Conotel discute cenários futuros

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A falta de competitividade do País e a necessidade de modernizar o setor público, diminuir a burocracia e simplificar as legislações trabalhista e tributária, diante de um cenário social de ampliação da classe média e de insatisfação popular, foram temas abordados na mesa redonda “Cenários Futuros” do Congresso Nacional de Hotéis, o Conotel 2014, em 9 de abril.

A falta de competitividade do País e a necessidade de modernizar o setor público, diminuir a burocracia e simplificar as legislações trabalhista e tributária, diante de um cenário social de ampliação da classe média e de insatisfação popular, foram temas abordados na mesa redonda “Cenários Futuros” do Congresso Nacional de Hotéis, o Conotel 2014, em 9 de abril. O debate foi comandado pelo secretário-geral da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Eraldo Alves da Cruz, e contou com a participação do economista e ex-governador do Estado do Espírito Santo, Paulo Hartung, do sócio e Chairman da Lew’LaraTBWA, Luiz Lara, do jornalista Gaudêncio Torquato e do empresário Flávio Rocha, atual presidente do grupo Riachuelo e do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV).

Moeda forte e manifestações

Na visão política de Paulo Hartung, a estabilidade econômica alcançada com o real foi um grande passo para o desenvolvimento do País, mas as manifestações que levaram a população para as ruas em 2013, em números jamais vistos, demonstram que ainda há muito a ser feito pela saúde, pela educação e pela mobilidade, por exemplo. “Precisamos ter lideranças para transformar essa energia boa das ruas em ações”, afirmou Hartung. “O que está em crise não é a política no País, mas sim as instituições políticas. Precisamos atualizar as instituições políticas, para que o jovem volte a operar nesse setor e a participar das mudanças no País”, disse.

Hartung defendeu uma reforma administrativa para modernizar a máquina pública e alterações nas legislações trabalhista e tributária. Para ele, em um mundo integrado e globalizado o País precisa ganhar tempo, ter os processos desburocratizados e menores impostos para ganhar competitividade.

O País da classe média e o livre mercado

O dono de uma das maiores cadeias do varejo nacional, o empresário Flávio Rocha, falou sobre a evolução do País a partir de transformações que partiram de consensos, como foi a democracia, a estabilidade econômica e a mais recente conquista: a diminuição da desigualdade social. “Há dez anos tínhamos 60% da população na ‘base da pirâmide’. Hoje temos uma potente classe média na ‘cintura do losango’. O País mais desigual do mundo hoje é o país da classe média”, afirmou Flávio. Para ele, essa população começa a cobrar do Estado a mesma eficácia e competência para fazer mais por menos, que exige eficiência da sua operadora de celular ou de TV paga. Essa nova classe social requer mudanças como desoneração e simplificação do “cipoal” das legislações jurídica e tributária para baixar o chamado “Custo Brasil”.

“A ineficiência do poder público influi diretamente na capacidade empresarial do Brasil e faz o País ter uma das mais baixas competitividades empresariais do mundo”, afirmou o empresário. O mediador, Eraldo Alves Cruz, citou exemplos de empresas como o McDonald’s, as lojas Zara e a Apple, que estão presentes em muitos países e acabam praticando preços mais altos no nosso país. “No Brasil, os produtos Zara são mais caros por culpa do custo país”, lembrou Eraldo, e questionou o debatedor acerca da opinião deste sobre o monitoramento das tarifas hoteleiras proposto pela Embratur. Para Flávio, as intervenções nas leis de mercado distorcem a economia. “É uma ingenuidade se imaginar que um burocrata em Brasília possa regular o livre mercado e estabelecer um preço justo”, respondeu, arrancando aplausos da plateia.

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