Destaque da edição:
Destaque da edição:
Setor de serviços tem pior bimestre em cinco anos – A queda de 4,5% no 1º bimestre é a maior para o período desde o início da pesquisa do IBGE. A CNC projeta retração de 3,5% para o setor em 2016. Em fevereiro, o volume de receita do setor de serviços encolheu 4,0% em relação ao mesmo mês do ano passa¬do, segundo dados da Pesquisa Men¬sal de Serviços (PMS), divulgados em 13/04 pelo IBGE. Essa foi a 11ª queda consecutiva do indicador nessa base comparativa, porém a menor dos úl¬timos seis meses. Pelo sexto mês seguido, os cinco grupos de atividades pesquisadas re¬gistraram retrações de receitas ante o mesmo período do ano anterior. As maiores baixas ocorreram no grupo outros serviços (-6,1%) que apura o desempenho de segmentos variados do setor terciário, tais como serviços de manutenção, reparação e ativida¬des de apoio à agropecuária. Em seguida, sobressaiu o recuo nos serviços de informação e comunicação (-5,3%), grupo que agrega atividades ligadas à tecnologia da informação, tais como desenvolvimento de softwa¬res e sistemas, serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias. Ao contrário dos demais segmentos pes¬quisados pela PMS, os serviços de co¬municação e informação têm apresen¬tado tendência de aceleração de preços nos últimos meses. Na contramão, a tendência de perda de força da inflação ao consumidor levou a prestação de serviços às famílias a registrar a menor queda dos últimos 15 meses (-1,4%).
Outras matérias:
Estimativa para o IPCA continua a recuar – No último relatório Focus divulga¬do pelo Banco Central (29/04), a mediana das expectativas para o IPCA reduziu para 6,94%, após chegar a 7,28% há quatro semanas passadas, e é a oitava redução consecutiva nesta estimativa. Continua acima do limite superior da meta de inflação, entretanto abaixo da taxa de 10,67% realizada em 2015. A projeção para 2017 também foi reduzida, atingindo 5,72%. No curto prazo, as projeções dos analistas são de 0,53% para abril e 0,50% para maio. As cinco instituições que mais acertam – TOP 5 – projetaram IPCA de 0,52% para abril e 0,59% para maio, ambos os valores próximos aos esperados pelo mercado. Após a terceira reunião do Copom deste ano, a meta da taxa de juros Selic permaneceu em 14,25%. A pró¬xima reunião será nos dias 7 e 8 de junho. Para o resto do ano, a mediana das estimativas da Selic para o fim de 2016 foi de 13,25%, esperando novos cortes na taxa durante este ano. Já para 2017, a previsão é que a meta da Selic seja reduzida para 11,75%, me¬nor do que taxa esperada há quatro semanas (12,50%). A estimativa para o crescimento do PIB de 2016 alcançou -3,89%, após o resul¬tado de 2015 mostrar uma retração de 3,8%, de acordo com dados do IBGE. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), série elabo¬rada pelo Banco Central e considerada uma aproximação das contas nacionais, registrou queda de 0,29% em fevereiro contra o mês anterior, dados com ajuste sazonal, e recuo de 4,63% na compa¬ração do acumulado dos últimos 12 meses. Além de a previsão para este ano ser menor do que o realizado no ano passado, também demonstra uma piora em relação ao crescimento de 0,1% rea-lizado em 2014. Entretanto, para 2017 já se espera um resultado positivo, com avanço de 0,40% na economia. Há duas semanas consecutivas que esta estima-tiva tem uma melhora, o dado anterior previa um crescimento de 0,30%.
Aumento do desemprego e fechamento de postos de trabalho – O aumento do desemprego nos últi¬mos meses no Brasil tem sido afe¬tado pela situação conjuntural da econo¬mia e pela prática de políticas um tanto controversas, somadas às incertezas que predominam no cenário econômico. Os empresários estão cautelosos com seus negócios. O último resultado levantado na Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílios (PNAD) contínua, do IBGE, mostra que são 11,1 milhões de desem¬pregados no Brasil atualmente, o maior número desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012. No corte por atividades pesquisadas na PNAD contínua, o setor da indústria bateu recorde e fechou 1,5 milhão de postos de trabalho entre janeiro e março. No setor das atividades de comunicação, informação, imobiliárias e financeiras, 656 mil pessoas foram demitidas no pe¬ríodo de um ano. Já na construção civil, são 91 mil vagas a menos. O comércio sofreu com 280 mil demis¬sões no primeiro trimestre, aumento de 4,8% no fechamento de postos em com¬paração com o mesmo trimestre do ano passado. A parcela da força de trabalho em atividade, a População Economi¬camente Ativa (PEA), aumentou 1,8%, comparativamente ao mesmo trimestre do ano passado, e 0,4% sobre o último tri¬mestre de 2015, grande parte em razão do volume de pessoas que estão em busca de trabalho, mas não encontram alocação.
Reforma da Previdência II – Este texto é uma continuação do que remeteu ao seminário na FGV (RJ) sobre Reforma da Previdência, ocorrido no dia 4 de abril. Ainda com o sentido de fazer aqui um ar¬razoado das palestras, pode-se dizer que houve um núcleo comum de ideias, ob¬servações e constatações entre os expo-sitores. Em primeiro lugar, a abrangência do tema, bem como sua complexidade. Diante da magnitude do tema, o debate precisa ser temporal e sustentável, assim como ser desenvolvido numa narrativa de convencimento e de credibilidade, para que a sociedade possa entendê-lo. Poderá haver contradições, exceções, sim; mas estas precisam ser reduzidas. Não bastas¬se, as pessoas precisam saber que haverá ônus e bônus, custos e benefícios. No sistema de repartição, os inativos serão bancados pelos trabalhadores da ativa. Como a solução dos principais problemas da Previdência passa também por como é feito o orçamento público, as propostas de reforma assumem forte viés político. A preponderância do fator político explica por que os especialistas já apontaram as causas do déficit, não faltam diagnósticos assemelhados dos problemas, assim como propostas para mudar a Previdência; entretanto, a situação das contas pouco evolui, e o déficit tende a agravar-se – se¬gundo projeções, se nada for feito, pode se tornar inviável. Graças ao fator político, a complexidade dos problemas afeta a velocidade por so¬luções, que se dão num ritmo aquém do crescimento do desequilíbrio financeiro, da mesma maneira que a dinâmica do mercado de trabalho e dos novos arranjos familiares também interfere.
Norma de Responsabilidade Social – O termo Responsabilidade Social (RS) vem sendo utilizado em vários sen¬tidos e permite muitas interpretações. A RS está intrinsecamente relacionada aos indivíduos, à responsabilidade perante os outros a quem, direta ou indiretamente, consciente ou inconscientemente, estamos ligados e em quem nossas escolhas, decisões e ações possam causar impactos. A partir dos anos 1990, surgiu uma nova visão sobre a Responsabilidade Social: a que se materializa por meio de políticas, estratégias e ações que visam, em última instância, contribuir para o Desenvolvi¬mento Sustentável (DS). E, para que o desenvolvimento seja sustentável, passa a ser necessária uma revisão de crenças e valores que embasam as ações sociais de todas as organizações, bem como o desenvolvimento de novos modelos de atuação dos diferentes atores sociais. Em 2010, a International Organization for Standardization (ISO), entidade que coordena a elaboração de normas téc¬nicas internacionais de diversos assuntos, publicou a ISO 26000 – Diretrizes sobre Responsabilidade Social. O entendimento é que Responsabilidade Social aplica-se a todos os tipos e portes de organizações: privadas, públicas ou organizações sem fins lucrativos, sejam elas pequenas, médias ou grandes. Por organização, entende-se qualquer entidade ou grupo de pessoas e instalações com um conjunto de respon¬sabilidades, autoridades e relações e com objetivos identificáveis. A partir da elaboração desta norma inter¬nacional, passou-se a adorar o termo Res¬ponsabilidade Social, sem complementos. A definição cunhada pela ISO 26000, e também adotada na norma brasileira ABNT NBR 16001, é a de que a Respon¬sabilidade Social: “é a responsabilidade de uma organização pelos impactos de suas decisões e atividades na socieda¬de e no meio ambiente, por meio de um comportamento ético transparente que: – contribua para o desenvolvimento sustentável, inclusive para a saúde e o bem-estar da sociedade; – leve em consideração as expectativas das partes interessadas; – esteja em conformidade com a legislação aplicável; – seja consistente com as nor-mas internacionais de comportamento; e – esteja integrada em toda a organização e seja praticada em suas relações”.