Como tornar o turismo acessível aos surdos

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O Brasil tem cerca de seis milhões de pessoas com deficiência auditiva, destas, por volta de 20%, pouco mais de um milhão é de pessoas surdas. O turismo nacional vem crescendo na cesta de consumo da população brasileira e o Sistema CNC-Sesc-Senac debate durante a 42ª Abav – Expo Internacional de Turismo, um dos maiores eventos do setor no País, como a atividade pode promover a inclusão ao trabalhar a acessibilidade.

O Brasil tem cerca de seis milhões de pessoas com deficiência auditiva, destas, por volta de 20%, pouco mais de um milhão é de pessoas surdas. O turismo nacional vem crescendo na cesta de consumo da população brasileira e o Sistema CNC-Sesc-Senac debate durante a 42ª Abav – Expo Internacional de Turismo, um dos maiores eventos do setor no País, como a atividade pode promover a inclusão ao trabalhar a acessibilidade. Na palestra Surdos de malas prontas, realizada na tarde de hoje (25), na Vila do Saber, a psicóloga e intérprete para a pessoa surda Fabiane Cardoso falou sobre como o público surdo – usuários da Língua Brasileira de Sinais (Libras) – representa um potencial capaz de ampliar a atividade turística doméstica e internacional. Para Fabiane, muitas vezes esse público é deixado de lado, devido à falta de informações e capacitação para ofertar um atendimento adequado e para a adaptação de pacotes e roteiros turísticos.

Fabiane começou a palestra desmistificando algumas informações incorretas; ela explicou que a Libra não é mímica, que diferente do que muitas pessoas pensam, também não é uma língua universal, cada País possui a sua língua de sinais, que inclusive sofre alterações de região para região, assim como ocorre com os sotaques. “A Língua de sinais tem todas as características linguísticas de qualquer língua humana natural, podemos utilizar mímica para valorizar a interpretação e ou comunicação com os surdos em determinadas ocasiões, mas a língua tem uma gramática, não é uniforme e sofre as influências de uso”, explica a psicóloga e intérprete para surdos.

“O surdo quando quer viajar tem medo de chegar lá e não conseguir se comunicar, não saber onde pode ter um intérprete”, explicou Fabiane. Por isso, ela defende que as agências desenvolvam pacotes adaptados, e deu dicas como que os materiais sejam o mais visuais possíveis, utilizando palavras com imagens, ou ainda sinais da Língua de sinais do País junto com imagens. A palestrante deu dicas de materiais disponíveis e sites de aplicativos que traduzem o que se escreve para a língua de sinais, como o Hand Talk e Prodeaf, e encerrou respondendo a questão sobre quem pode aprender a língua de sinais. “Você pode, qualquer pessoa pode. Qualquer profissional pode saber Libras para prestar atendimento aos surdos, sem necessitar de um intérprete”, concluiu.

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