Destaque da edição:
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Investimento e logística – Para sair do imobilismo em que se encontra em face de um ambiente de economia estagnada e desemprego em alta, o Executivo Federal propõe agora um novo Programa de Investimento em Logística (PIL). Esse Programa retoma em parte o anterior de 2012, centrado em rodovias e ferrovias, iniciativa que infelizmente quase nada avançou. As grandes obras públicas são, em sua maioria e por definição, projetos de investimento bastante complexos. O estudo de viabilidade econômica está fundamentado em projeto básico, porém, entre este e o projeto executivo podem surgir importantes diferenças de ordem técnica. Em nosso caso, há inúmeros registros de atrasos no início e na execução dos trabalhos, seja porque a licença ambiental demora a ser concedida, seja porque a obra em questão passa necessariamente por terras indígenas ou, ainda, obstáculos de ordem técnica, como seria, por exemplo, a adversa natureza do solo. Do leque de projetos que formam o PIL 2, a maioria, vale insistir, se desdobra no tempo e pode haver reticência dos investidores em aceitar riscos numa perspectiva de longo prazo. Contudo, é possível identificar alguns projetos, especialmente os rodoviários, com concessões em andamento ou licitações aprovadas, que podem ter um tempo de maturação mais rápido, com reflexos mais imediatos sobre a atividade econômica. Seja como for, será preciso bem mais do que o anúncio de um novo programa de investimentos em infraestrutura para induzir a reversão de expectativas e acender o “espírito animal” do empresário privado, capaz de impulsionar uma nova fase de expansão da economia nacional.
Outras matérias:
A economia na América Latina e no Caribe – Na última semana de julho, a Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) divulgou seu documento anual Estudo Econômico da América Latina e Caribe, no qual avalia o desempenho da economia regional durante 2014 e no primeiro semestre de 2015. O documento contém considerações sobre a dinâmica do investimento nos países latino-americanos e sua relação com os ciclos econômicos, como também sobre o papel do investimento público, as carências em infraestrutura, e os desafios de financiamento do investimento privado.
O relatório aponta para a grande escassez de infraestrutura em todos os setores econômicos analisados, embora a situação seja heterogênea nos países. Pontua ainda que o acesso das empresas ao financiamento é limitado na região como um todo, o que restringe a capacidade produtiva e o crescimento das organizações. Os desafios futuros para retomar um crescimento mais vigoroso estão principalmente em dinamizar o processo de formação bruta de capital, como concluiu o estudo, que está disponível, na íntegra, no sítio eletrônico da Cepal, um Organismo das Nações Unidas.
Indústria recua pelo 16º mês – Segundo os últimos dados disponibilizados pelo IBGE, a produção industrial retraiu 0,3% em junho deste ano, após três quedas consecutivas em fevereiro (-1,4%), março (-0,8%) e abril (-1,4%) e crescimento de 0,6% em maio de 2015. Em junho de 2014, também houve queda em relação a maio, com uma variação negativa de 1,3%. Desde o início do ano passado, este foi o décimo primeiro mês com retração. Em comparação com o mês imediatamente anterior, dados com ajuste sazonal. A Indústria extrativa também recuou, 0,2%. Este foi o segundo resultado negativo no ano para este setor. Enquanto a de Transformação recuou 0,1%, após crescer 0,6% em maio de 2015. Houve queda na maioria das categorias de uso analisadas, sendo Bens de capital o maior destaque (-4,4%). A única exceção foi para Bens de consumo, onde houve estabilidade.
Importância imprescindível – As informações recentes divulgadas pela Secretaria da Micro e Pequena Empresa (SMPE) endossam a importância estratégica e cada vez mais imprescindível do papel das micros e pequenas empresas (MPEs) no processo de desenvolvimento brasileiro, tanto no que concerne à formação de um tecido social mais equitativo e de melhor qualidade − através da geração de emprego e renda − quanto, notadamente, se leva em conta o atual momento de declínio das atividades econômicas. Os números do primeiro semestre deste ano apontam para a tendência de piora na geração de emprego, na medida em que as vendas caem, os investimentos são adiados, suspensos, a incerteza de empresários e consumidores com relação ao futuro vai-se disseminando e a inflação resiste em ceder, fator determinante para a manutenção dos juros reais altos. Apesar da conjuntura em declínio com o arrefecimento do mercado e seus efeitos adversos sobre o nível de ocupação, mesmo assim as MPEs conseguiram gerar 116.501 vagas de trabalho. Em contrapartida, as médias e grandes em apenas seis meses fecharam mais postos do que em todo o curso de 2014, imprimindo um ritmo mais acelerado nas demissões do que em 2013. Ao todo, os desligamentos realizados somaram 476.680 pessoas, 31,5% a mais do que os postos eliminados ano passado.