Sumário Econômico 1367

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Destaque da edição:

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Confiança do comércio fecha 1º semestre na mínima histórica – Com quedas de 2,3% em relação a maio e de 12,7% na comparação com dezembro do ano passado, o Índice de Confiança dos Empresários do Comércio (Icec) rompeu o piso histórico alcançado no mês anterior e fechou o primeiro semestre de 2014 em forte queda. Mais uma vez, o recuo do Icec foi puxado pela retração nas avaliações das condições correntes (-3,3%) e, em especial, pelo item que mede as percepções em relação às condições econômicas atuais (-6,8%). Em seguida, vieram as quedas nos subíndices relativos às expectativas (-2,9%) e às intenções de investimentos (-0,7%). No comparativo anual, a queda de 12,0% no Icec, a décima primeira consecutiva, foi a maior já registrada pela pesquisa. Dos nove itens pesquisados, seis se encontram no menor nível desde o início da apuração do índice, em 2011. Segundo 70,2% dos empresários pesquisados, as condições econômicas atuais pioraram nos últimos doze meses. Além de ser o item com o nível de avaliação mais baixo dentre todos os componentes da pesquisa, as condições econômicas correntes registraram a maior queda dentre os nove quesitos pesquisados pelo Icec entre maio e junho. Na comparação com junho de 2013, houve queda inédita de 25,4%. Há um ano, a percepção de piora na economia atingia 55,4% dos entrevistados.

 

Outras matérias:

Crédito continua aumentando, contudo desacelera – Dados mais recentes divulgados pelo Banco Central mostraram que as operações de crédito do sistema financeiro aumentaram 0,6% em abril, contra o mês imediatamente anterior. Esta taxa foi abaixo do crescimento de 1,0% em março, e ligeiramente superior ao avanço de 0,5% em fevereiro, e 0,1% em janeiro. O saldo total dos empréstimos e financiamentos alcançou o valor de R$ 2,8 trilhões no último resultado, representando 55,9% do PIB. No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em abril de 2014, a variação foi de +13,4%, 2,9 ponto percentual abaixo da variação de 16,3% observada no mesmo período do ano anterior. O resultado acumulado no primeiro quadrimestre do ano foi um crescimento de 2,3%, abaixo do avanço de 3,4% no mesmo período em 2013. Os empréstimos baseados em recursos livres somaram R$ 1.503,6 bilhões, 30,3% do PIB, e 54,1% do saldo total do crédito. Na comparação mensal houve avanço de 0,1%, e em 12 meses a aceleração foi de 6,2%. Entretanto, no acumulado do ano houve queda de 0,3%. Este recuo foi influenciado principalmente pela redução de 1,5% nos empréstimos a Pessoas jurídicas (PJ), enquanto os empréstimos a Pessoas físicas (PF) aumentaram 0,9%, nesta base de comparação. Já em relação ao mês anterior, os empréstimos a Pessoas físicas neste tipo de recurso avançaram 0,2% em abril de 2014, contra uma queda de 0,1% dos referentes às Pessoas jurídicas. Nos últimos 12 meses os empréstimos PF mostraram avanço bem abaixo da média geral, 6,3%.

Marco civil da internet – Entrou em vigor em 24 de junho deste ano – 60 dias após sua publicação no Diário Oficial – a Lei nº 12.965/2014, denominada Marco civil da internet. Esse regulamento permaneceu anos em tramitação no Congresso Nacional, e teve a sua evolução precipitada pelo rumoroso caso de espionagem promovido por órgãos de segurança norte-americanos, que inclusive tinham o governo brasileiro como objeto de suas pesquisas. Embora a referida lei tenha sofrido notórias manifestações contrárias por parte de alguns setores da sociedade – especialmente na reta final da votação pelo Congresso Nacional – o que inclusive motivou o adiamento do pleito por várias oportunidades, há que se dizer que todo o processo, desde o início, foi realmente democrático. Durante sua tramitação, o projeto ficou aberto à manifestação do público em geral – através de um site aberto para essa finalidade – e também do público especializado, tanto nas audiências públicas, quanto através das contribuições dos segmentos especializados, em seminários e fóruns sobre o tema que ocorreram nos últimos anos. Com isso, houve intensa negociação no Congresso e, em nosso entendimento, o Brasil conta agora com uma legislação equilibrada, capaz de disciplinar o uso da internet. Por outro lado, a legislação traz sim um nível de perda de privacidade na rede. E isso – para os defensores da internet totalmente livre, um movimento importante, de cunho internacional – seria como ferir uma cláusula pétrea desse novo meio de interação humana. No entanto, pelo viés normativo e pautando o bom uso do meio, consideramos que essa perda é pequena em relação aos ganhos obtidos com a adoção da nova Lei.

20 anos do Plano Real – No início de julho foram comemorados os 20 anos do Plano Real, plano de estabilização que deu cabo da inflação, em 1994, enterrando um período permeado por confusão em relação às expectativas sobre a inflação no mês seguinte e o que seria feito para acabar com o problema. O contexto do Plano Real era o pior possível, face à hiperinflação e ao fracasso das experiências heterodoxas, que transformaram a economia num laboratório de congelamentos de preços, salários e câmbio, com o fim de debelar a inflação através de decreto e engessamento do livre mercado. Com os 20 anos do real, muito se tem noticiado a respeito do valor da moeda em comparação com os dias atuais, cujo poder de compra veio se deteriorando devido à permanência da inflação em níveis aceitáveis para o País, no entanto, relativamente acima de Países de padrões mais avançados (ou até não). Por um período, o câmbio ficou apreciado. Houve situação em que com um real adquiria-se um dólar e ainda se recebia doze centavos de real de troco – a taxa chegou a US$ 1,00/R$ 0,88. A mesma cédula consumia dois cocos na orla de Copacabana; ou pagava dois refrigerantes em lata; e com mais R$ 0,50, uma criança conseguia fazer seu lanchinho na cantina da escola de classe média. Hoje, se o detentor de um real for a um supermercado, só consegue materializar necessidades levando produtos de baixo valor, como, por exemplo, gelatina, lata de ervilha, barrinha de cereal ou algum tipo de chocolate. No mercado em geral, também dá para consumir balas, amendoim, chicletes e figurinhas para álbuns de colecionadores. Na padaria, um cafezinho com pão com manteiga já ficou para trás há algum tempo. Aquela cédula verdinha foi retirada de circulação, porque o custo de impressão tornou-se caro demais frente ao uso das pessoas e seu desgaste com a circulação. A moedinha veio para substituí-la.

 

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