Marco civil será votado na terça sem acordo sobre regulamentação da neutralidade

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O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse nesta manhã que os líderes partidários concordam com o princípio da neutralidade de rede previsto no Projeto do marco civil da internet (PL 2.126/2011). Segundo esse princípio, fica proibida a venda de pacotes diferenciados por serviços pelos provedores de acesso ou o bloqueio de alguns sites ou aplicativos pelas empresas que gerenciam conteúdo (provedores de aplicação).

A divergência, segundo Cardozo, estaria em relação a como essa neutralidade será regulamentada. O governo quer ter a possibilidade de regulamentar a Lei por decreto. Já a oposição quer que o próprio texto da Lei trate de todos os aspectos da neutralidade.

Polêmica

A neutralidade de rede é o ponto mais polêmico do marco civil da internet. Em busca de um acordo, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, desde ontem tem defendido a votação da proposta na próxima terça-feira (25).

Hoje os deputados vão apenas começar a discutir o parecer do deputado Alessandro Molon (PT-RJ), que foi lido no Plenário no dia 12 de fevereiro. Tanto o DEM como o PMDB apresentaram emendas com textos alternativos ao parecer, com mudanças no conceito de neutralidade.

O governo insiste em manter a regulamentação da neutralidade por decreto. Segundo o ministro, essa é uma competência privativa do presidente da República e, portanto, deveria ser regulamentada por decreto.

Segundo Cardozo, o governo vai manter a regulamentação por decreto, mas, antes de editá-lo, a presidente Dilma Rousseff terá de ouvir a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Comitê Gestor da Internet. “Para ouvir tanto a sociedade quanto um órgão técnico”, esclarece o ministro. A necessidade de ouvir esses setores deverá constar no Projeto.

Data centers

Já em relação aos data centers, a negociação avançou um pouco mais. O líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE), disse que o governo vai retirar do Projeto do marco civil a obrigatoriedade de usar data centers localizados no Brasil para armazenar dados de navegação realizada no País. “Seria um ônus a mais para o usuário da internet”, explicou o líder, comemorando o que considerou uma conquista da oposição.

Esse era um dos pontos mais polêmicos da proposta. A exigência não constava do texto original; foi incluída pelo relator, deputado Alessandro Molon, após o escândalo da espionagem dos Estados Unidos em diversos países.

“Não houve flexibilização de nenhum ponto, apenas uma maior clareza de redação para produzir um acordo”, explicou o líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). Ele ressaltou que o texto deixará claro que as empresas que coletam dados e informações de brasileiros serão regidas pelas leis brasileiras.

 

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