Mais do que o comportamento do dólar e da Bolsa, os investidores começaram o dia de olho na votação da denúncia contra o presidente Michel Temer na Câmara dos Deputados, em Brasília. O resultado será uma sinalização importante da força que o governo tem no plenário, trazendo de volta a esperança ao mercado de que pelo menos alguns pontos da Reforma da Previdência, como a idade mínima de 65 anos, possam ser aprovados. Com isso, a postura é de cautela e dólar e Bolsa operam com leves variações.
Mais do que o comportamento do dólar e da Bolsa, os investidores começaram o dia de olho na votação da denúncia contra o presidente Michel Temer na Câmara dos Deputados, em Brasília. O resultado será uma sinalização importante da força que o governo tem no plenário, trazendo de volta a esperança ao mercado de que pelo menos alguns pontos da Reforma da Previdência, como a idade mínima de 65 anos, possam ser aprovados. Com isso, a postura é de cautela e dólar e Bolsa operam com leves variações.
Para o mercado, a Reforma da Previdência é essencial no controle das contas públicas. Os gastos com as aposentadorias equivalem a 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil, um percentual muito elevado, segundo os especialistas. A Reforma da Previdência, ainda que desfigurada de sua proposta original, sinaliza controle de gastos no longo prazo. E é isso que o mercado quer em seu horizonte.
Por que a reforma é necessária?
A Previdência registra rombo crescente: gastos saltaram de 0,3% do PIB, em 1997, para projetados 2,7%, em 2017. Em 2016, o déficit do INSS chega aos R$ 149,2 bilhões (2,3% do PIB) e em 2017, está estimado em R$ 181,2 bilhões. Os brasileiros estão vivendo mais, a população tende a ter mais idosos, e os jovens, que sustentam o regime, diminuirão.
Os investidores acreditam que a denúncia contra Temer seja barrada. Como a equipe econômica comandada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ainda desfruta de muita credibilidade junto ao mercado, uma vitória no front político teria um efeito muito positivo. Quanto maior o apoio a Temer, maior é a chance da Reforma da Previdência andar. Além disso, um resultado favorável ao governo reduz a pressão por liberações de verba a deputados em meio à situação de emergência fiscal que vive o País.
Os mercados ficaram estressados depois da delação dos controladores da JBS. O dólar subiu acima de R$ 3,40 e o Ibovespa recuou mais de 8% um dia após as denúncias, em maio. De lá para cá as coisas se acalmaram com a aprovação da Reforma Trabalhista e sem mais notícias ruins no campo político, com o recesso no Congresso. Também pesou a perspectiva de que mesmo numa mudança de presidente a equipe econômica seria mantida.
Está valendo o pragmatismo do mercado: mesmo com a crise do governo, os investidores entendem que Meirelles e sua equipe mantêm seu objetivo de acertar as contas públicas. E, neste momento, é esse o fator que mantém os investidores sob certa calma. Em julho, a Bolsa fechou com alta de 4,8% e o dólar voltou a encostar em R$ 3,10, patamar de antes da delação da JBS.
A credibilidade de Henrique Meirelles é tanta que nem uma possível mudança da meta fiscal (déficit de R$ 139 bilhões) tira sua confiança dos investidores. Portanto, uma vitória de Temer hoje pode trazer um pouco mais de tranquilidade para que o ministro faça seu trabalho.
Fonte: Jornal O Globo