Durante evento da CNC, Silvia Penna, diretora-geral da Uber no Brasil, destacou como a inovação aplicada às necessidades cotidianas amplia a mobilidade, cria oportunidades de renda e impulsiona a economia.
A inovação nem sempre está à vista. Muitas vezes, ela se manifesta na solução de problemas cotidianos, facilitando tarefas e ampliando possibilidades sem que as pessoas percebam a tecnologia por trás delas. Essa foi uma das principais mensagens de Silvia Penna, diretora-geral da Uber no Brasil, durante palestra no Tech Day 2026 da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Com formação em Engenharia Civil, Silvia enfatizou a importância de transformar ideias em soluções concretas, capazes de atender às necessidades dos usuários e ganhar escala. “Inovação, na verdade, é aquilo que você não vê. É aquilo que capturou uma necessidade do dia a dia das pessoas e resolve de modo invisível, de maneira que você não percebe”, afirmou.
Ao recordar o início das operações da Uber no Brasil, a executiva citou os 500 motoristas e os 25 mil usuários registrados no primeiro mês. A trajetória da empresa, segundo ela, demonstra como uma proposta inovadora pode crescer a partir da execução. “A inovação, ela acontece, as pessoas põem a mão na massa para executar e depois ela escala.”
Atualmente, mais de 140 milhões de brasileiros já utilizaram a plataforma, enquanto mais de 5 milhões de pessoas geraram renda por meio do aplicativo. No País, foram realizadas 17 bilhões de viagens, com R$ 225 bilhões repassados aos parceiros da empresa.
“O que brilha meus olhos é o impacto que a Uber gera na vida de milhões de brasileiros. É uma responsabilidade muito grande pensar que a gente desenvolve cada dia mais inovações, produtos, ideias que impactam a vida de tantas pessoas, pela mobilidade e pela geração de renda”, destacou.
Acesso: mobilidade que amplia possibilidades
Para Silvia, a mobilidade vai além do deslocamento entre dois pontos: ela permite que as pessoas acessem oportunidades de trabalho, educação e participação na vida econômica. Nesse contexto, a plataforma contribui para aumentar as possibilidades de circulação, especialmente para quem enfrenta limitações de transporte em determinados horários.
“A gente vê milhões de mulheres que não queriam trabalhar à noite, não queriam estudar à noite e que descobriram que com essa complementariedade do transporte urbano poderiam, sim, se movimentar”, relatou.
A executiva também destacou a diversificação dos serviços oferecidos pela empresa, que inclui diferentes modalidades de transporte e soluções voltadas a públicos com necessidades distintas, como o Uber Mulher, dentro de uma estratégia de desenvolvimento de produtos orientada às demandas dos usuários.
A ampliação do acesso, segundo a perspectiva apresentada na palestra, depende de compreender as barreiras enfrentadas pelas pessoas e desenvolver alternativas que tornem os deslocamentos mais viáveis.
Conforto: soluções para as necessidades dos usuários
A busca por comodidade também esteve entre os pontos centrais da apresentação. Ao abordar a evolução dos serviços da empresa, Silvia ressaltou que a inovação deve acompanhar as transformações das necessidades dos usuários, desde as diferentes modalidades de transporte até as soluções destinadas ao mercado corporativo (B2B). “A gente cresce usando a inovação para trazer o produto certo para o usuário certo na hora certa”, explicou.
A executiva relacionou o conforto à produtividade: quando o deslocamento se torna mais simples e adequado às necessidades de cada pessoa, o tempo e os recursos podem ser utilizados de maneira mais eficiente. A proposta, portanto, é desenvolver soluções que facilitem a rotina e contribuam para uma experiência de mobilidade mais conveniente.
A experiência da pandemia de covid-19 foi um dos exemplos apresentados para demonstrar como a observação das necessidades dos usuários pode levar à criação de novos serviços. “O mundo parou, mas a Uber não parou”, lembrou Silvia ao falar sobre 2020.
Naquele período, a empresa buscou adaptar suas operações ao contexto de restrições sanitárias, apoiando iniciativas como o transporte de doações e de doadores a bancos de sangue, sem incentivar deslocamentos desnecessários.
Uma das iniciativas surgiu a partir de uma campanha de Dia dos Namorados, quando a impossibilidade de estar fisicamente próximo de alguém levou à criação de alternativas para o envio de presentes. A experiência abriu caminho para o desenvolvimento do Uber Envios (antigo Uber Flash), serviço que passou a atender à necessidade de transportar objetos de um lugar a outro.
O episódio ilustra como uma resposta a uma circunstância específica (mesmo uma crise global) pode se transformar em um produto duradouro. Para Silvia, o princípio é manter o foco no usuário e nas demandas de cada contexto: “Sempre pensar no nosso usuário e a solução para aquele momento”.
Geração de renda: impacto na economia brasileira
A geração de renda foi outro eixo importante da palestra. Silvia destacou “milhões de motoristas utilizam a Uber, seja para complementar a renda, seja como forma de renda principal”, ressaltou. Silvia destacou o efeito dos investimentos da empresa sobre a economia brasileira: “Cada R$ 1 que a Uber investe no Brasil é revertido em quase R$ 13 na economia”.
Na avaliação da executiva, a mobilidade também exerce um papel econômico mais amplo. Ao facilitar o deslocamento de pessoas, os serviços de transporte contribuem para conectar consumidores, trabalhadores e estabelecimentos, movimentando diferentes atividades e setores.
Silvia também mencionou os investimentos em centros tecnológicos e a valorização da capacidade profissional do País. “Usamos o talento brasileiro para criar aqui e seguir no mundo”, declarou, ressaltando a contribuição de equipes locais para o desenvolvimento de soluções com potencial de aplicação em outros mercados.
A segurança também apareceu entre os temas comentados, com destaque para a integração com forças policiais, incluindo iniciativas de cooperação com a Polícia Militar no Rio de Janeiro.
Inteligência artificial como catalisadora da inovação
Ao encerrar a apresentação, Silvia falou sobre o papel da inteligência artificial (IA) no desenvolvimento de novos produtos e na transformação das operações empresariais. Para ela, a tecnologia representa uma oportunidade de acelerar processos de inovação e modificar a forma como as organizações trabalham.
“2026 é o ano da implementação”, afirmou a executiva, ao destacar a importância de transformar o potencial da tecnologia em aplicações concretas. “A IA é um desses grandes catalisadores de inovação que permitem que siga inovando, facilitam a inovação e mudam, de fato, como todo mundo opera.”
A mensagem final reforçou a ideia central da palestra: a inovação ganha relevância quando deixa de ser apenas uma possibilidade tecnológica e se converte em soluções capazes de responder às necessidades das pessoas, ampliar oportunidades e gerar impacto econômico – muitas vezes, sem que o cliente/usuário perceba.