Entrevista: Abram Szajman, vice-presidente da CNC e presidente da Fecomércio-SP

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Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

De forma geral, as empresas dos setores de comércio e serviços não devem contratar até o final do ano. As perspectivas da economia ainda são negativas, e o ritmo dos negócios tem sido mais lento. Todavia, muitas empresas estão lutando para ao menos manter seus quadros, mas, de acordo com o Indicador de Contratação de Funcionário – um dos índices que compõem a pesquisa Confiança do Empresário do Comércio (Icec) da Fecomércio-SP –, o pessimismo vem aumentando desde março; e isso significa que os empresários estão com viés de reduzir o quadro de funcionários nos próximos meses. Com relação aos estoques, o varejo ainda os acumula e está num processo um pouco lento de ajustes. Isso deve manter os pedidos reduzidos até que o estoque esteja adequado ao ritmo das vendas. Espera-se que até o Natal essa situação se normalize.

Como o senhor vê a evolução da economia/comércio em seu estado até o final do ano?

A economia evoluirá muito lentamente. Neste ano o PIB deve apresentar uma retração de 2%, e a recuperação não virá imediatamente em 2016, que também será um ano fraco, com expectativa de estabilidade, na melhor das hipóteses. A instabilidade política dificulta o ajuste, que já é profundo e tende a ser lento, infelizmente. Com relação especificamente ao comércio, a Fecomércio-SP acredita em queda no faturamento real das vendas de 3% a 4% neste ano. E com grande margem de erro, por causa de todas as incertezas, projeta desempenho de vendas neutro em 2016, ou seja, 0 a 0 em relação a 2015. Perspectivas positivas ainda não estão garantidas. Dependem do tamanho do ajuste e muito mais de sua qualidade. Quanto menor o Estado, maiores os cortes de gastos, principalmente de custeio da máquina pública, e menor a carga tributária; mais rápida e vigorosa será a recuperação.

Na área em que o senhor atua, que medidas prudenciais devem ser adotadas pelos empresários?

As medidas prudenciais, para todos os segmentos, são muito parecidas: cuidado com os custos, criação de condições para reduzi-los, aumento de eficiência e atenção total aos clientes. A travessia é delicada, mas, após a crise, quem tiver seguido essas receitas básicas de austeridade vai estar preparado para voltar a crescer.

A alta de gastos do setor – como energia, pessoal, combustíveis – tem afetado os negócios?

Claro que todo aumento de custos reduz a competitividade, as margens de lucro; e muitas vezes podem forçar o empresário ao desinvestimento. Os custos aumentam em um momento em que as receitas caem. Essa combinação é muito perigosa, mas, infelizmente, está dada. Esperamos que os custos, ao menos, parem de crescer. Muitas renegociações entre fornecedores e empresários serão feitas ao longo dos próximos meses.

A inflação é a maior vilã para o comércio atualmente?

A inflação é o sintoma de que há algo de errado na economia. Em um ambiente de desaquecimento econômico como o atual, a inflação elevada mostra que há desequilíbrios macroeconômicos sérios no País: contas públicas descontroladas, principalmente os gastos e a baixa produtividade, com custos trabalhistas exagerados. Esse é o problema a ser atacado, e, sem essa solução, dificilmente o País estará apto a voltar a crescer de forma sustentável e a competir nos mercados globalizados.

Quais as alternativas para o empresariado do comércio de bens, serviços e turismo no cenário econômico até final de 2015? 

A alternativa é manter a serenidade, explorar vantagens comparativas, manter o bom atendimento ao cliente. Cuidar muito bem dos gastos e investimentos, de forma que o empresário possa garantir sua travessia até o momento de recuperação, que pode ocorrer em algo como um ano ou um pouco mais. Antes disso, muita cautela e eficiência máxima.

 

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