Ernane Galvêas: exemplar brasileiro

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Jornal do Brasil     Editoria: Opinião   Página: R-3  


Aristóteles Drummond


Recente seminário realizado no Rio de Janeiro, sob o tema Competição, Ética e Prosperidade, teve como grande estrela a figura extraordinária do ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central Ernane Galvêas. Fez colocações oportunas e sábias, destacando que o crescimento econômico não pode conviver com o desvio de verbas públicas, o contrabando, a sonegação, a impunidade, pois, assim, não se sustenta.



Jornal do Brasil     Editoria: Opinião   Página: R-3  


Aristóteles Drummond


Recente seminário realizado no Rio de Janeiro, sob o tema Competição, Ética e Prosperidade, teve como grande estrela a figura extraordinária do ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central Ernane Galvêas. Fez colocações oportunas e sábias, destacando que o crescimento econômico não pode conviver com o desvio de verbas públicas, o contrabando, a sonegação, a impunidade, pois, assim, não se sustenta. E ainda fez a platéia recordar uma safra de servidores públicos éticos, corretos, discretos e eficientes.


Ernane Galvêas vem dos tempos da SUMOC, transformada na reforma de Roberto Campos no Banco Central. É de um grupo de notáveis, como Herculano Borges da Fonseca, Benedito Moreira, Cid Heráclito Queiroz, Nestor Jost e Namir Salek, referências do nosso sistema oficial que integra os bancos do Brasil e Central, o Ministério e seus órgãos.Mestre em Economia em Yale,  trabalha até hoje,na casa dos oitenta, sendo um dos pilares da equipe de Antonio Oliveira Santos na Confederação Nacional do Comércio.


Ernane Galvêas, que foi o grande companheiro de Delfim Neto nos difíceis anos do Governo João Figueiredo, com a crise no México e a do petróleo afetando nossa economia, revelou-se um seguidor de Adam Smith. Para o ex-ministro, a carga fiscal exagerada, como a nossa, é frustrante para o investimento, estimula a sonegação e a economia paralela, que é injusta e imoral. Lembrou ainda que a desenvoltura com que o MST promove invasões e saques em propriedades privadas, sem punição, colabora para que o Brasil encontre dificuldades na captação de investimentos.  Destacou que o PAC é fato positivo, pois acena com a melhoria da infra-estrutura que limita o crescimento da economia pelos gargalos na energia e nos portos, por exemplo.


Na verdade, o Brasil possui uma reserva de homens experientes, testados na probidade pessoal, no espírito público, que não pode desprezar. O presidente Lula tem sido sábio ao ouvir freqüentemente o ex-ministro Delfim Neto. Hoje, conhecendo bem o Brasil, Lula tem sido justo e, com grandeza, reconhece o que foi feito em termos de planejamento e execução de projetos estratégicos nos governos militares. Nestes, aliás, há outros exemplos de grandes serviços prestados e reconhecidos, como os casos de Mário Andreazza, César Cals, Jarbas Passarinho e Eliseu Resende – este brilhando no Senado atualmente.


 Todas as vezes que este governo recorreu aos experientes e bem testados, ganhou. Assim foi com Nelson Jobim, Roberto Rodrigues e depois Reinold Stefanes, Edson Lobão e, dizem, pensa em fazer retornar Antonio Palocci, responsável pelo “choque de credibilidade” do primeiro mandato.


A situação anda complicada. Fatores externos e internos pressionam a inflação, fazem cair o saldo da balança comercial, as importações castigam a indústria nacional, prejudicada pelo câmbio e por certas aberrações, fiscais e políticas, como o caso do reconhecimento da China “como economia de mercado”.


Portanto, neste momento, lembrar a existência de gente assim, em plena atividade, faz gerar, no mínimo, otimismo. Que as novas gerações na administração pública saibam compreender e valorizar estes exemplos, entre os quais, o de Galvêas é dos mais admiráveis.




 

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