Especialistas em inteligência emocional do Brasil e do exterior participaram, em 1º de dezembro, na Câmara dos Deputados, do Seminário Internacional “O desenvolvimento socioemocional e a educação”.
Especialistas em inteligência emocional do Brasil e do exterior participaram, em 1º de dezembro, na Câmara dos Deputados, do Seminário Internacional “O desenvolvimento socioemocional e a educação”. O evento, que contou com o apoio da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), trouxe a Brasília duas referências mundiais: Joshua Freedman, da Six Seconds, rede norte-americana, mas com ação global, que apoia pessoas na criação de mudanças positivas a partir da inteligência emocional, e Daniel Diermeier, reitor da Escola de Políticas Públicas da Universidade de Chicago, dos Estados Unidos.
Freedman disse que, após três décadas da sua descoberta, o conceito começa a ser aplicado com mais vigor em todo o mundo e em vários segmentos. Inteligência emocional é como se lidar com os sentimentos (frustração, euforia, impulsividade, etc.) e habilidades que contribuem para a melhora na aprendizagem e no crescimento profissional.
Na Six Seconds, segundo ele, a meta é que até 2040 um bilhão de pessoas estejam praticando as técnicas. O norte-americano deu inúmeros exemplos de como desenvolvê-las, mas destacou que uma das mais importantes é a pessoa focar nos grandes objetivos, para assegurar que os resultados estejam exatamente dentro do que foi planejado.
“Isso se aplica ao desenvolvimento socioemocional na educação. Na rede, aplicamos o conceito em três níveis: estudantes, professores e comunidade escolar – esta envolve também os dois primeiros. Em todos a competência tem peso decisivo, mas o discernimento da inteligência humana prepondera.”
Ele afirmou ainda que o modelo da Six Seconds também pode ser transportado para o ambiente corporativo, quando são observados o individual, o organizacional e o negócio em si. No nível individual, leva-se em conta a inteligência emocional das pessoas. Do ponto de vista da empresa, acompanham-se as vendas, a produtividade e o envolvimento dos funcionários, entre outros itens. “É a análise desse conjunto que permitirá reunir o maior volume de informações para entender o que significa a inteligência emocional na prática.” É a partir do que for constatado que a Six intervem com seu trabalho de consultoria e, se for o caso, treinamento.
Bahij Amin Aur, consultor da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) focou sua palestra na educação profissional e chamou a atenção para a necessidade de seguir o que está previsto nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio, em vigor desde 2012.
Ele afirmou que, de acordo com as Diretrizes, o perfil profissional de conclusão do curso técnico, além dos conhecimentos e das competências profissionais, deve levar em conta as competências pessoais. “Essa é uma inovação da legislação que poucos têm prestado a atenção, apesar dos seus três anos de existência.”
E essas competências, enfatizou, são justamente as que correspondem aos valores, às atitudes e às emoções, ou seja, correspondem às competências socioemocionais. “Assim, pode-se afirmar que não é possível dar uma formação competente se, ao mesmo tempo, não se desenvolver, além das habilidades técnicas e de conhecimentos, as competências de natureza socioemocional de um futuro profissional.”
Na primeira palestra da tarde, o reitor Daniel Diermeier falou sobre “o desafiador projeto a que se impôs a Universidade de Chicago”, educar potenciais líderes para que, no futuro, se tornem líderes públicos de fato, com serviços prestados à sociedade.
Ele citou alguns notáveis que frequentaram os bancos escolares da instituição, como o economista Milton Friedman, o compositor Philip Glass, o cientista Carl Sagan, o banqueiro David Rockfeller e a primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, “que não foi aluna, mas trabalhou no Centro Médico da Universidade de Chicago”, disse sob risos do público presente ao auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputdos.
“Nos últimos anos, em particular, o processo de ensino com o olhar em pessoas inteligentes tem sido ainda mais árduo por conta das novas exigências do aprendizado e das tecnologias inovadoras”, destacou. A meta principal, contudo, se mantém: estabelecer relações transparentes, com peso elevado para as competências e comprometimento com os objetivos.
A Universidade implantou uma metodologia, com a qual está obtendo bons resultados, que é dispor de monitores para todos os alunos com a incumbência de orientá-los em experimentos no aprendizado. Segundo ele, os resultados animadores vêm da grande variedade de iniciativas, com troca intensa de ideias e sugestões, que reduzem dificuldades e ajudam na superação de desafios.
No encerramento das palestras, o professor Francisco Cordão, consultor Educacional de Sesc/Senac, abordou o tema “A aplicação socioemocional na educação profissional”. Na sua avaliação, a educação requerida pela contemporaneidade muda o foco do trabalho escolar, subordinando a atividade de ensino aos resultados de aprendizagem. “Passamos de transmissão do conhecimento para construção competências”, frisou.
Falou ainda sobre o que chamou de “desafios educacionais permanentes na era do conhecimento”, entre os quais citou: orientar as atividades de ensino pelo desenvolvimento pessoal dos estudantes; comprometer-se com o sucesso da aprendizagem dos alunos; aprender a lidar com a diversidade existente entre os estudantes.
Francisco Cordão comentou ainda sobre competências socioemocionais exigidas dos estudantes, como saber analisar, avaliar e interpretar, criar soluções inovadoras eficientes, agir com responsabilidade e liderança e saber trabalhar com prioridades e resistir a pressões. “O desenvolvimento do socioemocional está muito ligado a lidar bem com esses conceitos.” Ele concluiu afirmando que “compromisso ético e objetivo final são, em resumo, o desempenho eficiente e eficaz das atividades requeridas pela prática social e pelo mundo do trabalho”.
O Seminário foi promovido em parceria pela Comissão de Educação da Câmara, presidida pelo deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG ), e pela Frente Parlamentar Mista da Educação, coordenada pelo deputado Alex Canziani (PB-PR), com o apoio institucional da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), representada pelo vice-presidente, deputado federal Laércio Oliveira. Estiveram presentes ainda o secretário executivo do Ministério da Educação, Luiz Cláudio Costa, vários deputados e senadores e o chefe da Assessoria Legislativa da Confederação, Roberto Velloso.