo Peixoto, e reforçou a expectativa de ampliar o diálogo institucional e o fortalecimento setorial em 2026. Outro vídeo institucional ressaltou a atuação estratégica das Câmaras na construção de consensos, no acompanhamento de políticas públicas e na defesa das empresas do comércio, serviços e turismo.

O papel institucional das Câmaras da CNC

As Câmaras Brasileiras do Comércio e Serviços são órgãos consultivos da Presidência da CNC e têm como missão realizar estudos, monitorar legislações, analisar demandas setoriais e oferecer subsídios técnicos para as ações institucionais do Sistema Comércio (CNC-Sesc-Senac-Federações).

Relatório reforça protagonismo das Câmaras e registra evolução histórica

A gerente da Assessoria das Câmaras Brasileiras do Comércio e Serviços da CNC (ACBCS), Andrea Marins, apresentou o Relatório de Atividades ACBCS 2025, documento de 132 páginas que consolida o trabalho das 11 Câmaras ao longo do ano. Segundo Andrea, o ano passado registrou “o maior crescimento da história das Câmaras”, com 39 mil ações registradas, incluindo convocações, pautas, reuniões, encaminhamentos técnicos e atividades institucionais.

Entre os principais indicadores:

– 316 proposições apresentadas, sendo 296 concluídas;

– Crescimento de 163% no volume de proposições;

– 285 temas debatidos nas reuniões;

– 809 participantes ao longo do ano;

– 568 integrantes ativos; e

– Participação feminina em expansão: de uma mulher em 2007 para 101 em 2025.

Andrea também destacou avanços como a realização do Seminário NR-1 e riscos psicossociais e do Fórum Comércio Exterior, a adoção da plataforma de gestão das Câmaras, a produção de cartilhas e a presença institucional em eventos nacionais.

“Nada disso seria possível sem o engajamento dos coordenadores, das áreas técnicas e da nossa equipe que é extremamente dedicada. As Câmaras são um trabalho de construção coletiva: nós somos a ponte, mas quem dá sentido a essa ponte são os setores que representamos e os resultados que entregamos ao Sistema Comércio”, reforçou Andrea.

Segmentos: balanço, desafios e prioridades para 2026

Os coordenadores das 11 Câmaras Brasileiras do Comércio e Serviços apresentaram um balanço das ações realizadas em 2025 e compartilharam as expectativas, desafios e prioridades que devem orientar a atuação de cada segmento em 2026. As exposições reforçaram a diversidade e a complexidade das agendas setoriais, ao mesmo tempo que evidenciaram temas transversais — como qualificação profissional, modernização tecnológica, ambiente regulatório, segurança jurídica e competitividade — que mobilizam diferentes áreas.

CBTIN — Câmara Brasileira de Tecnologia da Informação e Inovação

O coordenador da CBTIN, vice-presidente administrativo da CNC e presidente da Fecomércio-RJ, Antonio Florencio de Queiroz Junior, destacou três eixos centrais para 2026: a transformação das competências no comércio e serviços, a integração das tecnologias inteligentes aos meios de pagamento e o fortalecimento de operações mais eficientes e sustentáveis. Entre as prioridades, estão a qualificação de trabalhadores em temas como inteligência artificial, dados e automação — com atenção especial à terceira idade e às pessoas com baixa escolaridade — e a inclusão digital de micros e pequenas empresas que ainda operam majoritariamente de forma analógica.

CBCPave — Câmara Brasileira do Comércio de Peças e Acessórios para Veículos

O coordenador da CBCPave e presidente do Sincopeças Brasil, Ranieri Palmeira Leitão, apresentou como prioridades a defesa da inspeção técnica veicular, o avanço do direito à reparação (Right to Repair) e o monitoramento de pautas legislativas que impactam o setor automotivo independente. Ele lembrou que o Brasil tem uma frota envelhecida e pouco inspecionada, o que aumenta o risco de acidentes, e destacou a articulação de um café da manhã no Congresso, em maio, para apresentar uma cartilha sobre inspeção técnica a deputados e senadores. Leitão também relatou o trabalho junto a parlamentares pela atualização da chamada Lei Ferrari, que hoje limita o acesso de oficinas e lojas independentes a informações técnicas essenciais, e a atuação da CBCPave em aliança com movimentos internacionais em defesa do direito à reparação.

CBCGAL — Câmara Brasileira do Comércio de Gêneros Alimentícios

O coordenador da CBCGAL e presidente do Sincovaga-SP, Álvaro Luiz Bruzadin Furtado, abordou a grave escassez de mão de obra no setor de alimentos e o debate sobre novos modelos de jornada de trabalho. Ele tratou das discussões em torno do funcionamento do comércio aos domingos, incluindo decisões que afetam o trabalho da mulher e a interpretação do art. 386 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o que tem gerado insegurança jurídica e desafios operacionais para o varejo alimentar. Furtado também analisou a evolução do atacarejo e a retomada da loja de vizinhança como formato preferido por muitos consumidores, que buscam conveniência, proximidade e serviços básicos com preços acessíveis. Nesse cenário, reforçou a importância de a CNC apoiar pequenos e médios varejistas com orientação, qualificação e instrumentos que fortaleçam sua competitividade.

CBMC — Câmara Brasileira de Materiais de Construção

O coordenador da CBMC e presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso (Fecomércio-MT), José Wenceslau de Souza Júnior, destacou que o setor de materiais de construção foi um dos mais afetados nos últimos anos pelo patamar elevado da taxa Selic e pelo custo do crédito, que desestimula investimentos tanto de consumidores quanto de empresas. Ele apontou a venda direta da indústria ao consumidor como um fator de forte pressão sobre o varejo, transformando muitas lojas em “showrooms”, já que o cliente testa o produto na loja física e conclui a compra pela internet. Wenceslau reforçou a importância da retomada de linhas de crédito como o Construcard.

CBS — Câmara Brasileira de Serviços

O coordenador da CBS e vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Goiás (Fecomércio-GO), Edgar Segato Neto, evidenciou como os temas importantes a serem discutidos pela câmara, como: qualificação em tecnologia para os 60+, manutenção de frota, jornada 6×1 e trabalho da mulher, são também centrais entre as câmaras. Ele chamou a atenção para a implementação da NR-1, que inclui os riscos psicossociais e entrará em vigor em maio, defendendo que as confederações atuem de forma conjunta para pleitear nova prorrogação, dado o grau de complexidade e insegurança ainda existente nas empresas. Por fim, sugeriu maior participação cruzada entre câmaras, já que muitos temas são transversais e poderiam ser enfrentados de forma mais integrada.

CBCC — Câmara Brasileira do Comércio de Combustíveis

O coordenador da CBCC e presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), James Thorp Neto, relatou avanços na agenda de combate às irregularidades no mercado de combustíveis, resultado da aproximação com o Ministério da Justiça e da atuação conjunta com a CNC. Thorp destacou ainda a importância da tributação concentrada no primeiro elo da cadeia, que reduziu oportunidades de sonegação, e defendeu a antecipação, no âmbito da reforma tributária, das mudanças para o etanol hidratado, a fim de coibir práticas ilícitas. Também manifestou preocupação com a possibilidade de escala 6×1 em postos e alertou para o impacto da atuação do crime organizado no setor, reforçando a defesa dos empresários sérios e a preservação dos empregos de frentistas.

CBMEC — Câmara Brasileira das Mulheres Empreendedoras do Comércio

A coordenadora da CBMEC Laura Andrea Farias Paiva ressaltou que as mulheres já representam 35% do empreendedorismo nacional, o que equivale a cerca de 10 milhões de empreendedoras, e que esta Câmara foi criada pela CNC com foco econômico, e não apenas social. Ela destacou desafios específicos do empreendedorismo feminino, como acesso ao crédito, inclusão e transformação digital, gestão financeira e a sobrecarga da “economia do cuidado”, já que a maior parte das responsabilidades familiares ainda recai sobre as mulheres. Entre as prioridades para 2026, Laura apontou a expansão das câmaras estaduais de mulheres, o fortalecimento do planejamento estratégico da CBMEC, a troca de experiências entre diferentes regiões e a promoção da participação de lideranças femininas nacionais de referência nos encontros da Câmara, com foco em inspiração e fortalecimento do protagonismo feminino no comércio.

CBFarma — Câmara Brasileira de Produtos Farmacêuticos

O coordenador da CBFarma e presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais (Sincofarm-MG), Lázaro Luiz Gonzaga, abordou o cenário desafiador do varejo farmacêutico, fortemente regulamentado e atualmente pressionado pela entrada de grandes plataformas digitais e pela concorrência de supermercados na venda de medicamentos e produtos de saúde. Ele destacou que cerca de 98% das farmácias são micros e pequenas empresas, muitas delas de base familiar, que enfrentam dificuldades adicionais com o aumento da criminalidade, como furtos e assaltos direcionados a itens de maior valor agregado. Gonzaga também mencionou a escassez de mão de obra e as diferenças regionais que tornam complexo o piso salarial num país de dimensões continentais.

CBCEX — Câmara Brasileira do Comércio Exterior

O diretor da CNC e coordenador da CBCEX, Rubens Torres Medrano, que também é o vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), destacou o protagonismo crescente da Confederação no comércio internacional, especialmente no âmbito do Mercosul, onde a entidade tem atuado em temas como acordos comerciais e integração regional. Ele ressaltou que a CBCEX trabalha tanto na frente institucional — trazendo embaixadores e especialistas para debater oportunidades de negócios — quanto no acompanhamento de questões administrativas, legislativas, aduaneiras e portuárias que impactam as exportações e importações brasileiras. Medrano defendeu que os setores de comércio, serviços e turismo incorporem com mais intensidade a agenda de comércio exterior em suas estratégias, dado o impacto dos conflitos geopolíticos e das mudanças de cenário global nas atividades internas.

CBCSI — Câmara Brasileira de Comércio e Serviços Imobiliários

O coordenador da CBCSI e presidente da Fecomércio-BA, Kelsor Gonçalves Fernandes, apresentou um panorama das ações da Câmara em 2025, destacando debates sobre desafios estruturais do mercado imobiliário, acompanhamento das regulamentações de locações e análises das mudanças legislativas, especialmente no âmbito da reforma tributária. Ressaltou também que, ao longo do ano, avançou em discussões sobre o uso de inteligência artificial no setor, alterações no Código Civil e outros marcos legais que afetam diretamente a atividade imobiliária. Para 2026, elencou como prioridades o fortalecimento da representação institucional, a ampliação da articulação com Secovis e entidades estaduais, o acompanhamento próximo da reforma tributária, a emissão de posicionamentos técnicos e o aprofundamento de temas ligados a tecnologia e competitividade do setor.

CBÓptica — Câmara Brasileira do Comércio de Produtos e Serviços Ópticos

O novo coordenador da CBÓptica e presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco (Fecomércio-PE), Bernardo Peixoto dos Santos Oliveira Sobrinho, participou de sua primeira reunião à frente da CBÓptica, destacando as dificuldades enfrentadas pelos pequenos empresários do setor diante da escala 6×1, da elevação de custos e da falta de mão de obra qualificada. Ele relatou sua experiência no Fundo de Aval do Sebrae Nacional, mencionando iniciativas voltadas ao empreendedorismo feminino, com linhas de crédito que oferecem 100% de garantia e registram baixíssima inadimplência. Peixoto sinalizou que pretende aprofundar as pautas regulatórias e de competitividade do segmento óptico, alinhando a agenda da câmara às demandas reais das empresas do setor.

Encaminhamentos finais

A reunião também alinhou o calendário de atividades para 2026, que prevê a manutenção de duas reuniões presenciais ao longo do ano, complementadas por encontros virtuais extraordinários, ampliando a flexibilidade das discussões. Os coordenadores ressaltaram a importância de intensificar a articulação com o Congresso Nacional e o Poder Executivo, especialmente diante de pautas sensíveis para os setores representados, além de dar continuidade à implantação da plataforma de gestão das Câmaras. O encontro reafirmou a relevância desses órgãos como espaços de diálogo qualificado, produção técnica e construção de propostas para fortalecer os setores representados pela Sistema Comércio.

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Fotos: Paulo Negreiros

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