CNC leva ao presidente Lula impactos das bets sobre comércio e famílias

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Em reunião no Palácio do Planalto, Confederação defendeu maior controle das apostas on-line, combate às plataformas ilegais e regras mais rígidas para o setor

O avanço das apostas on-line e seus efeitos sobre o consumo, o endividamento das famílias e o comércio levaram a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) ao Palácio do Planalto na terça-feira (1°). Representando o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o vice-presidente financeiro da Confederação, Leandro Domingos Teixeira, defendeu junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva medidas mais rigorosas de controle e fiscalização.

O encontro reuniu representantes do governo federal, do setor produtivo e de organizações da sociedade civil. Também participaram o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, ministros e representantes de entidades como CNI, Febraban, CNBB, Dieese, Idec, Abrasco e Instituto Alana.

Durante a reunião, Leandro Domingos destacou que a CNC passou a acompanhar de forma mais aprofundada o mercado de apostas a partir de relatos de empresários, especialmente de pequenos negócios, sobre mudanças no comportamento dos consumidores. Segundo ele, comerciantes começaram a perceber aumento da inadimplência e redução do consumo, associando parte desse movimento aos gastos com jogos on-line.

“Isso é dinheiro que sai da nossa economia e deixa de circular no comércio”, afirmou o vice-presidente. Ele ressaltou que os valores movimentados pelas plataformas não correspondem ao lucro das empresas, uma vez que incluem os recursos posteriormente pagos em prêmios.

Foto: Ricardo Stuckert

Impacto no consumo

Leandro apresentou ao presidente da República dados levantados pela área econômica da CNC para dimensionar os efeitos das apostas sobre a atividade comercial. “De janeiro de 2023 a março de 2026 os gastos chegaram perto de 700 bilhões de reais, sendo que no ano passado esse gasto foi de 320 bilhões de reais o ano todo”, ressaltou o vice-presidente.  

Segundo estudo da Confederação, os jogos on-line já representam um volume expressivo quando comparados ao faturamento do varejo e disputam recursos do orçamento das famílias que poderiam ser destinados à compra de bens e serviços.

“Os impactos ultrapassam a atividade econômica. O avanço das apostas pode contribuir para o endividamento das famílias e comprometer recursos destinados às necessidades básicas, além de produzir consequências sociais que exigem atenção do poder público”, completou Leandro.

Mais controle e fiscalização

Entre as medidas defendidas pela CNC estão o fortalecimento do combate às plataformas clandestinas, maior articulação entre os órgãos responsáveis pela fiscalização e a redução ou limitação do número de plataformas de apostas autorizadas a operar no País.

A Confederação também propõe maior controle sobre os valores apostados e sobre quem pode participar dos jogos, além do endurecimento das regras de publicidade e marketing. Outro ponto apresentado foi a criação de uma estrutura voltada à prevenção e ao tratamento das pessoas afetadas pelo vício em apostas.

A CNC defendeu ainda fiscalização rigorosa das apostas on-line e maior tributação da atividade como instrumentos para desestimular seu avanço e compensar parte dos impactos provocados à sociedade e à economia.

“Há necessidade de melhorar os mecanismos de governança do Estado, com articulação mais eficiente de seus órgãos controladores”, afirmou o vice-presidente Financeiro da CNC.

Ao final do encontro, o presidente Lula afirmou que o governo deverá avaliar medidas mais duras em relação às bets. O presidente disse que o tema exige uma decisão capaz de enfrentar os impactos das apostas sobre as famílias e a economia. O governo também reconheceu a necessidade de ampliar os mecanismos de fiscalização das plataformas.

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