Encontro realizado na sede da CNC no Rio de Janeiro apresentou a Cartilha do Programa Senac de Educação Profissional 4.0, o Boletim da Rede de Inovação do Comércio, discutiu projetos legislativos relacionados à tecnologia e encerrou a programação com visita técnica ao Senac Cápsula
A Câmara Brasileira de Tecnologia da Informação e Inovação (CBTIN) realizou, em 19 de agosto, na sede da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) no Rio de Janeiro, sua segunda reunião de 2026. O encontro reuniu representantes das Federações do Comércio, do Senac, da CNC e especialistas na área para debater iniciativas voltadas à qualificação profissional, inovação tecnológica e acompanhamento do cenário regulatório relacionado ao setor de tecnologia.
Na abertura dos trabalhos, o presidente da CBTIN, Antonio Florencio de Queiroz Junior, destacou a importância da agenda e ressaltou a programação especial do dia, que incluiu uma visita técnica ao Senac Cápsula, centro de inovação do Senac-RJ.
O 2º vice-presidente da CNC e coordenador-geral das Câmaras Brasileiras do Comércio e Serviços da CNC, Luiz Carlos Bohn, enfatizou o papel dos colegiados como instrumentos de escuta ativa da Confederação e ressaltou a relevância estratégica da tecnologia da informação para o desenvolvimento econômico e social. Em sua fala, também comentou o avanço da inteligência artificial, defendendo seu uso como ferramenta de apoio ao trabalho e à tomada de decisões.
A reunião, mediada pela gerente da Assessoria das Câmaras Brasileiras do Comércio e Serviços (ACBCS), Andrea Marins, marcou ainda a apresentação do novo representante suplente de Mato Grosso do Sul na CBTI, André Maffessoni Fecomércio-MS, representado no encontro por Wellington Lopes Moraes.

Programa Senac de Educação Profissional 4.0
O primeiro tema discutido foi a apresentação da Cartilha do Programa Senac de Educação Profissional 4.0, elaborada pelo Departamento Nacional do Senac, após demanda da própria CBTIN. O material foi apresentado por Victor Zucarino, que destacou o objetivo do programa de aproximar educação profissional, inovação e necessidades do mercado de trabalho.
Segundo Zucarino, a cartilha foi estruturada em formato de perguntas e respostas para facilitar a compreensão das empresas e dos profissionais sobre o programa, seus benefícios e formas de participação.
O Programa 4.0 foi criado para responder aos desafios da transformação digital e à necessidade de formação de profissionais mais preparados para o mercado. A iniciativa organiza a oferta educacional em dez verticais da tecnologia da informação, incluindo inteligência artificial, ciência de dados, cibersegurança, computação em nuvem, internet das coisas e desenvolvimento de software.
Durante a apresentação, foram destacados os benefícios para empresas, trabalhadores e estudantes, além do fortalecimento de parcerias estratégicas com organizações como Cisco, Microsoft, AWS, Oracle, Huawei, TOTVS e Brasscom.
Um dos exemplos citados foi a Unidade Móvel Fluvial José Roberto Tadros, a balsa-escola do Senac Amazonas, que recebeu infraestrutura tecnológica e conectividade via satélite, tornando-se a primeira Academia Cisco fluvial do mundo e ampliando o acesso à educação profissional em comunidades ribeirinhas.
Ao comentar os resultados do programa, representantes do Senac ressaltaram relatos de transformação social, qualificação de profissionais, fortalecimento empresarial e desenvolvimento de regiões atendidas pelas ações educacionais.
Rede de Inovação do Comércio
Na sequência, foi apresentado o Boletim da Rede de Inovação do Comércio, publicação elaborada pelo Senac Departamento Nacional para registrar as ações desenvolvidas pela Rede de Inovação do Comércio e pela Rede Senac de Inovação.
O assessor de Inovação do Senac-DN, Sérgio Ferreira, lembrou que a proposta da rede nasceu de discussões realizadas na CBTIN e ressaltou a importância da integração entre CNC, Sesc, Senac, Federações e Sindicatos para ampliar o alcance das soluções inovadoras voltadas ao comércio de bens, serviços e turismo.
O boletim mostra que a Rede Senac de Inovação reúne atualmente 14 Departamentos Regionais em um ecossistema colaborativo de desenvolvimento de soluções para o setor produtivo. A publicação registra ainda a existência de centros de referência em áreas como Turismo Inteligente, Inteligência Artificial, Análise e Segurança de Dados, Economia Criativa e Educação Profissional.

Os dados do primeiro semestre de 2026 revelam:
- – 158 iniciativas registradas;
- – 152 entregas realizadas;
- – 109 empresas e instituições atendidas;
- – 80 soluções desenvolvidas;
- – 32 projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I);
- – mais de R$ 27 milhões em projetos.
Durante o debate, o presidente Queiroz enfatizou a importância de aproximar os projetos de inovação dos alunos do Senac, fortalecendo a inserção profissional dos formandos e valorizando a qualidade da educação oferecida pela instituição.
Participantes da Câmara também destacaram a importância de mecanismos para estimular projetos integradores e startups desenvolvidas por alunos, incluindo o aproveitamento de programas de fomento, como o Centelha, e a criação de editais específicos para financiar protótipos e produtos mínimos viáveis (MVPs).
Representantes da Bahia, Rio Grande do Sul, Amapá e Pernambuco defenderam o compartilhamento de boas práticas entre os Departamentos Regionais e a ampliação da conexão entre projetos acadêmicos e demandas reais das empresas.
O diretor de Inovação e Tecnologia da Informação da CNC, Maurício Ogawa, ressaltou que a Rede de Inovação ainda está em fase de consolidação, mas já demonstra potencial para conectar iniciativas de referência em diferentes estados.
Ele salientou os exemplos do Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro como experiências relevantes para benchmarking e multiplicação de soluções.
Ambiente regulatório e inteligência artificial
A Diretoria de Relações Institucionais e Governamentais (DRIG) da CNC apresentou um panorama do acompanhamento legislativo relacionado ao setor de tecnologia.
Entre os temas monitorados pela Confederação, estão:
- – PL nº 11.252/2018, que trata da responsabilidade penal de provedores de internet;
- – PL nº 2.338/2023, que regulamenta o desenvolvimento e o uso ético da inteligência artificial;
- – PL nº 4.675/2025, voltado à regulação dos mercados digitais e à criação da Superintendência de Mercados Digitais no Cade;
- – PL nº 2.768/2022, sobre plataformas digitais; e
- – PL nº 4.752/2025, que institui o Marco Legal da Cibersegurança e o Programa Nacional de Segurança e Resiliência Digital.

A assessora da Diretoria de Relações Institucionais e Governamentais (DRIG) da CNC Jenifer Freitas explicou o estágio de tramitação das matérias e destacou a atuação da CNC na defesa dos interesses do setor produtivo, especialmente quanto à necessidade de segurança jurídica, equilíbrio regulatório e harmonização das novas normas com legislações já existentes, como o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Ao final da apresentação, Antonio Queiroz elogiou o trabalho desenvolvido pela DRIG no Congresso Nacional, enfatizando a importância de garantir que o empresariado seja ouvido durante a formulação das políticas públicas.
Convite para o Tech Day
Nos assuntos gerais, Maurício Ogawa exibiu a programação da segunda edição do Tech Day, marcado para o dia 14 de outubro, no Museu do Amanhã, Rio de Janeiro/RJ.
O evento reunirá lideranças de grandes empresas de tecnologia e inovação, incluindo representantes do Google, Meta, Mercado Livre, Stone, Amazon, iFood, TikTok e Microsoft.

A programação também contará com transmissão nacional para unidades do Sesc e do Senac, Federações e Sindicatos, ampliando o acesso de estudantes e profissionais ao conteúdo.
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Imersão nas tecnologias do Senac Cápsula
Encerrando a programação, os participantes realizaram uma visita técnica ao Senac Cápsula, centro de inovação do Senac-RJ.
Durante o percurso, conheceram o laboratório de tecnologias imersivas, onde experimentaram aplicações de realidade aumentada e recursos audiovisuais tridimensionais utilizados em projetos de educação, turismo e cultura.
Entre as experiências exibidas, estavam iniciativas voltadas à valorização do patrimônio histórico, como a experiência imersiva da Casa Brasil, desenvolvida pelo Senac-RJ para promover a interação do público com conteúdos históricos por meio de realidades virtual e aumentada.
A comitiva visitou ainda ambientes dedicados à economia criativa, impressão 3D com materiais sustentáveis produzidos com algas marinhas e derivados da cana-de-açúcar, além de estúdios de fotografia e vídeo, conhecendo de perto projetos que demonstram o potencial da inovação aplicada à educação profissional e ao desenvolvimento de soluções para o comércio de bens, serviços e turismo.
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