Insegurança jurídica afeta emprego

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A Câmara Brasileira do Comércio de Gêneros Alimentícios (CBCGAL) voltou a se reunir na Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em Brasília, no dia 8 de outubro, com o objetivo de discutir questões afins, entre elas proposições legislativas em análise no Congresso Nacional e a normativa de segurança – NR12.

A Câmara Brasileira do Comércio de Gêneros Alimentícios (CBCGAL) voltou a se reunir na Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em Brasília, no dia 8 de outubro, com o objetivo de discutir questões afins, entre elas proposições legislativas em análise no Congresso Nacional e a normativa de segurança – NR12. Em destaque a visita do professor José Pastore, que analisou as consequências da crise econômica no País, no âmbito trabalhista, com a apresentação da palestra “Panorama do Trabalho no Brasil”.

A reunião foi aberta pelo coordenador João Francisco Micelli Vieira, presidente do Sindigêneros/RS, e contou com a participação do Deputado Laércio Oliveira, que falou da modernização das relações de trabalho. Como exemplo, ele destacou a MP 678, sobre o Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC), utilizado na época da Copa do Mundo, com objetivos de ampliar a eficiência nas contratações públicas e a competitividade entre os licitantes. “Precisamos unir forças para destravar empecilhos às relações do empresário com o trabalhador. Queremos tratamento igual e equilibrado da parte do governo para ambos trabalhador e empregador”.

Conjuntura trabalhista atual

Em sua palestra o Professor Pastore, sociólogo e especialista em relações do trabalho e desenvolvimento institucional, falou sobre a conjuntura do trabalho no contexto da longa crise econômica, apresentando danos sociais: “A indústria destruiu 500 mil empregos, e a formalização caiu 2%. Além disso houve queda de 2% na renda média e salto abrupto no desemprego, passando de 6,9% para 8,6%”.

Sobre o emprego no comércio e serviços, ele destacou crescimento no emprego até 2014. “O problema é que de 2014 pra cá a coisa mudou drasticamente. Houve um aumento de 1,6 milhão na procura de empregos. Nos últimos seis meses, temos tido redução de 30 a 40 mil empregos por mês. E, ao que tudo indica, o trabalho temporário no fim de ano prevê recuo”.

Segundo pesquisa realizada pela CNI/IBOPE 66% da população pensa acha que a situação econômica do Brasil está ruim ou péssima; 96% acredita que a expectativa para emprego deve piorar; 50% temem ficar desempregados e 41% dos entrevistados aceitam reduzir salário do que perder o emprego.

“O Brasil no campo trabalhista enfrenta alta insegurança jurídica”, afirmou Pastore. Os motivos que geram insegurança para o empregador e/ou investidor seriam: leis obscuras (por exemplo, a constituição diz que o descanso semanal deve ser “preferencialmente” aos domingos); efeito retroativo (em exemplo o aviso prévio, que gera um passivo muito grave); liberdade de interpretação (o Brasil adota uma interpretação de “trabalho escravo” diferente da OIT); justiça do trabalho (súmulas são leis?; súmulas que inibem a negociação); correção do débito trabalhista.

“Além disso, custo do trabalho no Brasil se mostra muito alto frente aos passivos trabalhistas; benefícios e obrigações acessórias (como ajuda na alimentação, saúde e vale-transporte); despesas gerenciais; e remuneração por tempo não trabalhado (férias, etc.)”, disse o professor.

Todas essas inseguranças afetam o emprego, o crescimento econômico, a estabilidade, os investimentos, etc. Há um clima de desânimo no ambiente das empresas, quanto à retomada do crescimento em 2016, há dificuldade para dirigentes sindicais.

Contudo, a importância da produtividade nas negociações foi destacada. “Nós não podemos desperdiçar esse momento de crise para fazermos mudanças trabalhistas”, ressaltou Pastore. “Quando o empresário comparece, dá certo”, afirmou o sociólogo, como um incentivo aos empresários à participação de negociações com o Legislativo.

Por fim, José Pastore deixou suas dicas: “Sugiro o acompanhamento das seguintes ações de 2015: Simples Trabalhistas – tratado no PL 450/15; Terceirização – a Situação PLS 30/15; e a Redução da Jornada de Trabalho, tratada na Convenção 158 da OIT”.

Segundo a linha de ideias do professor, o Secretário-Geral da CNC, Marcos Arzua, fez sua análise sobre os movimentos dos empresários diante do quadro atual. “Vivemos uma nova ordem mundial. Toda essa crise nos oportuniza sair dela muito melhor, se tivermos consciência e mobilização empresarial. O primeiro passo para que façamos isso é admitirmos que o nossos movimentos ainda são ineficazes. Esta Casa tem essa função e esse dever”.

Para Arzua, avançar com um trabalho objetivo é o caminho, “Não adianta mais o empresário reclamar o favorecimento ao trabalhador, o que nos cabe é trabalhar com rapidez e unidade”.

 

MP 680/2015

 

Em debate constate no Congresso Nacional, Pastore comentou a MP 680/15, hoje na Câmara dos Deputados, “Sobre o programa do governo de Proteção ao Emprego, a ideia é ótima, mas há uma burocracia é muito alta. Porém há um ponto positivo já aprovado, que é a supremacia do negociado sobre o legislado”.

 

Inmetro

 

O evento recebeu a presença do Coordenador da Rede Brasileira de Metrologia Geral e Qualidade, do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMetro), Omer Pohlmann, que afirmou o interesse do instituto no alinhamento do trabalho (realizado nas áreas de brinquedos, saúde/medicamentos, alimentação, eletrodomésticos, trânsito, etc.) com os empresários lojistas do comércio varejista e atacadista de gêneros alimentícios.

O convidado ainda esclareceu dúvidas dos empresários sobre a atuação do Instituto quanto à coleta de produtos inadequados para consumo e uso social e aplicação de multas a estabelecimentos que fazem uso dessa prática de vendas inadequadas.

 

NR 12

 

Tratando da Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos, a NR 12 voltou à pauta da reunião, para explicar as propostas inseridas nos anexos seis e sete. “Pretendemos discutir uma proposta que seja confortável tanto para a indústria como para o comércio”, disse Márcio Milan, vice-presidente da Abras.

“Alterações no texto da NR 12 foram realizadas alinhadamente para apresentação ao Ministério do Trabalho, de forma o mínimo prejudicial ao empresário do comércio de gêneros alimentícios”, explicou Milan. Entre elas: obrigações distintas para fabricantes e usuários; tratamento diferenciado para micro e pequenas empresas; interdição de máquinas e equipamentos somente se for comprovado grave e iminente risco por laudo técnico.

 

Projetos de Lei

 

Quanto à análise de matérias legislativas, o grupo recebeu assessoria do analista legislativo da CNC, Ênio Zampieri, que apresentou alguns projetos de lei em foco na CNC, ressaltando os de maior urgência como: o PL 91/2015 (sobre a inclusão da data de vencimento do produto no código de barra); o PL 8294/2014 (que trata da modernização das relações trabalhistas); e o PLC 30/2015 (que regulamenta a terceirização).

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