CNC: incerteza no mercado de trabalho e ciclo de inadimplência puxam queda da intenção de consumo em agosto

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ICF apresentou redução de 0,6% em meio a cenário de recordes de endividamento mapeado pela CNC

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgada nesta quinta-feira (20), recuou 0,6% em agosto, na comparação dessazonalizada com julho, atingindo 104,9 pontos. A retração do indicador foi liderada pela forte deterioração da percepção sobre o futuro do mercado de trabalho: o componente de Perspectiva Profissional teve o maior recuo do mês (-1,9%) e registrou uma expressiva baixa de 9,9% frente ao mesmo período do ano passado.

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, analisa o contexto de aperto monetário causado pela alta taxa Selic e os efeitos transversais dos dois lados do balcão. “O comportamento mais cauteloso das famílias ocorre em meio a um ambiente financeiro pressionado”, afirma. “O avanço da inadimplência entre empresas gera ruídos em toda a atividade econômica e afeta também a confiança dos trabalhadores ao ameaçar a estabilidade de suas ocupações”, completa Tadros.

Esse cenário consolida uma ambivalência na percepção sobre o trabalho. Embora a avaliação do Emprego Atual tenha registrado leve ganho de 0,1% no mês, sustentando a maior pontuação da pesquisa (127,7 pontos), a apreensão em relação aos meses seguintes prevalece. A percepção de fragilidade na saúde financeira das empresas faz com que o consumidor adote uma postura de prevenção, segurando decisões de gasto.

“A melhoria de alguns fatores de consumo, como a inflação dentro da meta e a – ainda tímida – redução da Selic, não foi suficiente para sustentar a percepção do consumidor no curto prazo. Isso porque o mercado de trabalho é chave para essa sensação de segurança. Mesmo aquecido, a perspectiva futura é de menos certeza do que já foi”, avalia a economista da CNC Catarina Carneiro.

A retração nas intenções de compra espalhou-se por quase todos os subíndices analisados. Na margem, houve quedas na Renda Atual (-0,6%), no Nível de Consumo Atual (-0,5%), no Acesso ao Crédito (-0,3%) e no Momento para Duráveis (-1,3%). A disposição para adquirir bens de maior valor até apresenta avanço de 17,5% no confronto anual, mas permanece em patamar desfavorável ao marcar 75,8 pontos (abaixo do nível neutro de 100 pontos).

A perda de fôlego no consumo mensal ocorreu com a mesma intensidade nas diferentes faixas de rendimento, registrando variação de -0,6% tanto no grupo com ganho de até 10 salários mínimos (102,5 pontos) quanto no estrato superior a 10 salários (117,4 pontos). No panorama anual, apesar de o indicador geral figurar 2,3% acima do patamar de agosto do ano passado, a taxa de crescimento acumulada mantém trajetória de desaceleração contínua ao longo dos últimos meses.

Acesse aqui a pesquisa na íntegra e a série histórica.

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