Sumário Econômico 1432

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Destaque da edição:

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Populismo em xeque – O dia 6 de dezembro de 2015 foi marcado por mais uma mudança política na América do Sul. O resultado das eleições parlamentares na Venezuela indicou o desejo de mudança pela popu¬lação, demonstrado através dos 64,1% de votos obtidos pela oposição venezuelana. 55 deputados chavistas foram eleitos, enquanto 112 opositores ocuparão as cadeiras da câmara. Além da Venezuela, a Argentina elegeu o opositor Mauricio Macri para presi¬dente e o Brasil está reorientando sua política econômica. Ademais, tanto no Equador quanto na Bolívia, algumas prefeituras foram perdidas para candi¬datos de orientações políticas oposito-ras à esquerda. No próximo dia 21 de fevereiro serão realizadas as eleições bolivianas, podendo resultar em mais uma mudança de poder na região. Os governos de esquerda ganharam espaço na América do Sul no final do século XX e foram extremamente beneficiados pelo contexto econômi¬co internacional e pelo aumento dos preços das commodities e do petróleo. Esse contexto permitiu a redução da miséria, promoção de políticas de in¬clusão, e aumento do PIB. No entanto, o cenário mudou nos dias atuais e tornou insustentáveis práticas e modelos de crescimento de outras épocas. As reduções das cotações internacionais dos principais bens transacionados por esses países com outros mercados pro¬vocou a redução de receitas, importantes fontes de recursos econômicos. A maio¬ria dos governos sul-americanos possui disponibilidade de capital muito mais limitada do que no início do século.

 

Outras matérias:

A classe média e seus serviços – Em um artigo publicado em março deste ano, denominado Demand for Services Rendered to Families in Brazil in the 2000’s: An Empirical Analysis of Consumer Patterns and Social Expansion, pelo Banco Central do Brasil e de autoria de Andre de Queiroz Brunelli, estudou-se a corre-lação entre a trajetória do consumo de serviços e a renda familiar. Para isso, foram utilizados os dados da Pesqui¬sa de Orçamentos Familiares (POF) dos anos de 2002-2003 e 2008-2009, divulgados pelo IBGE, e os dados classificados de acordo com a cesta de serviços utilizada pelo Banco Central. Como resultado, o grande aumento da população de classe média não foi suficiente para superar os gastos da classe alta; esta parcela da população foi a responsável pela maior parte do crescimento no consumo dos serviços. A contribuição da classe alta no cresci¬mento do faturamento de serviços foi de 53,4% durante este período, enquanto a classe média contribuiu com 45,2%. Uma explicação encontrada para este fato foi do o valor gasto com consumo pela classe alta ser três vezes maior do que o consumo da classe média, além de que uma proporção maior (30% a mais em relação à classe média) deste valor ser alocado em serviços. Entretanto, este crescimento da classe média, 42 milhões de pessoas (73%), não causou alteração no consumo de bens.

Boas vendas no Natal virtual – Mesmo com o mercado esperando uma queda ao redor de 5% nas vendas globais do varejo nesse Natal, as empresas que têm lojas na internet apostam em expressivo crescimento do faturamento através desse canal. Evi¬dentemente que, mesmo sem repetir o desempenho de anos anteriores, segun¬do a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), as lojas virtuais irão faturar R$ 6,7 bilhões com as com¬pras realizadas na data ou 18% acima do registrado em 2014, impulsionados por mais de 24 milhões de pedidos, com ticket médio de R$ 280,00. Outras organizações e especialistas da área também assinalam crescimento de 15% e vendas em torno dos R$ 6 bilhões e um ticket médio mais elevado, em torno de R$ 350,00. Conquanto os números não guardem perfeita aderência – por conta de metodologias diferentes e, mesmo, dificuldade em obtenção de dados – o que importa é a convergência dessa tendência e o que significa: o comércio eletrônico continua brilhando, mesmo em um cenário de crise, e deve ser sempre considerado pelos empresários de qualquer setor, como mais do que uma alternativa, um caminho a seguir. De acordo com uma recente pesquisa elaborada pelo site comparador de pre¬ços e produtos Zoom e divulgada na imprensa, 57% dos compradores vir¬tuais não anteciparam completamente as compras de Natal durante a Black Friday, enquanto 36% pretendem gastar mais do que R$ 1.000,00 com presentes, figurando os smartphones entre os mais desejados. Dentre os itens de maior va-lor agregado, os aparelhos de televisão e de ar-condicionado também estarão nas listas de Papai Noel, assim como calçados para esportes (tênis), que com a perfeita padronização dos modelos e a facilidade para eventuais trocas, ganha-ram a preferência do comprador virtual.

2016 – Aproveitamos o balanço das contas de final de ano para dizer é bem provável que 2015 não deixará boas recordações para a maioria dos brasi¬leiros. Tampouco 2016. Isso porque já no final de 2014 alguns sinais de retração econômica das ativi¬dades apontavam para as dificuldades do presente momento. Em pouco tempo a economia brasileira deu forte guinada de rumo, desconstruindo o que demo¬rou pelo menos uma década para esta¬belecer: mercado robusto, pleno empre¬go, crédito farto e qualidade de vida. Contribuíram para a reversão no sen¬tido do desenvolvimento fatores que reportam as comparações com a eco¬nomia em 1990-1991, época do arresto financeiro do Plano Collor. Sem fazer paralelos com 25 anos atrás, neste término de ano tem-se que as ex¬pectativas para 2016 prosseguem conta¬minadas pelos acontecimentos de 2015. Quanto a isso, os fenômenos econômicos que acometeram o País no corrente ano foram fortes o suficiente para afetar a economia por mais tempo, estendendo¬-os para o exercício subsequente. Para reforçar o quadro de deterioração, até o momento por causa do desemprego crescente, das vendas retraídas no mer¬cado interno, da inflação persistente, dos juros elevados, do déficit público e do quadro caótico das finanças públicas, não existem sinais de que a economia possa recuperar-se. Excetuando o setor externo, nenhum outro componente da demanda agregada pode assumir prota-gonismo para retirar a economia da con¬juntura em que se encontra. Assim, em 2015 foram materializadas as condições que serão reproduzidas no ano seguinte.

Fundo Amazônia – Os governos do Brasil e da Noruega decidiram prorrogar sua parceria nas áreas de clima e florestas até 2020, elevando a ambição de redução do des¬matamento e da degradação florestal, em linha com as metas anunciadas pelo Brasil. Nesta nova etapa, serão investidos cerca de US$ 600 milhões do governo norueguês para o Fundo Amazônia. A primeira fase dessa parceria baseada em resultados, em vigor desde 2008, representou uma contribuição de US$ 1 bilhão por parte da Noruega ao Fun¬do Amazônia brasileira, em reconhe-cimento pela expressiva redução pelo Brasil do desmatamento na sua região amazônica. Essa parceria foi recente¬mente descrita pelo secretário geral das Nações Unidas, Ban-Ki Moon. As contribuições norueguesas continua¬rão sendo feitas por meio do Fundo Ama¬zônia – ou por outros canais que ambos os Países considerem apropriados. O Fundo Amazônia é administrado pelo banco Na¬cional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) do Brasil e tem uma estrutura de governança inovadora, que consiste em representantes de estados da região amazônica, vários ministérios, o próprio BNDES e a sociedade civil. Todos os projetos apoiados pelo Fundo Amazô¬nia fazem parte do plano para redução do desmatamento do Brasil, ao mesmo tem¬po que promovem o desenvolvimento sustentável na região amazônica. O apoio inclui desde populações indígenas, que são prioridade para o Fundo, o de¬senvolvimento de atividades econômicas baseadas no uso sustentável da floresta, até o cumprimento do Código Florestal. O Fundo Amazônia atualmente apoia 75 projetos, num total de US$ 546 milhões.

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