Que efeito os encargos geram na produtividade das empresas? Com essa provocação, o professor Hélio Zylberstajn iniciou sua participação no segundo dia (29) do Congresso Nacional do Sistema Confederativo da Representação Sindical do Comércio (Sicomércio), realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) no Rio de Janeiro, de 28 a 30 de outubro.
Que efeito os encargos geram na produtividade das empresas? Com essa provocação, o professor Hélio Zylberstajn iniciou sua participação no segundo dia (29) do Congresso Nacional do Sistema Confederativo da Representação Sindical do Comércio (Sicomércio), realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) no Rio de Janeiro, de 28 a 30 de outubro.
Para Zylberstajn, a legislação trabalhista acaba encarecendo o trabalho, dificultando a geração de emprego, mas ainda é possível perseguir um crescimento na produtividade. “O custo do trabalho para a empresa é como uma mola. Um novo encargo comprime uma empresa. Uma isenção expande”, afirmou.
No entanto, o especialista disse que alguns encargos podem agradar os trabalhadores, gerando, consequentemente, aumento da produtividade. Zylberstajn citou o seguro-saúde, benefício considerado por ele caro, mas que vale mais para o trabalhador do que custa para a empresa. Para ele, possibilidades como a flexibilização das férias, do pagamento do 13º salário e do horário de almoço, por exemplo, ajudariam a melhorar a relação de trabalho.
Hélio Zylberstajn também abordou problemas ligados à Previdência Social. “Gastamos 12% do PIB com a aposentadoria, e isso é um exagero dentro de nossa realidade. Vamos chegar a 75 milhões de idosos daqui a 40 anos, um terço da população. Se não fizermos nada agora em relação à Previdência, não sei que país vamos deixar para nossos filhos e netos”, alertou. “Os problemas da Previdência são muitos. Temos cinco milhões de aposentados funcionários públicos e quase 30 milhões na Previdência. Os funcionários públicos vão onerar por décadas nossas contas”, complementou.
Aumentar a produtividade via remuneração por desempenho e negociação coletiva foram alternativas citadas pelo professor para o aumento da produtividade. Ele informou que, em pesquisa realizada com negociadores para saber em qual medida a produtividade é um tema na mesa de negociação, verificou que esse é o fator de menor importância, perdendo posição para a inflação – é seguido por inflação e taxa de desemprego. “Temos que reformar a legislação trabalhista e a Previdência, e essas reformas precisam conversar”, finalizou o especialista.