Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?
Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?
Poucas chances de aumento de contratações. As economias brasileira e baiana estão em desaceleração. Esse fenômeno não permite apostas ousadas, como contratações, neste momento. Ao contrário, o que está ocorrendo é um processo de redução de postos de trabalho, infelizmente. Dificilmente esse cenário mudará até o final deste ano. Com relação a estoques, a maioria dos varejistas tem estoques suficientes ou acima do suficiente. Não há pressa no encaminhamento de novos pedidos. Especificamente para o setor de farmácias o quadro é um pouco diferente, porque as lojas devem trabalhar com estoques relativamente baixos, por conta da validade e de determinações legais. Além disso, o setor é essencial. Então, o ritmo de colocação de pedidos para remédios é o mesmo de sempre, mas para produtos de perfumaria também houve redução das vendas e, portanto, dos pedidos a fornecedores.
Como o senhor vê a evolução da economia/comércio em seu estado até o final do ano?
Difícil. O Estado da Bahia deve perder cerca de 10% do faturamento real neste ano, e não haverá recuperação no curto prazo. A expectativa é que em 2016 as vendas possam começar a se recuperar, ainda que gradativamente.
Na área em que o senhor atua, que medidas prudenciais devem ser adotadas pelos empresários?
As mesmas medidas que devem ser adotadas por todos os empresários: eficiência, produtividade, olho nas perdas e no desperdício, controle de caixa e de capital de giro e muita atenção ao giro de estoques.
A alta de gastos do setor – como energia, pessoal, combustíveis – tem afetado os negócios?
Claramente. São custos que o empresário pode controlar um pouco, com economia, porém não há como não incorrer em algum esforço. Todos os custos aumentando e as receitas de venda caindo criam uma bomba-relógio para o varejo que, em breve, vai redundar em mais desemprego e redução do número de empresas no setor. Para que isso não ocorra, é necessário que o ambiente político se resolva e que as reformas venham rapidamente.
A inflação é a maior vilã para o comércio atualmente?
A Inflação é uma vilã sempre; corrói poder de compra, aumenta custos e reduz a capacidade dos compradores. Se não é a maior vilã, é uma das maiores, em tempos de tantos problemas na economia.
Quais as alternativas para o empresariado do comércio de bens, serviços e turismo no cenário econômico até final de 2015?
As alternativas são poucas: tentar se manter com as finanças em dia até o início da recuperação econômica, que pode demorar mais de um ano a começar. Para isso, olho nos custos, no giro dos estoques, na eficiência e na produtividade dos trabalhadores e muita atenção a roubos, perdas e desperdícios.