Destaque da edição:
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Sinais trocados – Na última reunião, o Copom surpreendeu com a sua decisão de manter a Selic no patamar de 14,25% ao ano. No dia anterior ao comunicado, em nota à imprensa, a instituição expressou preocupação com a revisão negativa para o PIB brasileiro, feita pelo FMI, sinalizando uma mudança de postura do Banco Central em relação à condução da política monetária. Ao justificar a decisão, a nota do Copom atribuiu à “elevação das incertezas domésticas e, principalmente, externas”. Essas condições foram enfatizadas também na Ata da reunião, divulgada na semana seguinte. De fato, enquanto que no cenário interno as turbulências políticas e a deterioração das contas públicas em meio ao recrudescimento da recessão aumentam os riscos e as incertezas, no cenário externo temos também as dúvidas em relação à economia chinesa, acompanhadas por um forte recuo nos preços das commodites. Contudo, o controle da inflação, o mandato principal do Banco Central do Brasil, está mais longe. Desde novembro de 2015,dois membros do comitê têm votado pela elevação da taxa de juros. Em 2015, a inflação atingiu o patamar de dois dígitos, alcançando 10,67% no ano, o maior resultado desde 2002. Cumprindo decreto definido pelo CMN em 1999, o presidente do Banco Central publicou em carta aberta ao ministro da Fazenda as razões do estouro da meta: o realinhamento dos preços administra¬dos em relação aos preços livres e o realinhamento dos preços comercializáveis em relação aos preços internacionais, por meio da correção cambial. Esses ajustes se mostraram mais intensos do que o esperado, fazendo com que o Banco Central, corretamente, alongasse o período de convergência da trajetória de inflação para a meta central de 4,5%para 2017, admitindo seu descumpri¬mento também em 2016.
Outras matérias:
As consequências dos BRICS – Em um artigo disponibilizado em janeiro deste ano pelo Banco Mundial, com as Perspectivas para a Economia Global, foi feito um estudo sobre a economia dos países pertencentes aos BRICS e o quanto ela pode interferir na economia global. Segundo o estudo, uma queda de 1% na economia dos BRICS ocasionaria uma redução de 0,8% nos países emergentes e de 0,4% na economia global dos dois anos seguintes. O impacto estimado para os países do G7 não foi estatisticamente significativo. Uma das explicações dadas no trabalho para esta falta de correlação foi a resposta desses Bancos Centrais aos choques externos, com uma política monetária acomodativa. Além do mais, esses países, como importadores de petróleo, tendem a se beneficiar da queda nos preços deste produto, que ocorre quando há desaceleração na economia dos BRICS. Uma queda no G7 levaria a uma queda, em dois anos, nos países emergentes em um terço maior do que se esta queda tivesse sido nos BRICS. Os países do G7 explicam 30% da variação no PIB dos países emergentes, enquanto os resultados dos BRICS explicam 10%. Dentre 2010 e 2014, os BRICS contribuíram com 40% do crescimento global, acima da influência de 10% nos anos 1990. Atualmente, esses países correspondem a dois terços das atividades dos países emergentes e mais de um quinto da atividade global, tanto quanto os Estados Unidos e mais do que a Zona do Euro. Somente o mercado emergente é responsável por 32% das transações internacionais; em 1994 essa proporção era de 16%. Dentre 2000 e 2014, os países emergentes receberam em média 30% do Investimento externo direto global, sendo os BRICS responsáveis por dois terços dessa proporção.
Empresário do comércio inicia 2016 relativamente mais confiante – Após registrar a mínima histórica em dezembro, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) atingiu 80,9 pontos em janeiro, aumento de 4,4% em relação a dezembro, considerando os ajustes sazonais. Esse resultado foi influenciado por aumentos nos subíndices que medem as expectativas (+5,5%) e as intenções de investimentos (+4,2%). Por outro lado, o subíndice da avaliação das condições correntes caiu (-1,5%) na passagem de dezembro para janeiro. Em relação a janeiro de 2015, o Icec reduziu 23%, refletindo a deterioração do mercado de trabalho e a retração da atividade do comércio, observadas ao longo do ano passado. Segundo o IBGE, o volume de vendas do comércio varejista no conceito restrito caiu 4,3% em 2015, enquanto no conceito ampliado, que inclui os segmentos de veículos e materiais de construção, a queda acumulada no ano foi de -8,6%. No caso do varejo restrito, o resultado foi o pior registrado na série histórica do Instituto, iniciada em 2011, e a primeira queda do volume de vendas do comércio desde 2003. No varejo ampliado, a redução das vendas é a maior desde 2005. O subíndice que mede as condições correntes (Icaec) do Icec alcançou 40,3 pontos, reduzindo 1,5% em janeiro. A queda na base de comparação mensal é a menor observada nos últimos seis meses. No ano, a variação do Icaec foi negativa em -46,6%. A percepção dos varejistas quanto às condições atuais continua negativa, especialmente concentradas na avaliação ruim sobre a economia. Para 94,4% dos comerciantes do varejo, a economia piorou na passagem do ano. Em dezembro, esse percentual chegou a 95,7.
Sem maiores perspectivas – A revisão das projeções sobre o comportamento da economia brasileira em 2015, 2016 e 2017, feita pelo FMI recentemente, coloca o Fundo em linha com as estimativas geradas pelo mercado financeiro nacional. Assim, os cenários elaborados, que antes consideravam uma trajetória ainda pouco otimista, a partir de agora os indicadores ficaram mais realistas e próximos do que está por se medir. A instituição que antes previa contração do PIB brasileiro de -3,0% em 2015, no momento acredita que esta venha a ser mais profunda, de -3,8%. Para o exercício que se inicia, não há perspectivas de recuperação. Pelo contrário, o FMI passou a esperar que ao invés de -1%, a economia brasileira possa vir a encolher mais, algo perto de -3,5%. E para 2017, se antes estimava expansão de 2,3%, pelo menos por enquanto a instituição vislumbra o Brasil revelando estagnação daqui a um ano, com crescimento nulo, de zero por cento. No site da revista The Economist, em http://www.economist.com/incdicators, as informações estatísticas, revisadas em 21 de janeiro, sobre mais de cinquenta países, põem o Brasil numa situação delicada, não só em termos de queda do nível de atividade, como em relação ao que acontece com o resto do mundo. Isso porque neste grupo somente quatro economias possuem estimativas com PIB negativo; e a do Brasil é uma delas. Enquanto de certa forma a economia internacional esforça-se em crescer, o Brasil segue caminho oposto e cai num vale.