Destaque da edição:
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Choque de produtividade – Não basta recompor a trajetória das contas públicas, varrendo da cena brasileira o que se convencionou chamar de “dominância fiscal”, para repor o País na trilha do desenvolvimento sustentado. É preciso que, em paralelo, através de mudanças na estrutura de sua economia, torne-se um país competitivo, tanto interna como externamente, o que pressupõe uma onda de investimentos bem orientados, seja em capital físico ou em capital humano. Essas reflexões são ditadas por um estudo sobre produtividade, elaborado por um seleto grupo de economistas da Fundação Getulio Vargas. Nesse estudo, a razão entre recurso empregado e resultado obtido, isto é, a produtividade, abrange um determinado grupo de países e seus principais setores de atividade econômica – Agropecuária, Indústria e Serviços – que se relacionam com o índice de produtividade total.
Dominância previdenciária – A conjugação da Emenda Constitucional 95, que limita por 20 anos os gastos públicos, com a ausência de uma efetiva reforma da Previdência, institui um novo tipo de dominância: a dominância previdenciária. O termo é primo-irmão daquele associado ao trabalho “Aritmética Monetarista Desagradável”, publicado por Thomas Sargent e Neil Wallace em 1981, que popularizou as designações de “dominância fiscal” e “dominância monetária”. Na dominância monetária, a administração da moeda e dos juros pelo Banco Central é conduzida de forma independente da evolução dos gastos públicos, restringindo esses últimos aos recursos oriundos dos impostos e das vendas de títulos ao público. Ou seja, o governo não pode determinar o imposto inflacionário como uma terceira fonte de recursos para os seus gastos. A dominância fiscal, por outro lado, ocorre quando é a autoridade fiscal que sai na frente, fixando a evolução dos seus gastos e impostos no presente e no futuro. O problema é que, na presença de déficits fiscais elevados e inflexíveis, o público pode, a partir de certo ponto, passar a desinteressar-se pelos títulos governamentais. Nesse caso, não resta ao Banco Central outra opção senão gerar o imposto inflacionário necessário ao fechamento das contas públicas. Isso não significa necessariamente hiperinflação, mas uma inflação alheia à vontade do Banco Central.
Expectativas de inflação continuam processo de queda – No último relatório Focus divulgado pelo Banco Central (14/07), a mediana das expectativas para o IPCA deste ano recuou para 3,29%, continuando a tendência de queda das últimas sete semanas, taxa menor do que a previsão de 3,64% de quatro semanas passadas. Continuando abaixo do limite superior da meta de inflação e da taxa de 6,29% realizada em 2016. No curto prazo, as projeções dos analistas para o IPCA são de 0,17% para julho e 0,23% para agosto deste ano. As cinco instituições que mais acertam – TOP 5 – projetam IPCA de 0,16% e 0,20%, respectivamente, valores próximos, contudo abaixo, dos estimados pelo mercado. A projeção para o IPCA de 2018 também mostra queda, reduzindo para 4,20%. Na última reunião do Copom, a meta da taxa de juros Selic foi reduzida em 1 ponto e alcançou 10,25%. A próxima reunião deste ano será nos dias 25 e 26 de julho, quando o mercado espera um corte similar, alcançando 9,25%. Para o resto do ano, a mediana das estimativas da Selic para o fim de 2017 é de 8,0%, ou seja, a previsão é que a meta da Selic continue sendo reduzida e alcance patamar de um dígito. Para 2018, a expectativa é que permaneça em 8,0%.
Agricultura: bom demais – Está no site do IBGE que a previsão da safra de grãos para o corrente ano será 30,1% maior do que a safra de 2016. O fenômeno está muito ligado às boas condições climáticas de 2017, as quais vêm favorecendo as plantações. Também o volume de crédito cresceu, o que propiciou maior produção e melhor ocupação da terra. O resultado da safra de grãos será percebido pelas famílias pelo excesso de oferta em relação à procura e pela variação de preços, a qual deverá registrar queda de alguns cereais, leguminosas e oleaginosas. Tal fato tem como implicação o alívio do peso da alimentação no orçamento. Dessa maneira, a conjuntura de crise pode estar emitindo sinais que já começa a se modificar. Os números do IBGE são de grandeza impressionante, revelando a capacidade produtiva do setor agrícola. O que vai acontecer neste ano reforça a ideia de que o Brasil não é apenas um dos maiores celeiros do planeta. Ele se insere na economia global para ampliar o volume das trocas comerciais; ser referência na oferta de alimentos para suprir a carência dos povos; e se destacar como campeão de venda de diversos produtos primários.