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CNC apresenta análise aprofundada da conjuntura e dos impactos da escala 6×1 no Fórum PANROTAS 2026

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A Confederação participa como aliança institucional da 23ª edição do evento e leva ao debate dados sobre crédito, inflação, mercado de trabalho e os efeitos econômicos da redução da jornada no turismo

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) participa da 23ª edição do Fórum PANROTAS 2026, nos dias 3 e 4 de março, no Golden Hall do WTC Events Center, em São Paulo. Como aliança institucional do encontro, apoio que o Sistema Comércio mantém há mais de 15 anos, a entidade enfatiza seu compromisso histórico com o fortalecimento do turismo brasileiro.

Reconhecido como um dos principais eventos do setor no País, o PANROTAS reúne lideranças empresariais e especialistas em diferentes áreas para dois dias de debates, palestras e networking. Também participaram do Fórum representantes de Federações do Comércio de todo o País, além do Sesc e do Senac.

Análise técnica e visão estratégica

Diretor da CNC e responsável pelo Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur) da Confederação, Alexandre Sampaio destacou a importância estratégica do encontro.

“O Fórum PANROTAS continua sendo um evento único no início de cada ano, trazendo novidades e conhecimento e promovendo a interação com seu público multidisciplinar, em um formato que atrai as principais lideranças do mercado. Uma trajetória de qualidade, inovação e contribuição estratégica para o setor”, afirmou.

No primeiro dia do evento, o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, apresentou a palestra Cenários Econômicos no Turismo, detalhando o ambiente macroeconômico e seus reflexos diretos sobre a atividade turística.

Conjuntura econômica

Ao analisar o cenário econômico, Bentes ressaltou o comportamento do crédito com recursos livres para pessoas físicas. As concessões acumuladas em 12 meses registraram variação de 13,7% em um período anterior, desacelerando para 10,5%, segundo dados do Banco Central, apresentados na palestra.

No mesmo contexto, o IBC-Br, indicador que antecipa o desempenho da atividade econômica, apresentou variação acumulada em 12 meses de 3,7%, recuando para 2,5%, sinalizando moderação do ritmo de crescimento.

O mercado de trabalho também foi analisado. A taxa de desocupação apresentou trajetória de queda ao longo de 2024 e 2025, enquanto o rendimento médio real habitual passou de R$ 3.136, no quarto trimestre de 2019, para R$ 3.508, no quarto trimestre de 2025. A massa de rendimento mensal real avançou de R$ 298 bilhões para R$ 367,5 bilhões no mesmo intervalo, indicando expansão da capacidade de consumo das famílias.

A força de trabalho atingiu 108,5 milhões de pessoas no quarto trimestre de 2025, ante 105,6 milhões no quarto trimestre de 2019. Já o contingente de pessoas em situação de informalidade passou de 38,2 milhões para 38,7 milhões no período analisado.

Inflação, juros e câmbio

Bentes também analisou o comportamento da inflação e das condições financeiras. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acumulado em 12 meses, saiu de 4,83% em dezembro de 2024 para 4,26% em dezembro de 2025, dentro do intervalo de metas, embora com pressões setoriais específicas.

A taxa Selic, por sua vez, atingiu 15% ao ano em dezembro de 2025, ante 11,25% em dezembro de 2023, refletindo postura mais restritiva da política monetária. No mercado de crédito, a taxa média de juros com recursos livres para pessoas físicas subiu de 54,3% ao ano em janeiro de 2025 para 61% ao ano em janeiro de 2026.

A inadimplência da carteira de crédito com recursos livres para pessoas físicas variou de 5,6% para 7% ao longo de 2025, enquanto o saldo do crédito com recursos livres oscilou entre 17,6% e 19,3% do PIB, no período analisado.

No câmbio, a cotação do dólar apresentou trajetória de valorização, variando entre R$ 5,00 e R$ 6,40 entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2026, fator relevante para o turismo internacional tanto emissivo quanto receptivo.

Durante a palestra, Fabio Bentes comentou que, com a Guerra no Oriente Médio, o preço do petróleo disparou 7%. “A inflação no Brasil é muito exposta à taxa de câmbio e mais exposta ainda ao preço do combustível. É o item que mais pesa no IPCA. E a partir do momento em que as pessoas têm que pagar mais caro para o alimento chegar à sua casa ou pagar mais caro pela energia elétrica, terão que cortar gastos com lazer e viagens. Se temos uma piora no cenário de inflação, isso afeta negativamente o setor de Turismo”, comenta.

Desempenho do turismo e preços setoriais

No recorte específico do turismo, o Índice de Volume da Atividade Turística, acumulado em 12 meses, passou de 3,6% para 4,6% ao longo de 2025. Já o Índice de Preços da Atividade Turística variou de 1% para 7,2%, no mesmo intervalo.

Na comparação entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o IPCA geral passou de 4,56% para 6,74%. Entre os itens ligados ao turismo, os dados mostraram comportamentos distintos: alimentação fora do domicílio, passagem aérea, hospedagem e pacote turístico registraram variações relevantes em 12 meses, evidenciando pressões específicas dentro da cadeia.

O índice de difusão da inflação, que mede o percentual de itens com aumento de preços, oscilou entre 57,7% e 60,1% ao longo de 2025, indicando que a pressão inflacionária esteve disseminada em parte significativa da economia.

No acumulado de 12 meses, o saldo de vagas formais no turismo apresentou trajetória de recuperação, com avanço consistente após o período crítico da pandemia. Em relação ao volume anual de receitas do setor, houve variação positiva de 4,6% em 2025 frente ao ano anterior, mantendo a tendência de recuperação iniciada após 2020.

No pós-pandemia, o volume de receitas do turismo acumulou alta de 13,8% em dezembro de 2025, em relação a fevereiro de 2020.

A análise do economista também salientou o crescimento do turismo receptivo. Na comparação 2025/2024, as chegadas de estrangeiros aumentaram 37,1%, enquanto as receitas cresceram 7,1%, segundo dados da Embratur. Entre os fatores apontados, estão a facilitação de vistos, o aumento da conectividade aérea, a recuperação do mercado argentino e o interesse crescente pelo turismo de natureza, com destaque para Amazônia, Pantanal e praias do Nordeste.

Impactos da escala 6×1 no turismo

Um dos pontos centrais da palestra foi a análise técnica da proposta de redução linear da escala 6×1. A CNC estruturou o estudo em três etapas: impacto contábil imediato na folha salarial; efeito-preço decorrente da elevação de custos; e compressão da margem operacional das empresas.

Segundo os cálculos expostos, cada aumento de 1 ponto percentual na folha salarial implica elevação de 0,46 ponto percentual nos preços do setor. No cenário simulado, um acréscimo de 26,9 pontos percentuais na folha de pagamento do turismo resultaria em aumento de 12,5 pontos percentuais nos preços e impacto estimado de -9,3 pontos percentuais no volume de receitas.

O turismo reúne 3,8 milhões de postos de trabalho com carga horária acima de 40 horas semanais, o que representa 84% do total de vínculos do setor. No agregado, o acréscimo estimado na folha seria de 26,9%.

Entre os segmentos analisados, estão hotéis, restaurantes e similares, transporte rodoviário intermunicipal e interestadual, parques temáticos, bufês, locação de automóveis, organização de eventos e agências de viagens. Em hotéis, por exemplo, 92% dos postos estão acima de 40 horas semanais; em restaurantes e similares, 90%; em agências de viagens, 83%.

A abordagem incluiu ainda fundamentos teóricos de função de produção e produtividade no curto e no longo prazo, com base em estudos internacionais, ressaltando que ganhos de produtividade no longo prazo não compensam, automaticamente, impactos imediatos de aumento de custos no curto prazo.Bentes enfatizou ainda que o turismo é referência na geração de empregos que o setor está aquecido.

“No ano passado foram 100 mil vagas geradas, só um pouco abaixo do número de 2024, que foi de 110 mil e, hoje o Turismo só está atrás da construção civil em termos de geração de empregos. Mais um indício de que o setor está aquecido”, afirmou.

Estrangeiros no Brasil

Fabio Bentes ainda destaca o fato de que no Rio de Janeiro e nas cidades do Nordeste em geral houve um boom de turistas estrangeiros na alta temporada, com destaque para argentinos e chilenos.

“Vale destacar que no ano passado foram 9,3 milhões de turistas estrangeiros visitando o Brasil. Cada turista desses gasta por viagem mil dólares e os visitantes internacionais trouxeram pra cá, no ano passado, quase US$ 8 bilhões em receita. Isso ajuda a economia do País”.

Fortalecimento do setor

Ao apresentar uma análise técnica detalhada, com base em dados do Banco Central, IBGE, MTE, Rais e Embratur, a CNC enfatiza sua atuação como entidade representativa comprometida com decisões baseadas em evidências.

A participação como aliança institucional no Fórum PANROTAS 2026, somada ao apoio histórico de mais de 15 anos ao evento, evidencia o papel estratégico do Sistema Comércio na construção de soluções que garantem competitividade, sustentabilidade econômica e geração de emprego e renda ao turismo brasileiro.

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