Sumário Econômico 1446

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Destaque da edição:

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Confiança do comércio cai pela primeira vez no ano – O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) atingiu 80,1 pontos em abril, queda de 0,3% em relação ao índice de março, na série com ajuste sazonal. O resultado na passagem mensal foi influenciado pela queda nas intenções de investimentos (-2,9%). Por outro lado, houve nova melhora nas avaliações das condições correntes (+5,3%), enquanto o subíndice de expectativas obteve ligeiro aumento (+0,4%). Em relação a abril de 2015, o Icec reduziu-se 8,0%, refletindo a contínua retração na atividade do comércio, provocada especialmente pela deterioração do mercado de trabalho, que impactou na menor intenção de investimentos dos comerciantes. O comércio varejista está menos pessimista em relação às condições atuais da economia. O subíndice que mede as condições correntes (Icaec) do Icec alcançou 42,4 pontos, aumentando 5,3% na passagem de março para abril, na série com ajuste sazonal. Após consecutivas quedas, em abril a avaliação das condições correntes voltou a crescer, como é observado desde fevereiro. No ano, entretanto, a variação do Icaec foi negativa em -19,2%.

 

Outras matérias:

CNC prevê queda de 4,1% nas vendas do varejo para o próximo Dia das Mães – O volume de vendas voltadas para o Dia das Mães deverá registrar recuo de 4,1% em 2016, segundo estimativa da CNC. Uma vez confirmada essa presciência, a data comemorativa registrará seu pior desempenho desde o início dos levantamentos, em 2004. O Dia das Mães é a segunda data âncora mais importante do varejo brasileiro – atrás apenas do Natal – e, apesar da queda, deverá movimentar aproximadamente R$ 5,7 bilhões neste ano. Com expectativa de retração nas vendas, a contratação de trabalhadores temporários para a data deverá também ser menor. A oferta de 25,6 mil vagas em todo o varejo esperada pela entidade é 5,6% inferior ao contingente contratado no mesmo período do ano passado e equivale à quantidade de vagas geradas na mesma data comemorativa de 2012 (25,4 mil). Do ponto de vista das vendas, os ramos de artigos de uso pessoal e doméstico e de vestuário, calçados e acessórios deverão se destacar positivamente, com variações de +4,4% e +2,3%, respectivamente, sobre o Dia das Mães de 2015. Menos dependentes das condições atuais de crédito e com variações de preços menos proeminentes nos últimos meses, as vendas nesses dois segmentos, caracterizados por tíquetes médios mais baixos, deverão responder por quase dois terços (65,8%) de toda a movimentação do varejo nessa data em 2016.

Mercado espera IPCA de 7,0% este ano – No último relatório Focus divulgado pelo Banco Central em 06/05, a mediana das expectativas para o IPCA aumentou para 7,0%, após chegar a 7,14% há quatro semanas passadas, e é o primeiro aumento após oito reduções consecutivas nesta estimativa. Continua acima do limite superior da meta de inflação, entretanto abaixo da taxa de 10,67% realizada em 2015. Contudo, a projeção para 2017 continuou sendo reduzida, atingindo 5,62%. No curto prazo, as projeções dos analistas são de 0,52% para maio e 0,34% para junho. As cinco instituições que mais acertam – TOP 5 – projetaram IPCA de 0,61% para maio e 0,33% para junho, com discrepância em relação ao valor esperado pelo mercado para este mês. Após a terceira reunião do Copom deste ano, a meta da taxa de juros Selic permaneceu em 14,25%. A próxima reunião será nos dias 7 e 8 de junho, e se espera a manutenção deste indicador. Para o resto do ano, a mediana das estimativas da Selic para o fim de 2016 foi de 13,0%, esperando novos cortes na taxa durante o semestre deste ano. Já para 2017, a previsão é que a meta da Selic seja reduzida para 11,75%, menor do que taxa esperada há quatro semanas (12,25%). A estimativa para o crescimento do PIB de 2016 alcançou -3,86%, após o resultado de 2015 mostrar uma retração de 3,8%, de acordo com dados do IBGE. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), série elaborada pelo Banco Central e considerada uma aproximação das Contas nacionais, registrou queda de 0,29% em fevereiro, contra o mês anterior, dados com ajuste sazonal, e recuo de 4,63% na comparação do acumulado dos últimos 12 meses.

Brexit I – No dia 23 de junho de 2016, o Reino Unido realizará um plebiscito para decidir sobre sua permanência na União Europeia. A população está dividida em relação ao assunto, o que impossibilita fazer uma previsão do resultado. É importante destacar que o primeiro-ministro, David Cameron, é contra a saída do bloco europeu, apesar de ter sido ele quem promoveu a votação do plebiscito. Cameron conta com o apoio de alguns ministros e prefeitos, mas algumas figuras importantes, como o popular prefeito de Londres, têm opiniões divergentes. O desejo de se separar da União Europeia baseia-se no fato de muitos ingleses considerarem que a democracia e a independência do Reino Unido estão ameaçadas. Muitos consideram que a Grã-Bretanha não mais dita suas regras nem tem controle sobre suas fronteiras. Os defensores do Brexit, termo em inglês que designa a saída do Reino Unido da Comunidade Econômica Europeia, acreditam que a região tenha se tornado apenas um apêndice ao bloco e explorada por outros colonizadores europeus. Argumentam que as fazendas e fábricas são prejudicadas por terem que seguir regras ditadas de fora e terem de competir com todos os outros países da união aduaneira europeia. As regras e leis britânicas são, de direito e de fato, submissas às regras da União Europeia, e até o exército não serve somente a propósitos próprios do país. As relações entre a Inglaterra e a União Europeia não são muito pacíficas desde a época de Margaret Thatcher, que se opunha à criação de um governo europeu supranacional e do abandono do mecanismo cambial no início da década de 1990, devido ao ataque especulativo à Libra. Os britânicos constantemente estiveram divididos em relação à participação da Grã-Bretanha na Comunidade Econômica Europeia, o que se efetivou nos anos 1970. Após a recente onda de migração e procura de asilo na Europa, o Reino Unido se viu obrigado a permitir a entrada de parte dos imigrantes não europeus, o que é um dos principais fatores atuais que levaram à ânsia pela separação. A votação do plebiscito será travestida de argumentos baseados na prosperidade econômica, na redução das despesas fiscais pelo apoio financeiro prestado à União de países europeus e na postura geopolítica, mas o verdadeiro sentimento é o de tornar o Reino Unido um estado democrático autônomo novamente.

Brexit II – Em termos econômicos, acredita-se que a saída do Reino Unido da União Europeia possa afetar diretamente os setores automotivo, de telecomunicações, além do segmento de serviços. Essa é uma situação que pode ter consequências bastante negativas para os empregos, o nível de renda e a qualidade de vida da população. Além disso, Brexit prejudicará ainda mais o desempenho do setor siderúrgico e da combalida indústria do aço inglesa, que já foi uma das maiores produtoras do mundo. O impacto da potencial saída da Inglaterra é um dos grandes riscos de desestabilização da economia mundial, segundo o comunicado conjunto feito pelos ministros das Finanças das 20 maiores potências mundiais. O ministro das Finanças do Reino Unido, George Osborne, destacou que a possibilidade de um Brexit é um dos maiores perigos ao crescimento global em um momento de fraqueza generalizada da atividade econômica. O Departamento do Tesouro do Reino Unido publicou um relatório medindo os riscos de Brexit. Nele foi advertido que a economia britânica pode retrair até 6% entre 2017 e 2030, em termos do produto interno bruto, caso se separe da União Europeia. O egresso pode acarretar um custo de 4.300 libras (R$ 21.800) por família. A economia britânica é relativamente dependente do comércio internacional e da capacidade de atrair investimento. A saída da UE acarretaria novas tarifas e barreiras às exportações, quando as com destino ao resto da UE representam cerca de 45% do total das vendas externas do país. Acarretaria também a mudança no rumo das negociações, não só com o restante do continente, mas também com os mais de 50 países que têm acordos com o bloco europeu. Certamente, haverá aumento da incerteza e dos custos no curto prazo, especialmente para setores como o financeiro. Os opositores ao Brexit afirmam que pertencer à UE facilita o acesso aos mercados, atrai investimento e garante mais de três milhões de postos de trabalho.

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