
Como a Comissão calcula as perdas do turismo decorrentes da pandemia?
Temos acompanhado os números divulgados mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. E isso tem ajudado muito nos trabalhos da Comissão. O setor chegou a abril deste ano operando com aproximadamente 60% da sua capacidade de geração de receitas.
Mas não é só isso. A crise também afetou o emprego no setor turístico, que perdeu, segundo o anuário, 2,7 milhões de postos de trabalho ao longo de 2020. Os serviços de alimentação foram os que mais demitiram, com o corte de 1,7 milhão de empregos, seguido pelo setor de transporte rodoviário, que reduziu em 559 mil vagas a força de trabalho, e as agências de viagem, que demitiram 197 mil pessoas.
Isso sem contar os estabelecimentos que fecharam as portas porque não conseguiram se manter durante a pandemia. O setor de turismo é, portanto, o mais atingido pelos desdobramentos decorrentes da crise sanitária.
Quais são os principais objetivos da Comissão diante deste cenário?
A urgência de curto prazo não permite que haja uma atenção focada no turismo. Todos os atores, tanto políticos quanto econômicos, estão focados no presente e em sair desta situação. Precisamos ter uma atenção no curto prazo para que a rede de turismo no Brasil não seja destruída.
O turismo tem muitas conexões, como hotelaria, cruzeiros, companhias aéreas e agências de viagens. Se a gente deixa essas conexões se destruírem, a tarefa fica mais difícil e mais demorada. O turismo representa 10% do PIB [Produto Interno Bruto] brasileiro. Além do agronegócio, o setor que tem capacidade de gerar divisas rapidamente é o turismo. Está todo mundo pensando no “agora”, por isso eu quero trabalhar como catalisador do cenário pós-pandemia. O grande papel da Comissão será deixar um pouco essa formulação legislativa para pensar nesse reposicionamento de turismo.
O empresário do turismo tem tido dificuldade de obter crédito. Qual a atuação da Comissão nesse sentido?
Estamos trabalhando pela ampliação e atualização das linhas de créditos oferecidas pelo governo federal através do Fundo Geral de Turismo (Fungetur) e do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). Também posso citar algumas Medidas Provisórias (MPs) relacionadas à pandemia.
Nós temos a MP do setor aéreo e a MP do reembolso (MP nº 1.036). Já pedimos ao presidente da casa que, se possível, os relatores de todas essas propostas sejam deputados da Comissão de Turismo.