Discussões na 8ª Reunião Plenária do Comitê Técnico ISO/TC 323 Economia Circular tratam de referências de governança, eficiência de recursos e novos modelos de negócio para empresas de diversos setores
A construção das futuras normas internacionais de economia circular avançou na 8ª Reunião Plenária do Comitê Técnico ISO/TC 323, realizada em Lima, no Peru, no período de 12 a 16 de outubro. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) participou como integrante da delegação brasileira, reforçando a representação do setor produtivo nas discussões que devem orientar práticas empresariais e referências de mercado nos próximos anos.
A especialista em Sustentabilidade da CNC, Thainy Bressan, representou a entidade no encontro remotamente e acompanhou os trabalhos do Grupo de Trabalho 2 (Working Group 2 – WG2), responsável pelo desenvolvimento de normas relacionadas à transição para a economia circular e à organização de redes de valor circulares.
A presença da Confederação nos fóruns técnicos da Organização Internacional de Normalização (ISO) integra a estratégia da entidade de acompanhar tendências globais e contribuir para que as particularidades do ambiente empresarial brasileiro sejam consideradas na construção de referências internacionais com potencial de impacto em cadeias produtivas, investimentos e modelos de negócio.

Avanço das normas da série ISO 59000
Na plenária, o WG2 concentrou suas atividades em duas frentes prioritárias. A primeira foi a revisão da ISO 59010, norma que estabelece diretrizes para apoiar organizações na transição de modelos de negócios e redes de valor para a economia circular.
As discussões apontaram formas de tornar o documento mais aplicável a diferentes setores econômicos, ampliar sua integração com sistemas de gestão já utilizados pelas empresas e fortalecer orientações relacionadas à melhoria contínua e à geração de valor circular.
A segunda frente foi a futura ISO 59011, que trará diretrizes para a organização e governança das chamadas Redes de Valor Circular (Circular Value Networks). Entre os assuntos debatidos, estiveram a determinação de responsabilidades entre os participantes dessas redes, os mecanismos de compartilhamento de valor, a governança colaborativa e os critérios para avaliação de desempenho sem dupla contagem de resultados.
Impactos no comércio, nos serviços e no turismo
As normas internacionais de economia circular buscam criar uma linguagem comum para apoiar organizações na incorporação dos princípios da circularidade em suas estratégias, operações e cadeias de valor. A proposta é estimular modelos de produção e consumo capazes de reduzir desperdícios, prolongar o uso de produtos e materiais e aumentar a eficiência na utilização dos recursos.
Para os setores do comércio, serviços e turismo, a agenda abre espaço para novos modelos de negócio, ganhos de produtividade e melhor aproveitamento de recursos, além de contribuir para atender às crescentes demandas de consumidores, investidores e reguladores por práticas mais sustentáveis.
No comércio, os princípios da circularidade podem ser aplicados em iniciativas como logística reversa, reutilização de materiais, redução da geração de resíduos e extensão da vida útil dos produtos. No setor de serviços, ganham relevância modelos baseados em compartilhamento, manutenção e recuperação de ativos. Já no turismo, a adoção dessas práticas favorece uma gestão mais eficiente de recursos e o fortalecimento de destinos mais resilientes e sustentáveis.
Representação brasileira nas discussões internacionais
Ao acompanhar o desenvolvimento das normas da série ISO 59000, a CNC contribui para aproximar o debate internacional da realidade empresarial brasileira, fortalecendo a competitividade dos setores representados pela Confederação e ampliando o acesso a informações estratégicas relacionadas às tendências regulatórias e de mercado.
Segundo Thainy Bressan, a economia circular deixou de ser uma pauta restrita à sustentabilidade ambiental para assumir papel relevante na estratégia das organizações.
“As normas internacionais de economia circular têm potencial para orientar organizações de diferentes setores na adoção de práticas mais sustentáveis e eficientes. A participação da CNC nesses fóruns fortalece a representação dos setores do comércio de bens, serviços e turismo em discussões que poderão influenciar estratégias empresariais, cadeias de valor e futuras referências de mercado. Além disso, permite que acompanhemos de perto a evolução de temas cada vez mais relevantes para a competitividade e a sustentabilidade dos negócios”, avaliou.