CEO da Equity Group e CVO da Bossainvest defende que educação, clareza na gestão e revisão de práticas empresariais são fundamentais para transformar tecnologia em resultados
A inteligência artificial (IA) amplia as possibilidades de crescimento das empresas, mas não substitui o conhecimento necessário para tomar decisões estratégicas. Esse foi um dos principais pontos da palestra “Como Performar Mais?”, ministrada por João Kepler, CEO da Equity Group e CVO da Bossainvest, durante a segunda edição do Tech Day. Kepler destacou os desafios enfrentados pelos empresários para melhorar resultados, identificar falhas na gestão e adaptar os negócios às transformações tecnológicas.
O evento, promovido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), reúne especialistas e executivos de gigantes da tecnologia para discutir as transformações que estão redefinindo os negócios, as relações de consumo e o futuro do trabalho.
Durante a apresentação, Kepler chamou a atenção para os pontos cegos que comprometem o desempenho das empresas, como a insistência em estratégias que não funcionam, a dificuldade de abandonar práticas antigas, a precificação inadequada e a falta de planejamento de longo prazo. Para o palestrante, o primeiro passo para superar esses obstáculos é desenvolver conhecimento e clareza sobre o próprio negócio.
“Nenhuma tecnologia pensa por você. Ela potencializa o que você tem. Se você tem clareza, ela acelera. Se você está confuso, ela amplifica a confusão”, sintetizou.
O empresário também destacou a importância da educação para que os empreendedores utilizem melhor as ferramentas disponíveis e façam perguntas mais estratégicas. Segundo os dados apresentados na palestra, 52% dos pequenos empreendedores brasileiros utilizaram inteligência artificial nas duas semanas anteriores à pesquisa, enquanto, nos Estados Unidos, o percentual foi de 21%. Os números são da pesquisa Transformação Digital nos Pequenos Negócios 2026, realizada pelo Sebrae e pelo Meta Instituto de Pesquisa, com 7.182 entrevistados entre março e maio, e de dados do U.S. Census Bureau.

Os pontos cegos da gestão
Entre os obstáculos destacados por Kepler está a insistência em modelos de negócio que já não apresentam resultados. Com a metáfora de continuar investindo em um cavalo que está morrendo, ele alertou para o risco de gastar tempo e recursos tentando recuperar estratégias que precisam ser substituídas.
Outro ponto é a confusão entre estar ocupado e ser produtivo. Na avaliação do palestrante, a rotina de urgências e a pressão por resultados imediatos podem impedir que o empresário identifique gargalos, organize processos e desenvolva uma visão de longo prazo.
A precificação também foi apontada como um desafio. Segundo Kepler, decisões baseadas no medo, na comparação com concorrentes ou em estimativas imprecisas podem comprometer a rentabilidade. Para ele, é necessário considerar custos reais, margem, impostos, comissões e valor percebido pelo cliente. “Venda sem lucro não é crescimento”, destaca a apresentação.
O palestrante também chamou a atenção para a resistência a mudanças, a preparação excessiva que impede a abertura para novas ideias, a ausência de acordos claros entre sócios e a tendência de ouvir apenas opiniões que agradam. Esses comportamentos, somados à desorganização e à falta de paciência para construir resultados consistentes, podem limitar o desenvolvimento das empresas.
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Clareza para tomar decisões e performar mais
Para identificar esses problemas, Kepler recomendou que os empresários se afastem da rotina operacional e analisem o negócio de forma mais ampla. Entre as questões que precisam ser examinadas estão os pontos em que o dinheiro entra e sai, as atividades que dependem exclusivamente da presença do dono, os erros repetidos ao longo dos anos e a qualidade das informações recebidas para orientar decisões.
Na avaliação do executivo, a tecnologia pode acelerar processos e ampliar resultados, mas não corrige falhas que permanecem invisíveis para quem administra a empresa. Por isso, a capacitação e o acesso a informações práticas são fundamentais para que os empreendedores compreendam suas necessidades e identifiquem soluções adequadas.

A proposta se conecta ao Performe Mais, plataforma voltada ao fortalecimento de micro, pequenas e médias empresas dos setores de comércio de bens, serviços e turismo. A iniciativa do Sistema Comércio reúne capacitação, ferramentas de gestão e benefícios comerciais em um ambiente integrado ao sistema de representação empresarial.
O portal oferece cursos de qualificação com certificação, e-books, modelos práticos no Kit do Empresário e acesso a condições e descontos junto a parceiros de tecnologia, meios de pagamento e vendas, como InfinitePay, Papo.ai, Vendoor e Cartão de Todos. A plataforma também prevê estruturas personalizadas para Federações e Sindicatos, aproximando as soluções da realidade dos empresários em cada estado.
Ao encerrar a palestra, Kepler ressaltou a importância de oferecer orientação objetiva, que ajude o empreendedor a enfrentar desafios concretos, como melhorar o fluxo de caixa, vender com rentabilidade e organizar a operação. A proposta é transformar conhecimento em ações aplicáveis ao cotidiano dos negócios, com ferramentas práticas e acompanhamento contínuo.
Conheça a plataforma: https://performemais.portaldocomercio.org.br/
O Tech Day, realizado em 14 de outubro no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, conecta empresários, profissionais e representantes do Sistema CNC-Sesc-Senac às principais tendências da economia digital. Ao longo do dia, lideranças de empresas como Amazon, Google Cloud, Microsoft, Meta, Mercado Livre, Stone, Uber e iFood compartilharão experiências e estratégias relacionadas com inovação, produtividade, inteligência artificial e competitividade empresarial.