Sumário Econômico 1441

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Destaque da edição:

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Formação das expectativas – No campo econômico, as expectativas dos agentes em relação ao futuro têm o condão de se transformar no mundo real. Tendo como pano de fundo a queda do PIB da ordem de 3,8%, em 2015, uma nova queda da mesma proporção já estaria “contratada” para 2016. O pessimismo em relação ao comportamento futuro da economia está aprofundando a recessão, cuja face mais perversa é o crescente nível do desemprego. Esse clima de desalento está configurado em indicadores antecedentes, assim chamados porque buscam prever a marcha da economia. Entre tais indicadores destacam-se o Índice de Confiança do Consumidor, calculado pela FGV, e os Índices de Confiança do Empresariado na área do Comércio e da Indústria, calculados respectivamente pela CNC e CNI. Os últimos valores divulgados (janeiro de 2013) apontam para o índice 67,9 no caso do consumidor, 80,9 e 38,5 para o empresariado do comércio e da indústria, respectivamente. Os dois primeiros índices têm como linha de corte, que separa o otimismo do pessimismo, o índice 100 para o comércio e o índice 50 para a indústria. Qualquer que seja o índice, predomina o pessimismo em relação ao futuro. Quais seriam os fundamentos e as razões desse pessimismo, agora cristalizado num quadro de recessão? Antes de tudo, o descumprimento da meta de inflação e a revisão para menos do superávit primário, no âmbito fiscal.

 

Outras matérias:

Vendas na Páscoa deverão recuar pelo segundo ano seguido – CNC prevê queda de 3,4% no volume de vendas de Páscoa em relação à Semana Santa do ano passado. Data comemorativa deverá movimentar R$ 2,8 bilhões. Descontada a inflação, as vendas do varejo voltadas para a Páscoa deverão ser 3,4% menores em 2016, de acordo com previsões da CNC. Se confirmada, essa seria a segunda queda consecutiva para esta data comemorativa, uma vez que, no ano passado, houve retração de 1,0%. Além disso, esse seria o pior desempenho das vendas do setor relacionadas à Semana Santa desde a retração de 5,3%, ocorrida em 2004. A melhor Páscoa do varejo brasileiro ocorreu em 2010 (+9,3%), ano em que o volume total de vendas do varejo avançou 10,9%. Único segmento do comércio a registrar aumento significativo em relação ao mês que antecede este feriado religioso, os hiper e supermercados deverão faturar R$ 2,8 bilhões a mais na Semana Santa de 2016. O cenário previsto pela CNC se baseia em aspectos sazonais da Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE, levando ainda em consideração as tendências de evolução do nível de ocupação, renda e, principalmente, as variações dos preços de produtos relacionados a essa data. A alta nos preços administrados nos últimos 12 meses (+16,5% segundo o IPCA-15) vem pressionando os custos de fabricação dos produtos nacionais tradicionalmente mais demandados nesta época do ano. Além disso, os produtos importados naturalmente já acusam o impacto da desvalorização do Real no mesmo período (+38,3%).

Estimativas para o IPCA continuam em queda – No último relatório Focus, divulgado pelo Banco Central (24/03), a mediana das expectativas para o IPCA reduziu-se para 7,31%, após chegar a 7,57% há quatro semanas passadas, e é a terceira redução consecutiva nesta estimativa. Continua bem acima do limite superior da meta de inflação, entretanto abaixo da taxa de 10,67% realizada em 2015. A projeção para 2017 permaneceu estável em 6,0%, similar à estimativa de quatro semanas. É a sétima semana seguida com esta previsão. No curto prazo as projeções dos analistas são de 0,54% para março e 0,62% para abril. As cinco instituições que mais acertam – TOP 5 – projetaram IPCA de 0,57% para março e 0,62% para abril, ambos os valores próximos aos esperados pelo mercado. Após a segunda reunião do Copom deste ano, a meta da taxa de juros Selic permaneceu em 14,25%. O mercado espera que o mesmo ocorra na próxima reunião, a qual será nos dias 26 e 27 de abril, mantendo a taxa estável. Para o resto do ano, a mediana das estimativas da Selic para o fim de 2016 também é de 14,25%, mantendo-se neste patamar há oito semanas. Já para 2017, a previsão é que a meta da Selic seja reduzida para 12,50%, similar à taxa esperada há quatro semanas. A estimativa para o crescimento do PIB de 2016 alcançou -3,66%, após o resultado de 2015 mostrar uma retração de 3,8%, de acordo com dados do IBGE. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), série elaborada pelo Banco Central e considerada uma aproximação das Contas Nacionais, registrou queda de 0,61% em janeiro contra o mês anterior, dados com ajuste sazonal, e recuo de 8,12% na comparação anual. Apesar da previsão para este ano ser melhor do que a realizada no ano passado, isto demonstra uma piora em relação ao crescimento de 0,1% realizado em 2014. Entretanto, para 2017 já se espera um resultado positivo, com avanço de 0,35% na economia.

A transformação de um país – Pode parecer uma hipérbole, mas não é. A transformação econômica de qualquer país depende das grandes empresas, sim. Mas, fundamentalmente, perpassa pelo robustecimento das pequenas empresas. Alvo de dois artigos em edições distintas neste periódico, as mudanças na economia cubana inspiraram este texto porque evidenciam o protagonismo dos pequenos negócios. No começo desta semana, o hasteamento da bandeira estadunidense na embaixada dos EUA em Cuba – ainda que a embaixada já estivesse funcionando desde julho do ano passado – junto com a visita histórica do presidente norte-americano selaram a recente aproximação dos dois países para a construção de novas bases de relacionamento – notadamente em favor do povo cubano e, em particular, dos empreendedores. A flexibilização da economia nos moldes capitalistas tem permitido maior mobilidade social, mais dinheiro no bolso e melhoria na qualidade de vida, refletindo a importância da mobilidade dos fatores e do mercado de bens e serviços para a reconstrução de um novo tecido social, mais rico, poderoso e menos atrasado. Logo, ressalta-se a relevância da motricidade dos agentes econômicos de micro e pequeno portes em fermentar o produto interno da ilha, gerando novas oportunidades de negócios para melhorar a renda e fazer crescer a economia. Assim, adicionam valor ao produto investimentos em restaurantes, serviços relacionados a atividades hoteleiras, salões de beleza, transportes, comércio, saúde, tecnologia, entre outros que são exemplos da tendência para onde o mercado cresce.

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