Repasse parcial da queda dos juros básicos inibiu retomada do consumo – Ao longo dos últimos meses, a recuperação do ritmo de expansão da economia e, mais especificamente, do nível de atividade do comércio varejista tem esbarrado na fragilidade das condições correntes de consumo. A lentidão na reativação do mercado de trabalho, com aumento da informalidade e subutilização da população economicamente ativa, a inflação mais acelerada e níveis ainda baixos de confiança por parte das famílias se misturaram às elevações recentes nas taxas de juros aos consumidores na ponta. A taxa de juros, que em dezembro do ano passado havia atingido o nível mais baixo, 29,0% ao ano (a.a.), desde setembro de 2013 (28,4%), voltou a subir ao longo dos quatro primeiros meses de 2019, alcançando em abril deste ano 31,7%, de acordo com levantamento mensal realizado pelo Banco Central.
Percentual de famílias com dívidas alcança em junho o maior patamar desde 2013 – A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) revela que, em junho de 2019, o percentual de famílias que relataram ter dívidas entre cheque prédatado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro alcançou 64,0% em junho de 2019, o que representa uma alta em relação aos 63,4% observados em maio de 2019. Também houve alta em relação a junho de 2018, quando o indicador alcançou 58,6% do total de famílias. O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso, porém, diminuiu em junho de 2019, na comparação com o mês imediatamente anterior, passando de 24,1% para 23,6% do total. Também houve queda do percentual de famílias inadimplentes em relação a junho de 2018, que havia registrado 23,7% do total. O percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, permaneceriam inadimplentes ficou estável, na comparação mensal, em 9,5%. O indicador havia alcançado 9,4% em junho de 2018.
Produção industrial volta a recuar – Segundo os últimos dados disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial teve retração de 0,2% em maio, após aumento de 0,3% em abril, em comparação com o mês imediatamente anterior nos dados com ajuste sazonal. Contribuindo para esse resultado negativo, a indústria de transformação mostrou queda de 0,5% e foi a maior influência, enquanto a extrativa quebrou a tendência de queda dos quatro meses anteriores e aumentou 9,2% em maio. Dentre as categorias de uso analisadas, a de bens intermediários (+1,3%) e bens de consumo (-1,8%) foram os maiores destaques. Bens de consumo semi e não duráveis recuaram 1,6% e a categoria de bens de consumo duráveis retraiu em 1,4%. Bens de capital teve oscilação positiva de 0,5% nessa base de comparação.