Destaque da edição:
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Crise leva à demissão de mais de um milhão de trabalhadores qualificados – Demissões de profissionais com nível superior completo continuam avançando na contramão dos trabalhadores menos qualificados. O principal impacto da atual crise econômica sobre o mercado de trabalho tem se revelado através da geração de consecutivos saldos mensais negativos entre admissões e desligamentos. Desde o início de 2015, o emprego celetista já acumulou o corte líquido de 1,86 milhão de postos de vagas formais no País, provocando uma retração de 4,5% no emprego, levando o atual estoque de trabalhadores celetistas ao mesmo nível de junho de 2012 (39,4 milhões). Ao contrário do número de desligamentos que tem recuado também em função da menor rotatividade do mercado de trabalho, o crescimento do número de trabalhadores demitidos sem justa causa ou com contrato temporário de trabalho encerrado tem exposto de forma mais evidente a correlação altamente positiva entre os níveis de atividade econômica e de ocupação. Nos 12 meses encerrados em março de 2016, o número dessas demissões avançou 10,8% entre os trabalhadores com nível superior, contra uma variação de -7,0% na média do mercado de trabalho. Nesse período, foram demitidos 1,01 milhão de trabalhadores nessas condições, contra 915 mil no mesmo período do ano anterior. Os trabalhadores mais qualificados continuam sendo, portanto, o único subgrupo dentre todos os graus de qualificação em que ainda há intensificação de demissões.
Outras matérias:
Crédito tem retração de 1,8% no trimestre – Dados mais recentes divulgados pelo Banco Central mostraram que as operações de crédito do sistema financeiro tiveram queda de 0,7% em março de 2016, contra o mês imediatamente anterior. Esta é a terceira queda consecutiva, ocasionando uma retração de 1,8% no primeiro trimestre. O saldo total dos empréstimos e financiamentos alcançou o valor de R$ 3,2 trilhões no último resultado, representando 53,1% do PIB. No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em março de 2016, a variação foi de +3,3%, 7,9 p.p. abaixo da variação de 11,2% observada no mesmo período do ano anterior. Os empréstimos baseados em recursos livres somaram R$ 1.592,5 bilhão, 26,7% do PIB e 50,4% do saldo total do crédito. Na comparação mensal, houve recuo de 0,6%, similar ao mês anterior. As operações com recursos direcionados representaram 26,3% do PIB, com saldo de R$ 1.568,2 bilhão. Foi o maior destaque no crédito geral, apesar de menor proporção (49,6% do total do saldo de crédito). No acumulado em 12 meses, cresceram 5,8%, porém o resultado foi abaixo dos observados nos meses anteriores (+8,2% em fevereiro e +9,4% em janeiro).
Desaceleração da economia dos EUA – No primeiro trimestre de 2016, a economia dos EUA cresceu no ritmo mais lento dos últimos dois anos, em comparação com as taxas de crescimento de anos anteriores. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 0,5%, menos da metade da taxa projetada para o último trimestre de 2015, de acordo com os dados do Departamento do Comércio dos Estados Unidos. No atual cenário de incerteza global, são levantadas questões sobre a durabilidade da expansão do PIB norte-americano. O crescimento da economia dos EUA foi menor em razão da queda do investimento empresarial, das menores exportações líquidas e da desaceleração do crescimento das despesas dos consumidores, ocorrida apesar do aumento dos rendimentos. A desaceleração do PIB tem feito e fará com que o Federal Reserve (Sistema de Bancos Centrais dos Estados Unidos) aja com mais cautela antes de planejar uma próxima elevação de taxa de juros, que permaneceu praticamente nula durante quase uma década, até o aumento em dezembro do ano passado. O Federal Reserve, na última reunião, manteve a política econômica inalterada e deixou ausente um sinal mais firme a respeito de quando decidirá aumentar a taxa básica de juros e “apertar” a política monetária no país.
Do sonho ao pesadelo – O setor parece infenso à crise econômica. Contrariamente aos ventos que sopraram em 2015 (e ainda sopram) no Brasil, o fechamento das estatísticas do setor de franchising expôs números robustos e crescentes. O faturamento nominal atingiu perto de R$ 140 bilhões, incremento de 9,6% sobre 2014. Já o número de redes instaladas cresceu 4,5%, passando de 2.942 para 3.073, sinal de que, apesar dos tempos de retração das atividades, houve espaço para alguns novos segmentos ingressar no mercado. Por extensão, as novas unidades franqueadas somaram 12.702, elevação de 10,1% frente a 2014, totalizando 138.343. Quanto ao volume de pessoal ocupado, o saldo é que as franquias empregaram mais 92.926 do que desempregaram, situação que resultou no estoque de 1.189.785 pessoas empregadas em 2015. Mas apesar de as franquias desfilarem esses quantitativos, para muitos empreendedores não houve motivos para solenizar, porque, em vez de acompanhar as tendências dos números agregados do setor, fracassaram. Partiram do sonho, e a conjuntura os conduziu ao letargo. Os momentos difíceis, aliados à conjuntura recessiva e ao desenvolvimento de conflitos com os franqueadores, acarretaram a elevação absoluta da morte de mais de 13 mil estabelecimentos, situação que, aliás, vem subindo desde 2010. Nesse ano, fecharam as portas 4.870 franquias; em 2011, 6.398 unidades (+31,4%); em 2012, 8.217 (+28,43%); em 2013, 9.128 (+11,1%); em 2014, 11.650 (+27,6%); e, em 2015, 13.140 (+12,8%). Desta forma, o índice de mortalidade dos pontos de venda aumentou em escala: de 3% em 2010 para 4% em 2011; depois atingiu 5% em 2014 para bater 6% ano passado.