Evento, promovido pela Fecomércio-RS, debate política, economia e os caminhos para 2026
A cidade de Bagé recebeu, nesta quinta-feira (27/08), a 5ª edição do ano do Giro pelo Rio Grande. O evento gratuito, promovido pela Fecomércio-RS, tem como tema “Brasil em pauta: política, economia e os caminhos para 2026” e propõe uma reflexão qualificada sobre o momento que o País atravessa e as perspectivas que se desenham para o futuro.
Na oportunidade, o presidente da Federação, Luiz Carlos Bohn, destacou o importante significado do encontro, que acontece em um momento em que o Brasil se prepara para escolhas decisivas. “É o momento de a sociedade civil, o empresariado e os formadores de opinião debaterem os rumos do nosso estado e da nossa nação. 2026 é um ano de decisão. O Brasil irá às urnas para eleger seus governantes. E essas escolhas terão consequências para a economia, para o ambiente de negócios e para a qualidade de vida da população nos próximos anos”.
Bohn ainda citou o trabalho desenvolvido pela entidade na defesa do setor e em prol do desenvolvimento do Rio Grande do Sul. “A Fecomércio-RS tem atuado com firmeza na defesa de uma agenda que permita o desenvolvimento de empresas e pessoas. Essa não é uma pauta partidária. Não importa quem for o vencedor das eleições, o Brasil precisará enfrentar desafios estruturais e o setor produtivo estará presente, como sempre esteve, reivindicando compromissos e apontando soluções”.
O presidente do Sindilojas Bagé, Nerildo Lacerda, agradeceu a presença de todos e reforçou o trabalho desenvolvido pelo Sistema, falando sobre o investimento de mais de R$ 3,5 milhões na implantação de uma estrutura no Senac para oferecer qualificações na área de gastronomia.
O debate contou com as análises do cientista político Fernando Schuler, do economista Marcelo Portugal e do diretor-executivo do Instituto Fecomércio-RS de Pesquisa (IFEP), Lucas Schifino, em um painel mediado pelo jornalista Guilherme Baumhardt.
Inicialmente, Portugal fez um breve resgate histórico das medidas econômicas dos últimos anos, afirmando que o desafio atual é fazer o Brasil caber dentro do próprio orçamento. “Em termos de produtividade, estamos ficando para trás”.
Já Schifino citou o último estudo realizado pelo IFEP, que apontou que Rio Grande do Sul registrou o menor crescimento econômico entre todos os estados brasileiros entre 2002 e 2023. O levantamento busca identificar os fatores que explicam a trajetória da economia gaúcha nas últimas duas décadas e apontar caminhos para a retomada do crescimento da renda e da produtividade. Para o dirigente, além das questões apontadas no material, a educação é um dos pontos centrais, enquanto fator de desenvolvimento do estado.
Na fala de Schuler, o problema fiscal foi o ponto central. O cientista político lembrou que o Brasil tem o Legislativo mais caro do mundo, com R$ 60 bilhões em emendas, assim como o Poder Judiciário que tem um custo de 1,5% do PIB, enquanto a média mundial é de 0,3 e 0,4%, além de um Executivo que faz dívidas. “Precisamos de uma liderança que queira fazer reformas. Todas as mudanças que precisam ser feitas para ajustar o País, aumentar a produtividade e buscar o equilíbrio fiscal são duras e difíceis”.
No mesmo tema, Portugal acredita que o problema de ajuste fiscal é eminentemente político. “O problema é que na área fiscal, nós não criamos essa ojeriza ao déficit. E nesse contexto, a arte de articulação política é muito importante. Hoje há uma briga entre os poderes”.
O Giro pelo Rio Grande é uma iniciativa do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP que percorre diferentes regiões do Estado promovendo debates sobre temas estratégicos para o desenvolvimento econômico e social do Rio Grande do Sul. Em cada edição, especialistas e lideranças locais compartilham análises e perspectivas sobre o cenário brasileiro, aproximando o setor produtivo das discussões que impactam o futuro do estado e do País. A próxima edição acontecerá em Uruguaiana, no dia 6 de outubro.