Documento reúne propostas para ampliar a competitividade do turismo, fortalecer a conectividade, estimular investimentos, gerar empregos e consolidar políticas públicas capazes de posicionar o Brasil entre os principais destinos turísticos do mundo
O turismo brasileiro ganhou espaço no centro do debate sobre o futuro do desenvolvimento econômico nacional durante a Agenda dos Presidenciáveis 2026, realizada no dia 8 de julho, no Centro Empresarial CNC, em Brasília. Na ocasião, o Sistema CNC-Sesc-Senac entregou aos pré-candidatos à Presidência da República o documento Políticas Públicas de Turismo – Propostas e Recomendações, publicação que reúne uma agenda estruturada para orientar a formulação de políticas públicas capazes de fortalecer o turismo como vetor estratégico de crescimento econômico, geração de empregos, desenvolvimento regional e atração de investimentos.
A entrega integra a Agenda dos Presidenciáveis 2026, iniciativa do Sistema CNC-Sesc-Senac que consolida propostas do setor terciário para contribuir com a construção dos programas de governo dos futuros candidatos à Presidência da República.
As propostas do Sistema CNC-Sesc-Senac evidencia que o turismo deve ocupar posição estratégica nas políticas públicas nacionais. A publicação parte da compreensão de que investir na atividade significa impulsionar cadeias produtivas, fortalecer pequenos negócios, promover inclusão social, preservar patrimônios culturais e ambientais e estimular o desenvolvimento equilibrado das diferentes regiões brasileiras.
Leia a íntegra do documento aqui.
Construção coletiva para uma agenda nacional
O documento é resultado de um amplo processo colaborativo conduzido pela CNC, por meio do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur), envolvendo empresários, especialistas, gestores públicos, representantes da academia e entidades nacionais ligadas ao turismo.
As recomendações foram construídas a partir da escuta das diferentes realidades regionais, considerando vocações econômicas, potencialidades e desafios específicos dos destinos brasileiros. A metodologia incorporou referências internacionais, estudos técnicos e conceitos alinhados ao modelo de Destinos Turísticos Inteligentes (DTI), utilizado como referência para elevar a competitividade do turismo nacional.
A publicação também demonstra que políticas públicas consistentes exigem planejamento de longo prazo, coordenação entre diferentes níveis de governo e integração entre iniciativa privada e poder público. Por isso, as propostas procuram transformar demandas históricas do setor em recomendações estruturadas, capazes de produzir impactos permanentes sobre a economia e a qualidade dos destinos turísticos brasileiros.
“As propostas entregues aos pré-candidatos representam uma construção coletiva que reúne a visão do setor produtivo, especialistas e gestores de todo o País. Nosso objetivo é contribuir para que o turismo seja tratado como uma política de Estado, com planejamento de longo prazo, segurança jurídica e ações capazes de ampliar a competitividade dos destinos brasileiros, gerar empregos e impulsionar o desenvolvimento econômico”, afirma o diretor da CNC responsável pelo Cetur, Alexandre Sampaio.

Ao longo da publicação, a mensagem institucional da CNC ressalta que o turismo deve ser compreendido como atividade econômica e como política de desenvolvimento nacional. O documento destaca que o fortalecimento do setor depende da construção de uma agenda permanente entre governos, iniciativa privada e sociedade, capaz de garantir continuidade às ações estratégicas independentemente dos ciclos políticos.
Na mesma direção, a atuação do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur) é apresentada como elemento central na articulação entre empresários e poder público. A publicação evidencia que o Conselho estabeleceu um amplo processo de mobilização nacional para identificar prioridades, organizar informações técnicas e transformar as necessidades do setor em propostas concretas de políticas públicas voltadas ao crescimento sustentável do turismo brasileiro.
O documento também demonstra que a coordenação técnica conduzida pelo Cetur, em parceria executiva da GKS Inteligência Territorial, buscou integrar as contribuições das diferentes regiões do País, valorizando tanto as demandas nacionais quanto as especificidades locais. A proposta é que a construção coletiva fortaleça a governança do turismo e amplie a efetividade das futuras políticas públicas.
Um setor que vive seu melhor momento
As propostas chegam em um momento considerado especialmente favorável para o turismo brasileiro. Segundo o estudo elaborado pela CNC, o setor encerrou 2025 com o melhor desempenho dos últimos 14 anos, consolidando uma trajetória consistente de recuperação e crescimento após os impactos da pandemia.
As atividades turísticas passaram a representar aproximadamente 8,1% do Produto Interno Bruto nacional, enquanto o Índice de Atividades Turísticas (Iatur), divulgado pelo IBGE, registrou crescimento de 4,6% em relação ao ano anterior, alcançando o maior nível da série histórica. O resultado marcou o quinto ano consecutivo de expansão do setor.
Outro indicador destacado é o recorde histórico de visitantes internacionais. Em 2025, o Brasil recebeu 9,3 milhões de turistas estrangeiros, alta de 37% em relação ao ano anterior. O fluxo internacional gerou US$ 7,9 bilhões em receita cambial, também o maior resultado já registrado pelo País.
O turismo doméstico igualmente apresentou desempenho expressivo. Os aeroportos brasileiros movimentaram 129,6 milhões de passageiros, dos quais 101,2 milhões em voos domésticos, o maior volume da história da aviação nacional.
No mercado de trabalho, o setor respondeu pela geração de 99,9 mil vagas em 2025, com expectativa de criação de outras 92 mil em 2026. Somente na alta temporada, a projeção é de abertura de 87,6 mil empregos formais temporários, principalmente nos segmentos de alimentação, transporte e hospedagem.
Diante desse cenário, o documento defende que o turismo reúna condições para assumir protagonismo ainda maior na estratégia de desenvolvimento nacional, desde que sejam superados gargalos históricos relacionados à infraestrutura, conectividade, qualificação profissional, inovação, segurança, sustentabilidade e governança.
Agenda para o turismo do futuro
As propostas nacionais apresentadas pelo Sistema CNC-Sesc-Senac foram organizadas em 23 recomendações distribuídas em nove eixos estruturantes, considerados essenciais para elevar a competitividade dos destinos brasileiros e alinhar o País às melhores práticas internacionais. As diretrizes contemplam acessibilidade, criatividade, governança, inovação, marketing, mobilidade, segurança, sustentabilidade e tecnologia, formando uma agenda integrada voltada ao desenvolvimento do turismo de forma permanente.

Na avaliação da publicação, a competitividade dos destinos deixou de depender exclusivamente de seus atrativos naturais e culturais. Hoje, passa pela capacidade de planejamento, inovação, gestão baseada em dados, qualificação dos serviços, infraestrutura adequada e integração entre os diferentes atores envolvidos na atividade turística. O documento destaca que o chamado Turismo 5.0 exige experiências personalizadas, serviços digitais, sustentabilidade, conectividade e inteligência na gestão dos destinos.
O primeiro eixo propõe a criação de uma Política Nacional de Acessibilidade no Turismo, com normas técnicas, mecanismos de financiamento e programas de apoio para adequar equipamentos e infraestrutura turística aos princípios da acessibilidade universal. O objetivo é garantir autonomia, conforto e segurança para todos os visitantes, ampliando a inclusão e tornando os destinos brasileiros mais competitivos internacionalmente.
Já o eixo da criatividade defende o fortalecimento da economia criativa e do protagonismo das comunidades locais na construção de experiências turísticas autênticas. A proposta prevê apoio técnico e financeiro para estruturar produtos turísticos, valorizar identidades culturais, incentivar a participação social e ampliar a competitividade dos destinos por meio de experiências enraizadas nos territórios.
No campo da governança, as recomendações defendem maior integração entre setor público e iniciativa privada, ampliação do acesso ao crédito, incentivos fiscais específicos para o turismo, revisão da carga tributária, simplificação de normas e digitalização dos serviços públicos relacionados ao setor. Também propõem programas permanentes de qualificação profissional, especialmente voltados ao domínio de idiomas estrangeiros e à excelência no atendimento ao visitante.
A inovação aparece como outro pilar estratégico. O documento recomenda estimular o desenvolvimento de novos produtos turísticos alinhados às vocações territoriais, ampliar parcerias com startups, fortalecer o empreendedorismo e investir em pesquisa e desenvolvimento para gerar soluções inovadoras capazes de diversificar a oferta turística brasileira.
Promoção dos destinos e fortalecimento da conectividade
Entre os temas considerados mais estratégicos está a mobilidade. O documento defende investimentos federais na infraestrutura de transporte, modernização da aviação regional, aperfeiçoamento regulatório, incentivos para ampliar rotas aéreas e integração entre diferentes modais de transporte. Também propõe uma agenda nacional para desenvolver a infraestrutura náutica turística, fortalecendo a chamada economia azul e ampliando o acesso aos destinos costeiros e hidroviários.
Na área de marketing, a publicação recomenda a elaboração de um plano nacional baseado na identidade e nos diferenciais competitivos dos destinos brasileiros. O objetivo é fortalecer a presença do Brasil nos mercados nacional e internacional, além de incentivar segmentos capazes de reduzir a sazonalidade, como turismo de negócios, eventos, feiras e viagens corporativas.
Leia mais: Modernização do Fungetur pode ampliar crédito ao turismo, defende CNC
Segurança, sustentabilidade e transformação digital
A segurança turística é tratada como elemento indispensável para elevar a confiança dos visitantes. Entre as recomendações estão a criação de uma Política Nacional de Gestão de Riscos no Turismo, programas de monitoramento inteligente com videovigilância, fortalecimento dos serviços essenciais e capacitação de profissionais para atuação em situações de risco sanitário, ambiental e climático.
O eixo da sustentabilidade propõe alinhar as políticas públicas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), ampliar investimentos na conservação de parques nacionais, incentivar certificações ambientais e estimular boas práticas de gestão de resíduos, uso eficiente de recursos naturais e preservação do patrimônio ambiental e cultural.
A tecnologia aparece como instrumento para transformar a gestão dos destinos. O documento recomenda implantar plataformas integradas de monitoramento da oferta turística, ampliar a coleta e utilização de dados, digitalizar serviços e desenvolver sistemas inteligentes capazes de melhorar a experiência do visitante e orientar decisões baseadas em evidências.
Vai Turismo consolida construção coletiva de políticas públicas
As propostas entregues aos presidenciáveis são resultado do novo ciclo do programa Vai Turismo – Rumo ao Futuro, coordenado pela CNC por meio do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur). A iniciativa é uma das principais estratégias nacionais de mobilização institucional para transformar demandas do setor em recomendações de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável do turismo.
No primeiro ciclo do programa, entre 2022 e 2026, foram mobilizados cerca de 1.800 profissionais, 320 instituições e representantes das 27 unidades da Federação, resultando na elaboração de 28 documentos de propostas para governos estaduais e federal, com 359 propostas de políticas públicas recomendadas.
Para o ciclo 2027-2030, a mobilização foi ampliada. O processo incorporou os aprendizados da primeira etapa, utilizou um banco nacional de boas práticas e promoveu 55 oficinas, reunindo 1.373 representantes dos setores público e privado e aproximadamente 830 instituições em todo o País.
Outro diferencial foi a utilização do Painel de Inteligência Competitiva Vai Turismo, plataforma que reúne mais de 2.700 projetos monitorados, cerca de R$ 10,9 bilhões em investimentos, além de indicadores econômicos e turísticos capazes de subsidiar decisões estratégicas de governos e investidores. A ferramenta permite acompanhar a evolução dos projetos, monitorar resultados e fortalecer uma cultura de planejamento baseada em dados. Ela está acessível ao público no site do Vai Turismo.
“Esta publicação é resultado de um amplo processo de escuta e construção colaborativa realizado em todas as unidades da Federação. As recomendações refletem diferentes realidades regionais, mas convergem para um objetivo comum, que é tornar o turismo brasileiro mais competitivo, inovador, sustentável e preparado para os desafios do futuro”, enfatiza a gerente do Cetur, Aline Lopes.

Prioridades respeitam as diferentes realidades regionais
Além das recomendações nacionais, o documento apresenta uma leitura regional das prioridades identificadas durante as oficinas do programa Vai Turismo. O objetivo é demonstrar que o desenvolvimento do turismo brasileiro exige políticas públicas capazes de respeitar as características e vocações de cada território.
Na Região Norte, as propostas concentram-se na ampliação da conectividade aérea, melhoria da infraestrutura, valorização da biodiversidade amazônica, fortalecimento das comunidades locais e integração entre os estados da Amazônia Legal.
No Nordeste, as prioridades incluem expansão da malha aérea, fortalecimento do marketing turístico, qualificação profissional, melhoria da infraestrutura e diversificação da oferta para reduzir a sazonalidade dos destinos.
No Sudeste, ganham destaque o fortalecimento da governança, a inteligência turística, a adaptação às mudanças climáticas, a gestão baseada em dados e a ampliação da acessibilidade.
Na Região Sul, a agenda prioriza integração regional, conectividade internacional, transformação digital, adaptação climática e valorização do patrimônio histórico, natural e cultural.
O Centro-Oeste concentra suas propostas na integração territorial entre Cerrado, Pantanal e Amazônia, fortalecimento da inteligência turística, melhoria da conectividade e valorização das identidades culturais e ambientais da região.
Consenso nacional sobre os principais desafios
A síntese das contribuições estaduais mostra forte convergência entre as prioridades apresentadas pelas 27 unidades da Federação. Entre os temas mais recorrentes aparecem a acessibilidade universal, melhoria da mobilidade e da conectividade, fortalecimento da economia criativa, desenvolvimento de novos produtos turísticos, uso de inteligência de dados, promoção dos destinos e ampliação da infraestrutura e dos serviços essenciais.
A adequação da infraestrutura para garantir acessibilidade universal foi mencionada por todas as 27 unidades federativas, enquanto a melhoria da mobilidade apareceu em 26 estados. Também se destacam a valorização da identidade cultural, a inovação na oferta turística, a estruturação de observatórios de inteligência turística e a ampliação da promoção dos destinos nacionais.
