CCJC admite propostas que prorrogam a DRU

Compartilhe:

Após três dias de discussão e uma reunião com quatro horas de duração, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara aprovou ontem a admissibilidade da prorrogação da Desvinculação de Receitas da União (DRU), mecanismo previsto na Constituição que expira no final do ano. Com a aprovação, as três propostas de emenda à Constituição (PECs 4, 87 e 112, todas de 2015) que prorrogam a DRU de diferentes maneiras poderão ser analisadas agora por uma comissão especial a ser criada. Depois, a matéria, se aprovada, seguirá para o Plenário da Câmara.

Após três dias de discussão e uma reunião com quatro horas de duração, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara aprovou ontem a admissibilidade da prorrogação da Desvinculação de Receitas da União (DRU), mecanismo previsto na Constituição que expira no final do ano. Com a aprovação, as três propostas de emenda à Constituição (PECs 4, 87 e 112, todas de 2015) que prorrogam a DRU de diferentes maneiras poderão ser analisadas agora por uma comissão especial a ser criada. Depois, a matéria, se aprovada, seguirá para o Plenário da Câmara. Os detalhes da proposta final serão definidos pela Comissão Especial. A votação da CCJC é uma espécie de sinal verde para que esse trabalho comece. A Comissão fez apenas uma ressalva ao texto, suprimindo da proposta os fundos constitucionais de Norte, Nordeste e Centro- -Oeste. O argumento foi de que a desvinculação dessas verbas feria a relação entre os entes federados.

Gastos obrigatórios

A DRU foi criada junto com a votação da CCJC e foi uma espécie de sinal verde para o trabalho da Comissão Especial do Plano Real, na década de 1990, a fim de permitir que o governo federal flexibilize alguns gastos obrigatórios. Atualmente, o mecanismo garante que o Executivo possa usar livremente 20% de todos os impostos e contribuições sociais e econômicas federais – verbas que, de outra forma, estariam vinculadas a áreas específicas. Na Lei Orçamentária de 2015, o Planalto projetou a desvinculação deste ano em R$ 121,7 bilhões, mas com a retirada dos fundos regionais, cerca de R$ 2 bilhões devem sair dessa conta. Se não for prorrogada pelo Congresso, a DRU expirará em 31 de dezembro.

Seguridade 

O relator na CCJC, deputado Marcos Rogério (PDT-RO), defendeu a aprovação das PECs. Ele afirmou que não aprovar a DRU significa obrigar a União a executar gastos de pouca prioridade apenas porque estão vinculados. Já o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), contrário à renovação, afirmou que o maior atingido será o setor de Seguridade Social. Como a PEC 87/2015 expande de 20% para 30% a desvinculação que atinge as contribuições sociais, na visão do deputado isso representaria um aumento muito grande do que é retirado da área. O relator rebateu esse argumento. Segundo Marcos Rogério, a seguridade acaba absorvendo de volta todas as verbas que são retiradas dela por meio da DRU. “Em 2015, houve a desvinculação de R$ 74,8 bilhões da seguridade pela DRU, mas foram devolvidos R$ 89,5 bilhões para o setor. Não há razão para temer por prejuízos”, explicou.

Vinculação

 Favorável à prorrogação, Rubens Pereira Júnior (PCdoB-MA) disse que não há alternativa, atualmente, porque mais de 89% do Orçamento federal tem alguma forma de vinculação. “Temos de fazer esse debate e talvez mudar esse sistema, mas hoje é impossível governar sem a desvinculação”, afirmou. Já Danilo Forte (PSB-CE) defendeu o fim da DRU para dar mais controle às contas públicas. “Esses recursos desvinculados são utilizados para superávit e pagamento de juros. Nenhum centavo desse dinheiro foi usado para investimento ou para amenizar, por exemplo, os efeitos da seca no Nordeste”, criticou.

 

Fonte Jornal da Câmara

Leia mais

Rolar para cima